segunda-feira, 5 de abril de 2021

'O papel do rádio, naqueles tempos', por Vladimir Carvalho

Imagem reproduzida do site: antonioferreira.lel.br e postada
pelo blog "Sintonia..." para ilustrar o presente artigo.


Texto publicado originalmente no site do jornal CORREIO DE SERGIPE, em 1 de abril de 2021

O papel do rádio, naqueles tempos
Por Vladimir Souza Carvalho

 O aniversário natalício não era comemorado com festa, que, aliás, nem cogitada era, pelo menos, lá em casa. No máximo, um pudim, e olhe lá, porque só uma vez do pudim me lembro. Mas, nada disso causava qualquer tristeza, porque, digamos, invocando Camões, um poder mais alto se alevantava, justamente no rádio, em programas da tarde, da Rádio Liberdade, de umas duas horas, onde se oferecia música ao aniversariante.

O anúncio era simples e repetido, mais ou menos, assim: aniversaria hoje, na cidade de Itabaiana, o inteligente garotinho, Vladimir. Seus pais, Jubal e Maria, e seus irmãos, Alba e Bosco, oferecem esta música. Ficávamos todos de ouvido aceso no RCVictor, alimentado por antena erguida no oitão da casa, o programa inteiro, a espera do anúncio. Havia vibração, como se fosse comemoração de um gol. A atenção, diga-se, não era para a música. Se concentrava apenas no nome do aniversariante, de seus pais e irmãos, o que representava, por si só, todo o festejo que não era realizado, nem dele ninguém sentia falta. O nome no rádio era o melhor presente que o aniversariante ganhava. Nada além, ressalte-se.

A importância era do rádio, e a Liberdade era ouvida, sem ruído, em Itabaiana. Depois veio a Rádio Cultura, dividindo a audiência. Me lembro, nos idos de 1960, eleição presidencial, a caravana do PSD veio para Aracaju, no comando de Manoel Teles, para um comício prol Lott. Ouvi que uma senhora, da Serra, ia e alertou a família para que ficasse de olho no rádio, porque, no momento em que todos estivessem calados, ela, a pessoa que ia participar do comício, gritaria: olhe eu aqui, olhe eu aqui. Não sei se conseguiu. O fato é narrado apenas como prova da importância que o rádio, naqueles idos, representava para a gente do interior.

Uma vez, lá para o ano de 1964, passei uns dias, no final do ano, no Aracaju. Ouvi na Rádio Difusora um programa esportivo, que o ouvinte podia participar, gravando um comentário. Não perdi tempo. Escrevi um, duas folhas de papel de caderno, e, para lá fui. Gravei. De volta a Itabaiana anunciei aos amigos e fiquei atento, ouvindo, no dia certo, pelos menos, dois ou três minutos, minha voz na rádio. Nesse dia, pisando leve no chão, fui só riso. Proeza danada!

Texto reproduzido do site: ajn1.com.br

domingo, 28 de março de 2021

Como os avanços tecnológicos mantêm as rádios populares...

Publicado originalmente no site TELETRONIX, em 22 de janeiro de 2018

Como os avanços tecnológicos mantêm as rádios populares e importantes?

Por Bruno Faria

Sempre que uma nova plataforma de mídia surge no mercado, os especialistas se apressam para estudá-la e, então, fazem suas previsões sobre a possível defasagem de um segmento mais tradicional. No entanto, essa não é uma característica exclusiva da atualidade e dos avanços tecnológicos que reúnem todos os tipos de mídia em um só aparelho.

No início do século XX, o único meio de difundir informação era a imprensa escrita. Com a chegada dos rádios domésticos, muita gente decretou o fim dos jornais — que continuam fazendo parte de nossas vidas. Posteriormente, o advento da televisão ameaçou a existência do rádio.

Contudo, os fatos nos mostram que os meios de comunicação, em vez de extinguirem-se, se adaptam e, até mesmo, se integram às tecnologias novas. Nesse contexto, o rádio, ainda que em meio a tantos dispositivos com tela, permanece ocupando o seu espaço como mídia portátil e democrática.

Porém, você sabe o que sustenta essa consolidação em plena era dos smartphones? Neste post, procuramos solucionar esse “mistério” de uma vez por todas. Acompanhe!

A resistência do rádio às tendências tecnológicas

Caso você ainda não tenha conferido as seis curiosidades da história do rádio que publicamos no blog, vale destacar que a tecnologia ganhou força no Brasil somente nos anos 30, quando Getúlio Vargas decretou a veiculação de propagandas em transmissões via rádio.

À medida que os aparelhos chegavam aos domicílios brasileiros e crescia o número de estações, visto que a atividade já se mostrava um ótimo negócio, a tendência de extinção dos jornais impressos caía em descrença. Isso porque as pessoas viram ambas as mídias como alternativas.

Com o passar dos anos, o rádio se expandiu por todo o território nacional — graças à transmissão de amplitude modulada (AM) —, não demorando a consolidar-se como o principal meio de difusão. Por meio dele, o público tinha acesso à entretenimento, informação e cultura.

No entanto, os avanços tecnológicos, mais precisamente a televisão, colocavam em xeque o futuro do rádio. A TV tratava-se de um aparelho que “rivalizava” por conta do seu propósito (que era o mesmo até em relação à rentabilidade), mas contava com o plus de oferecer uma experiência audiovisual.

Contudo, a harmonia entre os tipos de mídia existentes prevaleceu, e a situação pouco mudou desde o surgimento dos computadores pessoais e da internet, que reúne todos os elementos em um só dispositivo. Inclusive, a maioria dos veículos marca presença a partir de diferentes mídias.

As principais razões para o fortalecimento do rádio

Ao analisarmos o contexto histórico e certos detalhes ligados às tecnologias modernas, somos capazes de identificar uma série de motivos que contribuem, direta ou indiretamente, para que o rádio ainda seja muito utilizado.

O que você acha de conhecer alguns deles? Neste tópico, elencamos uma série de detalhes que influenciam o sucesso do rádio, desde características técnicas até aspectos socioeconômicos.

Funcionamento alternativo na internet

Um fenômeno muito interessante, que tem ocorrido conforme o surgimento de inovações tecnológicas, é a integração. Se por um lado a internet centralizou todos os tipos de mídia que conhecemos, ela o fez trazendo todos eles para si.

Por exemplo, do mesmo jeito que o rádio é acessado via desktop, notebook, tablet e smartphones, ele continua acessível pelo uso de aparelhos específicos, os quais muitos de nós utilizamos em diversos tipos de lugares (ruas, casa, automóvel etc.) sem a necessidade de contratar um provedor de serviços. Essas formas de funcionamento alternativas fizeram com que o rádio continuasse muito presente na sociedade.

Integração com as mídias sociais

As rádios já não produzem conteúdo pensando apenas no dial — aparelhos convencionais de transmissão. O conteúdo é feito para ser distribuído de diversas maneiras e plataformas. Os ouvintes não estão mais focados em escolher entre AM ou FM, apenas escuta-se a rádio.

Algumas emissoras transmitem programas ao vivo nas redes sociais, como Facebook e YouTube, utilizando imagens dos estúdios e fazendo publicidade visual, o que amplia as possibilidades comerciais.

É um conteúdo tão versátil que já está migrando para o audiovisual. Por exemplo, os sites das rádios, além de fornecerem streaming ao vivo e podcasts, oferecem matérias escritas e, também, no formato de vídeo.

Como o ouvinte de hoje é também um internauta, ele apresenta características imersivas adquiridas no novo meio. Isto é, ele participa, opina, sugere e critica muito mais do que em outras épocas, sendo que o uso de redes sociais se configura como o principal meio de expressar e compartilhar ideias.

Acessibilidade do rádio

O rádio é a mídia mais rápida, eficaz, acessível e que exige menos fidelização física do usuário, que pode se manter informado sem interromper suas atividades cotidianas, pois exige o comprometimento de apenas um sentido humano: a audição.

Além disso, estamos falando de uma das mídias mais democráticas, pois ela se comunica com quem não sabe ler e/ou não pode enxergar. Além disso, abrange todas as classes sociais — o que se deve ao baixo custo do aparelho e à facilidade para sintonizar transmissões de alta frequência.

O alcance do rádio com sinal de alta qualidade é, também, um ponto que a tecnologia não conseguiu superar. Há muitas regiões no planeta cujo sinal de internet ainda é precário ou nem mesmo existe, diferentemente das ondas do rádio.

Recursos técnicos

O uso de dispositivos móveis agiliza o trabalho do repórter durante a apuração e a transmissão de informações, por exemplo. Além disso, internamente, as rádios ganharam em qualidade com a digitalização.

Hoje em dia, os materiais são editados com produtos de softwares sofisticados e especificamente desenvolvidos. Unindo as possibilidades tecnológicas com as demandas do setor, as soluções permitem a entrega de serviços muito mais qualificados — eliminando ruídos e inserindo efeitos mais bem elaborados.

Os desafios do rádio perante os avanços tecnológicos

O rádio é um tipo de mídia que facilmente se adapta a novas tecnologias. Quer bons exemplos disso? Praticamente, todas as estações têm as suas versões online, ou seja, sintonizadas via internet. Como vimos, muitas delas ainda aproveitam para disponibilizar a transmissão em plataformas de vídeo (como o YouTube).

Contudo, a mesma transformação digital que proporciona oportunidades como essa é a que traz inovações capazes de ocupar espaço na vida dos usuários. Os maiores desafios acontecem porque as novas tendências costumam influenciar o comportamento do consumidor, portanto, é importante que a radiodifusão procure manter o rádio alinhado às mudanças.

Para isso, no entanto, as emissoras devem dispor de equipamentos de ponta, infraestrutura e profissionais capacitados, pois esses são itens essenciais para que a estratégia funcione. Afinal, os equipamentos mais modernos oferecem diversos recursos compatíveis com o mundo digital.

Embora os desafios não possam ser ignorados, concluímos, ao analisar o contexto histórico e algumas características, que o rádio é um mecanismo bastante funcional e versátil, que se mostrou capaz de superar muitos obstáculos e conseguiu se integrar com os avanços tecnológicos.

Texto e imagem reproduzidos do site: teletronix.com.br

sexta-feira, 19 de março de 2021

Radialista José Álvaro Macêdo


 


Elza Carmo e Álvaro Macêdo (1966)

Álvaro Macêdo e Wilson Tobias (1963)

Texto e imagens do acervo de Álvaro Macêdo

terça-feira, 9 de março de 2021

Trucão com o Pé na Estrada deixa Transamérica

Legenda foto: Pedro Trucão, apresentador do Pé na Estrada

Publicado originalmente no site TUDO RÁDIO, em 19 de Janeiro de 2021

Exclusivo: Programa Trucão com o Pé na Estrada deixa Transamérica e segue para a Massa FM a partir de março

São Paulo – Atração que está na grade da Transamérica desde agosto de 2019 e deixou de ser comercializado pela RadioData

Atualizado às 14h20 - O programa Trucão com o Pé na Estrada está deixando a programação da Transamérica FM 100.1 de São Paulo. A informação foi confirmada com exclusividade ao tudoradio.com pela RadioData, que também informou que o programa deixou o casting e não será mais comercializado pela empresa. E segundo o que foi apurado pelo portal através de fontes ouvidas pela redação, o programa deve estrear em março na programação da Massa FM 92.9 de São Paulo, rede que até o momento não confirmou a chegada de Trucão à rádio.

A informação da saída do programa Trucão com o Pé na Estrada já foi encaminhada para as afiliadas da Rede Transamérica pela RadioData. O programa deverá permanecer no ar pela emissora até o dia 28 de fevereiro.

O programa fez parte das primeiras mudanças que ocorreram na grade da Transamérica em 2019. A atração é apresentada por Pedro Trucão e Paula Toco e foi a primeira novidade. A programação está na madrugada da rede desde agosto de 2019.

Trucão com o Pé na Estrada na Massa FM

Com a saída do programa Trucão com o Pé na Estrada da Transamérica, é indicada a ida da atração para a Massa FM. De acordo com as informações que a redação do tudoradio.com averiguou, o programa deve ocupar a faixa das 4h às 6h de segunda à sexta-feira, no mesmo formato que vai ao ar atualmente na Transamérica e será transmitido por toda a rede.

O programa contará com interatividade com a audiência por parte dos comunicadores Pedro Trucão e Paula Toco, informação, prestação de serviço sobre segurança, situação das estradas, prevenção da saúde, tempo e temperatura, intercalados com músicas da grade da Massa FM.

Texto e imagem reproduzidos do site: tudoradio.com

sábado, 6 de março de 2021

A generosidade do destino e o direito de chorar, por Milton Jung

Crédito foto: Priscila Gubiotti

Publicado originalmente no site MILTON JUNG, em 2 de março de 2021

A generosidade do destino e o direito de chorar

Por Milton Jung

Foi um dia intenso. De trabalho e de emoção. Tão intenso que só me despedirei da segunda-feira que se iniciou ontem, às 4h30 da manhã, assim que der o ponto final neste texto. E a entenderei encerrada neste adiantado da hora porque para concluí-la de forma justa era preciso antes agradecer a todas as pessoas que carinhosamente me escreveram ou gravaram depoimentos para marcar meus dez anos de Jornal da CBN.

Comecei na CBN em dezembro de 1998 e assumi o comando do principal jornal da emissora em 28 de fevereiro de 2011, em lugar de Heródoto Barbeiro. Uma baita responsabilidade. Não fosse apenas um dos fundadores da rádio, ainda era jornalista referência para meu trabalho e conduta.

Leia (no post abaixo) o texto que escrevi na minha estreia como âncora do Jornal da CBN.

Foi um dos meus filhos quem lembrou, em reportagem que foi ao ar nessa segunda-feira, o dia em que Mariza Tavares, diretora de jornalismo, me convidou por telefone para o cargo. Na cadeira do escritório coletivo que temos em casa, com o encosto jogado para trás e olhando para o alto, ao desligar contei a novidade. Ele, ainda bem jovem e diante da minha cara de espanto, perguntou: “e isso é bom, não é?”. Meu “sim” não passou confiança, segundo ele. Teria sido a primeira vez que me viu inseguro diante de uma decisão. Mal sabe ele.

Pouco tenho a reclamar das oportunidades que surgiram em minha carreira desde que a iniciei, em agosto de 1984, na rádio Guaíba de Porto Alegre. O destino me foi generoso. O primeiro passo teve influência do pai. Foi ele quem pediu para que me aceitassem em uma vaga não-remunerada de estagiário. Dali pra frente, foi por minha conta e risco. No Correio do Povo, no jornalismo do SBT, na rápida passagem na rádio Gaúcha e na vinda para São Paulo, quando fui contratado pela TV Globo. Por aqui, trabalhei na TV Cultura, na Rede TV, no portal Terra e na CBN.

Meu colega Marcelo Lins, na “Conversa de Primeira” de terça-feira, comentou que todo o profissional que tenha tido a oportunidade de estar por dez anos à frente de um mesmo produto jornalístico é merecedor de respeito. Confesso que nunca havia pensado nessa longevidade, talvez porque assisti ao meu pai permanecer por ao menos 50 anos apresentando o mesmo noticiário de rádio. O que significa uma década nesta linha do tempo, não é mesmo?!?

Fiquei feliz. Sensibilizado. Chorei. Talvez porque o tempo que vivemos nos deixe mais frágil —- a mim com certeza. Estou muito mais vulnerável. Não daquele jeito que me senti quando fui convidado para encarar o desafio do Jornal da CBN. Aquela vulnerabilidade —- do “será que serei capaz?” ou “se não der certo?”— é diferente desta que estamos experimentando. Aquela vem acompanhada pela satisfação profissional; a de agora, pela tristeza profunda das vidas perdidas na pandemia.

Verdade, também, que meu choro veio por motivos diferentes.

Nesses dez anos de Jornal da CBN, engoli seco para contar a história da tríplice tragédia no Japão, ocorrida dez dias depois de assumir o programa; solucei e sofri diante do microfone enquanto levávamos ao ar notícias do acidente de avião da Chapecoense; gaguejei durante os relatos do incêndio no Ninho do Urubu, no Rio; e tive de interromper minha fala quando anunciei a morte de José Paulo de Andrade.

Ao completar dez anos, chorei ao ouvir a voz de minha mulher e meus filhos, ao reconhecer a fala de colegas que respeito e admiro muito, de amigos que fiz nessa caminha. e ao ler mensagens de ouvintes generosos. Chorei por entender que a insegurança do início foi recompensada; me impediu que a arrogância se sobrepusesse; me fez querer aprender e corrigir; errar e pedir desculpas —- à audiência e aos companheiros de redação.

Chorei porque se aprendi alguma coisas nestes dez anos foi que não devemos ter vergonha de nossos sentimentos e desejos.

 A todos que me ensinaram essa lição, e me ajudaram a percorrer esse caminho, obrigado!

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Publicado originalmente no site MILTON JUNG, em 27 de fevereiro de 2011

De ouvinte a âncora do Jornal da CBN

Por Milton Jung

Ao chegar em São Paulo, em 1991, repórter da TV Globo, pedi ajuda aos colegas na busca de informações sobre a cidade. Precisava de uma fonte confiável e me sugeriram a rádio que só tocava notícia. A CBN acabara de ser inaugurada, emissora que inovava a programação com a grade toda voltada ao jornalismo.

Foi assim, por recomendação, que descobri a rádio na qual fui trabalhar sete anos depois a convite do jornalista Heródoto Barbeiro, então meu colega na TV Cultura. Era o retorno para o veículo que havia me lançado na carreira jornalística, em 1984, quando atuei na Guaíba de Porto Alegre.

Cheguei na CBN apenas para cobrir férias e em alguns meses fui definitivamente contratado. No início apresentei o programa do meio-dia, em seguida o das cinco da tarde, para após alguns anos me estabelecer no CBN SP, onde aprendi muito sobre a cidade. Foi debatendo os temas de São Paulo, elencando seus problemas e suas soluções e transformando aquele espaço em um fórum de discussão que forjei minha cidadania paulistana.

Lá se foram pouco mais de 12 anos desde que falei pela primeira vez na CBN e, nesta segunda-feira, recebo uma oportunidade única. Mariza Tavares, diretora de jornalismo, me confiou o comando do Jornal da CBN em substituição ao colega que me abriu a porta da emissora. Heródoto levará seu talento e experiência para a TV RecordNews.

Duplo desafio: assumir o posto que foi, desde a fundação da rádio, de um dos profissionais que mais admiro e ancorar o principal jornal da CBN. Para amenizar o peso destas tarefas, conto com o apoio de uma das mais competentes equipes de jornalismo do País.

Em 20 anos, passei de ouvinte a âncora do Jornal da CBN. Era muito mais do que eu poderia querer. Agradeço a todos que sempre me ajudaram a fazer das coisas que mais gosto na vida: jornalismo.

N.B: O CBN SP estará nas boas mãos da Fabíola Cidral. Todo sucesso a você, querida amiga.

Textos e imagem reproduzidos do site: miltonjung.com.br

quinta-feira, 4 de março de 2021

Sergipe já pode ouvir a Rádio Imprensa/FM pela internet


Legenda de imagem: Mudanças em Ministério atrasou a aprovação do processo da Rádio Imprensa 

Publicado originalmente no site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 4 de março de 2021

Sergipe já pode ouvir a Rádio Imprensa/FM pela internet

Já está no ar a Rádio Imprensa/FM. Por enquanto apenas na internet, mas brevemente a emissora propagará sua programação por Sergipe e pelo Brasil. Pertencente à Associação Comunitária Imprensa FM, a nova rádio sergipana vai funcionar na sede do Sindicato dos Radialistas de Sergipe (STERTS). “Só não recebemos ainda a autorização para funcionar porque o governo federal alterou a estrutura do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, criando o Ministério das Comunicações. Esse fato atrasou todo o processo”, revela Fernando Cabral, tesoureiro do STERTS.

Por conta dessa alteração ministerial, o processo da rádio, que já estava aprovado e em poder da Casa Civil para ser encaminhado ao Congresso, retornou para o novo Ministério das Comunicações e só recentemente foi reencaminhado de volta à Casa Civil. “Estamos torcendo agora para que a documentação seja enviada, o quanto antes, ao Congresso para a aprovação final”, explica Fernando Cabral. Segundo ele, enquanto isso não acontece, os sergipanos já podem ouvir boas músicas na Rádio Imprensa/FM acessando o link https://imprensafm.net/. O sindicalista revela que se não fosse essas mudanças ministeriais a rádio teria entrado no ar no ano passado.

Apoio de entidades de classes

Na disputa do canal radiofônico, os oito entes jurídicos integrantes do Conselho Comunitário conseguiram o apoio de 96 entidades de classe, todas localizadas num raio de quatro quilômetros a partir do endereço da futura emissora. Segundo Fernando Cabral, concluída com a concessão do prefixo, é aguardar que a Casa Civil mande o processo ao Congresso para que o Conselho possa preparar a instalação da rádio e coloca-la a serviço da comunidade. “Claro que a programação estará voltada para a conquista de audiência, principalmente das classes B e C, mas não abriremos mão de valorizar a boa informação, o esporte e a cultura sergipana”, informa o dirigente sindical.

A Portaria do Ministério das Comunicações autoriza a instalação da emissora para funcionar pelo prazo de 10 anos, utilizando o canal 290. Além do Sindicato dos Radialistas, o Conselho Comunitário é composto pelo Centro Social e Cultural São João de Deus, Federação dos Aposentados e Pensionistas do Estado de Sergipe, Sindicato dos Bancários de Sergipe, Sindicato dos Trabalhadores no Transporte de Aracaju, Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado de Sergipe, Quadrilha Junina Século XX e Associação dos Aposentados do Estado de Sergipe.

Por Destaquenotícias (Foto: EBC)

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

segunda-feira, 1 de março de 2021

Câncer mata o radialista e jornalista Zenóbio Melo

Legenda de foto > Câncer mata o radialista e jornalista Zenóbio Melo

Publicado originalmente no site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 1 de março de 2021

Zenóbio estava trabalhando na Rádio Difusora de Terezina

O radialista e jornalista Zenóbio Melo morreu, nesta segunda-feira (1º), no hospital de Teresina (PI) onde estava internado tratando de um câncer no fígado. Segundo J. Filho, diretor do Sindicato dos Radialistas daquele estado, o corpo será sepultado no Cemitério Max Simeão, na capital piauiense. Zenóbio morou em Aracaju até o ano passado, quando retornou ao seu estado natal. Em recente contato com o portal Destaque notícias, ele escreveu que estava “com muita saudade de Aracaju e dos velhos amigos. Não sei até quando seguro essa parada”.

Segundo Liduina Melo, irmã de Zenóbio, ele só soube do câncer há cerca de um mês. O quadro foi se agravando até que o levou a óbito na manhã desta segunda-feira. O tesoureiro do Sindicato dos Radialistas de Sergipe, Fernando Cabral, se disse surpreso com a notícia, acrescentando que está colhendo mais informações sobre a morte do comunicador. Segundo a irmã, Zenóbio era divorciado e tinha dois filhos, que residem em Aracaju.

Natural de Valença (PI), Zenóbio morou muitos anos em Sergipe, tendo trabalhado na maioria das emissoras de rádio da capital e do interior, além de televisões e em quase todos os jornais. Também foi diretor de Comunicação da Assembleia Legislativa. No ano passado, decidiu retornar à Terezina para trabalhar na Rádio Difusora/AM, a mais antiga da capital do Piauí. Mesmo fazendo sucesso com seu programa Canal Livre, Zenóbio não esquecia Aracaju e dizia sempre que, na primeira oportunidade, retornaria para Sergipe.

O Sindicato dos Radialistas de Sergipe divulgou nota lamentando a morte de Zenóbio Melo:

                                                               “NOTA DE PESAR

É com imenso pesar que o Sindicato dos Radialistas do Estado de Sergipe (Sterts) comunica o falecimento do radialista Zenóbio Melo, vítima de câncer, em Teresina, capital do Piauí, onde residia. Segundo a família não haverá despedidas, do velatório o corpo seguirá para o sepultamento, que ocorrerá na tarde desta segunda, no cemitério Max Simeão, na capital piauiense.

Zenóbio atuou por muitos anos na imprensa Sergipana, constituindo família em Aracaju a partir da década de 80.

A diretoria do STERTS”.

Por Destaquenotícias

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

'Com Tudo', com Valéria e Pradex! na Transamérica AJU

O programa que faltava no seu rádio chegou! A partir de 01 de março, você acompanha o 'Com Tudo', apresentado por Valéria e Pradex! 🗓️ De segunda a sexta, a partir das 16h.

📻 Sintonize na 90.5 FM! A sua rádio, onde você estiver.

Texto e banner reproduzidos da fanpage Facebook/Rádio Transamérica Aju

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Dia Mundial do Rádio é celebrado neste sábado (13/02/2021)

Legenda e crédito foto: O potencial comunicativo do rádio já foi comprovado em vários momentos ao longo da história (Credito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil).

Publicado originalmente no site do JORNAL DO BRASIL, em 12 de fevereiro de 2021

Dia Mundial do Rádio é celebrado neste sábado

Presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Flávio Lara Resende lembra que muito se falou sobre a morte do rádio, com a chegada da TV. "Foi quando o rádio perdeu espaço. Mas não perdeu importância", diz

Por Pedro Peduzzi e Lílian Beraldo

Em todo país, circulam ondas eletromagnéticas que transmitem informações importantes para a garantia de direitos e para a democracia. Tais ondas podem ser decodificadas por pequenas caixas que podem funcionar apenas com pilhas. De tão relevantes, essas caixas têm, a elas, um dia que foi mundialmente reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco): o Dia Mundial do Rádio, comemorado neste sábado (13).

O potencial comunicativo do rádio já foi comprovado em vários momentos ao longo da história. Em um deles, ocorrido em outubro de 1938, milhares de norte-americanos entraram em pânico ao ouvirem, na rádio CBS, o ator Orson Welles alertando sobre uma suposta invasão de marcianos.

Tratava-se apenas de um programa de teleteatro, uma versão radiofônica do livro A Guerra dos Mundos, de H.G Wells. Ao se dar conta do alvoroço entre a população, a emissora teve de interromper o programa para esclarecer o fato aos ouvintes que não haviam assistido a parte inicial da transmissão.

O mais democrático

“O rádio é, sem dúvida, o mais democrático de todos os meios de comunicação. Para desfrutar dele, não há necessidade de pagar internet, nem de ter energia elétrica. Basta ter pilha ou uma bateria”, argumenta o jornalista Valter Lima, âncora, desde 1986, de um dos programas radiofônicos mais longevos do Brasil: o Revista Brasil, da Rádio Nacional.

O aspecto democrático que compõe a essência do rádio é também corroborado pela Unesco que instituiu a data de hoje, 13 de fevereiro, como o Dia Mundial do Rádio.

“A estratégia da Unesco é a de fortalecer o rádio, que é o veículo mais essencial, principalmente nos muitos países onde, seja por conflitos, catástrofes ou por falta de estrutura, não há internet nem energia elétrica acessível para a população. Nesses casos é o rádio que consegue localizar e salvar vidas, justamente por conta da possibilidade de depender apenas de pilha para ser usado”, disse o coordenador de comunicação e informação da Unesco no Brasil, Adauto Cândido Soares.

Violência contra radialistas

Adauto Soares acrescenta que o interesse da Unesco em trabalhar neste campo da comunicação está relacionado à visão de que o acesso à informação é parte integrante do direito à comunicação. “Até porque, sabemos, quando um país tem sua democracia atacada, é o direito à comunicação o primeiro a ser silenciado.”

Segundo o coordenador da Unesco, que desenvolve também um trabalho de denúncia de violações de direitos humanos contra jornalistas, os radialistas são as maiores vítimas desse e de outros tipos de violação.

“De um total de 56 jornalistas assassinados em todo o mundo em 2019, 34% atuavam no rádio; 25% em TV; 21% em mídia online; 13% em mídia impressa e 7% em plataformas mistas. Desse total, três mortes ocorreram no Brasil”, disse, citando números do levantamento Protect Journalists, Protect the Truth, publicado pela Unesco em 2020.

Novas tecnologias

A criatividade é uma das características que sempre acompanharam o rádio. Com a chegada de novas tecnologias, em especial, as ligadas à tecnologia da informação, o rádio manteve seu aspecto inovador e continua a se reinventar.

Presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Flávio Lara Resende lembra que muito se falou sobre a morte do rádio, com a chegada da TV. “Foi quando o rádio perdeu espaço. Mas não perdeu importância”, diz.

“Se perdeu alguma importância após a chegada da TV, depois voltou a ganhar [importância] quando apareceram novas plataformas, e ele se reinventou, apresentando programações segmentadas, canais específicos de jornalismo herdados, influenciados e influenciadores da TV”, disse o presidente da Abert.

“Hoje, com a internet, ouve-se a notícia radiofônica e vê-se os jornalistas que fazem a notícia. O rádio continua a ter grande importância e está aumentando cada vez mais, reinventando-se diariamente”, acrescentou.

Diante da necessidade de se reinventar constantemente, a Rádio Nacional lançou recentemente (no dia 10 de fevereiro, em meio às celebrações pelo Dia Mundial do Rádio) seu perfil na plataforma Spotify no qual o público pode ouvir – onde e quando quiser – “o melhor da música brasileira”. Para acessar o serviço, basta acessar as playlists “É Nacional no Spotify”.

Estatísticas

De acordo com o Ministério das Comunicações há, no Brasil, cerca de 5,1 mil rádios comerciais (3.499 na banda FM; e 1325 nas bandas AM, entre ondas médias, curtas e tropicais). Há, ainda, cerca de 700 rádios educativas; 458 rádios públicas; e 4.634 rádios comunitárias.

Na pesquisa Inside Radio, na qual são apresentados aspectos relativos a comportamento e hábitos de ouvintes de rádio, a Kantar Ibope Media constatou que o rádio é ouvido por 78% da população nas 13 regiões metropolitanas pesquisadas. Além disso, três a cada cinco ouvintes escutam rádio todos os dias. E, em média, cada ouvinte passa cerca de 4h41m por dia ouvindo rádio.

O levantamento avalia também questões relativas à adaptação do rádio à web, bem como novas formas de consumo de áudio, como podcasts e conteúdo on demand.

De acordo com a pesquisa, 81% dos ouvintes escutam rádio por meio de rádio comum; 23% pelo celular; 3% pelo computador; e 4% por meio de outros equipamentos, como tablets.

O crescimento que vem sendo observado na audiência via web demonstra, segundo a Kantar, “a grande capacidade de adaptação do rádio”. Segundo a pesquisa, 9% da população que vive nas 13 regiões metropolitanas pesquisadas ouviram rádio web nos últimos dias. O percentual é 38% maior do que o registrado no mesmo período de 2019.

Em um ano (entre 2019 e 2020), o tempo médio diário dedicado ao rádio via web aumentou em 15 minutos, passando de 2h40 para 2h55, diz a pesquisa. Além disso, 16% dos ouvintes pesquisados escutam rádio enquanto acessam a internet.

Os podcasts também têm ganhado popularidade. Entre os ouvintes de rádio que acessaram a internet durante a pandemia, 24% ouviram podcasts; 10% aumentaram o uso de podcasts; e 7% ouviram um podcast pela primeira vez.

As chamadas lives também registraram aumento de audiência durante a pandemia, com 75% dos entrevistados dizendo ter começado a assistir lives de shows a partir do início das medidas de isolamento social impostas pela pandemia de covid-19. Ainda segundo o levantamento da Kantar, 75% dos ouvintes de rádio disseram ouvir rádio "com a mesma intensidade, ou até mais", após as medidas e 17% disseram ouvir "muito mais" rádio após o isolamento.

Preocupação

A associação do rádio com novas tecnologias, no entanto, deve ser vista com cautela, para não acabar inviabilizando o formato tradicional desse tão importante veículo. “Emissoras de rádio hoje são em rede, mas a do interior, com outra realidade, não tem essa capacidade de recurso para investimento, como as grandes redes estão fazendo, em especial, quando transformam rádio em uma nova espécie de televisão”, alerta o jornalista Valter Lima.

Segundo ele, ao condicionar o rádio à necessidade de contratação de serviços como o de internet, perde-se exatamente o aspecto democrático que esse veículo sempre teve. “Uma coisa que achatou o desenvolvimento do rádio, infelizmente, foi o fato de ele estar nas mãos de grupos poderosos que possuem também emissoras de televisão [e, em alguns casos, vendem também serviços de internet]. Isso causa um grande desequilíbrio porque, enquanto as TVs estão com equipamentos cada vez mais modernos, há, no interior do Brasil, muitas rádios ainda operando com equipamentos que já até deixaram de ser fabricados”, acrescenta.

Rádios comunitárias

O radialista destaca também o importante papel que as emissoras de rádio comunitárias têm para as regiões “ainda que pequenas” às quais prestam o serviço. Segundo ele, pela proximidade que têm com suas comunidades, essas rádios estão muito mais “antenadas”, com as necessidades locais, do que os grandes grupos de radiodifusão.

Entre os muitos desafios das rádios comunitárias, Valter Lima destaca a necessidade de elas saírem das amarras burocráticas impostas pela legislação.

“É por causa disso que essas rádios, com serviços tão importantes para suas comunidades, não conseguem ir além daquele pedaço tão pequeno. Há também as dificuldades para conseguirem lucros mínimos, de forma a poderem investir e evoluir”, disse o jornalista.

Programas inteligentes

Valter Lima lembra que toda emissora de rádio precisa de ouvintes, e que, para alcançá-los, sempre teve de recorrer a programas inteligentes, criativos e, sobretudo, participativos.

“O conceito de rádio não é o de ser apenas uma caixinha para ser ouvida quando ligada. Rádio precisa ter participação. Precisa ser um espaço para o público dar a sua opinião aos chamados ‘formadores de opinião’. A TV até dá algum espaço para isso, mas nada se compara ao rádio.”

Lara Resende, da Abert, também vê, na interatividade do rádio, um de seus grandes méritos. “A fidelização do ouvinte de rádio é muito interessante porque ele passa a achar que faz parte do programa. Hoje, inúmeras plataformas permitem comentários. Com isso, o rádio ficou ainda mais participativo”, disse.

Tempo real

Um outro aspecto acompanhou o rádio ao longo de sua história: a rapidez com que a notícia é dada, quase que simultaneamente ao fato noticiado. Anos depois, com a ajuda de equipamentos tecnológicos como celulares e internet móvel, outros veículos ganharam velocidade e deram a esse novo tipo de jornalismo veloz o nome de tempo real.

“O rádio sempre foi e continua sendo o primeiro a dar a notícia. O furo é sempre do rádio. Essa é a nossa rotina. Enquanto o outro veículo está digitando texto ou preparando a transmissão nós já estamos no ar usando apenas um aparelho telefônico”, explica Valter Lima.

“Antes do advento do celular, a notícia era dada por meio dos famosos orelhões. Os repórteres andavam com umas 20 fichas no bolso e um cadeado. Sim, um cadeado para travar o telefone, de forma a inviabilizar seu uso pelo concorrente”, lembra o radialista. (com Agência Brasil)

Texto e imagem reproduzidos do site: jb.com.br

Morre em Aracaju o radialista Paulo Willames

Publicado originalmente no site DESTAQUE NOTíCIAS, em 14 de fevereiro de 2021

Morre em Aracaju o radialista Paulo Willames

O corpo de Paulo Willames está sendo velado no Osaf da rua Itaporanga

A radiofonia sergipana está de luto com a morte do radialista Paulo Willames, 79 anos. Veterano do rádio, o comunicador morreu neste domingo (14), em decorrência de uma cirurgia no cérebro, que ele se submeteu há nesses atrás. O corpo está sendo velado na sala 7 do Velatório Osaf, à rua Itaporanga, em Aracaju. Às 7 horas desta segunda-feira (15), será transladado para Alagoinhas, onde vai ser cremado.

Paulo Willames trabalhou nas rádios Aperipê e Cultura, tendo participado da fundação da Rádio Atalaia/AM. O radialista Antônio Barbosa recorda das jornadas esportivas com Paulo: “Na Atalaia, dividimos as transmissões esportivas durante vários anos. Ele narrava pausadamente e, na hora do gol, falava: ‘Tem peixe na rede do goleiro’. Muitas recordações. Era um bom companheiro”, afirma. Descanse em paz!

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Autorizada migração rádio Cultura de Sergipe (de AM para FM)


Foto reproduzida do site: arquidiocesedearacaju.org e postada pelo blog para ilustrar nota

Texto publicado originalmente no site da FOLHA DE SERGIPE, em 9 de fevereiro de 2021

Duas emissoras de rádio autorizadas a migrar de AM para FM em Sergipe

Redação Folha de Sergipe

O governo federal publicou no Diário Oficial da União lista de emissoras de rádio autorizadas a migrar de AM para FM em todo o Brasil.

De Sergipe, está autorizada a migração da rádio Cultura, de Aracaju (foto).

Também está autorizada a efetuar a migração a rádio Imperatriz dos Campos, de Tobias Barreto.

Texto reproduzido do site: folhadesergipe.com

domingo, 31 de janeiro de 2021

Programa "Arquivo Musical", da Rádio Bandeirantes de S. Paulo

Publicado originalmente no blog RADIOAMANTES, em 3 de janeiro de 2021

Tradição na Rádio Bandeirantes, Arquivo Musical sai do ar

Por Rodney Brocanelli

Muita gente foi pega de surpresa na manhã deste domingo com a não veiculação do Arquivo Musical, da Rádio Bandeirantes. Apresentado atualmente por Ronald Gimenez, o programa apresenta uma seleção de músicas nacionais e internacionais que marcaram época.  Na última sexta, Gimenez fez uma postagem em um perfil não oficial dedicado à atração com cerca de 15 mil membros no Facebook informando que o programa não iria ao ar neste domingo e que ele estaria passando por uma transição. “Esperamos que logo o Arquivo esteja de volta” (veja aqui). Como nem todos os ouvintes tradicionais tiveram acesso ao comunicado, as reações de surpresa não param de acontecer.

O que o Radioamantes sabe é que o Arquivo Musical está fora do ar devido a uma determinação da Rádio Bandeirantes de não mais veicular programas musicais para evitar problemas com o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), responsável por recolher e pagar direitos autorais aos autores de músicas. Várias emissoras já diminuíram a veiculação de músicas ou tiveram de se utilizar de outros artifícios em suas respectivas programações por causa disso. Uma das saídas é rodar trechos que não passam dos 15 segundos. Até onde se sabe, essa decisão não afeta a outras emissoras do grupo, eminentemente musicais.

O Arquivo Musical é um dos programas mais antigos da Rádio Bandeirantes. Estreou em 17 de março de 1963 e foi criado por Clodoaldo José Machado. Seu primeiro apresentador foi Odayr Baptista. Desde então, manteve-se fixo na grade aos domingos pela manhã, mesmo com todas as alterações pelas quais passou a emissora ao longo dos anos.

A lista de apresentadores que se seguiram depois de Odayr Baptista é ilustre. Além dele, estiveram no comando da atração os comunicadores Jorge Helal, Antônio Carvalho, Lourival Pacheco e Muibo César Cury. Ronald Gimenez é apresentador do Arquivo Musical desde 2010. Vale destacar que o programa só teve dois programadores musicais.

ATUALIZAÇÃO (04/01/2021 – 19h00) – Veja abaixo nota encaminhada pela assessoria de imprensa do Grupo Bandeirantes, a pedido do blog Radioamantes:

A Rádio Bandeirantes, cuja a tradição é marcada pelo seu conteúdo jornalístico, e que passou por importantes reestruturações da sua grade recentemente, está reavaliando a continuidade ou não da veiculação do programa “Arquivo Musical”

Texto e imagem reproduzidos do blog: radioamantes.wordpress.com

Larissa Calderari da CNN Rádio






CNN Rádio: Roberto Nonato e Larissa Calderari 
apresentam o CNN Manhã
Fotos reproduzidas do site: cnnbrasil.com.br

sábado, 30 de janeiro de 2021

Fan FM completa quatro anos...



Publicado originalmente no site FAN F1, em 29 de janeiro de 2021

Fan FM completa quatro anos de muita informação e entretenimento

Por Gabriel Jesus

Sempre presente no dia a dia dos sergipanos, a rádio Fan Fm de Aracaju, que opera na frequência 99.7, completou quatro anos de existência levando muita informação e entretenimento de qualidade.

Desde a primeira transmissão em 2017, no antigo prédio que fica localizado no bairro Cidade Nova, a Fan Fm começou a construir sua fidelidade com os ouvintes, dando sempre espaços para as prestações de serviços, atendendo aos pedidos musicais, oferecendo as melhores promoções e transmitindo os principais eventos do estado.

“Esses quatro anos têm sido de muito aprendizado. Em 28 de janeiro de 2017, lançamos um tipo de programação e, de lá pra cá, já ocorreram várias transformações. Todas elas, com base nos resultados das duas últimas pesquisas do Ibope. A Fan FM já apareceu como líder em alguns segmentos e dentro de alguns perfis de público, isso representa um sinal de que o horizonte é muito promissor e tem uma lacuna muito grande a ser preenchida”, afirma o diretor da Fan FM, Sandro de Miro.

Com mais de quatros anos no ar, com mudanças e atualizações inovadoras, a emissora continua conquistando mais admiradores. “O perfil do ouvinte de rádio tem se transformado, tem ficado mais exigente e é isso que nós estamos procurando entender para moldar uma programação que se encaixe nesse novo momento que o rádio está vivendo”, ressaltou Sandro.

O diretor também explica sobre os investimentos e as novidades que a Fan FM pretende colocar em prática ainda neste ano. “O maior desafio que vemos é não enxergar a sobrevivência do rádio sem que ele se reinvente, para isso, nós já começamos: fazendo a convergência do rádio para as mídias digitais. Em breve, nossos ouvintes, leitores e, porque não, os telespectadores, poderão acompanhar nosso conteúdo através de várias plataformas disponíveis na palma da nossa mão”, acrescenta.

Entretenimento

Logo após um ano do seu lançamento, a rádio Fan Fm promoveu um show na Praça dos Mercados e contou com a presença de mais de 30 mil pessoas, mantendo o contato direto com seus ouvintes. E não parou mais! Coberturas carnavalescas pela capital e interior, e dos festejos juninos, também fizeram parte do trabalho brilhante da emissora.

A Fan FM fez e faz história com os artistas locais e nacionais, concedendo espaço em sua programação musical diária, redes sociais ou, até mesmo, presencialmente nos modernos estúdios. Cantores como Amado Batista, Tony Sales, a dupla Chiko Queiroga e Antônio Rogério, Devinho Novaes e Unha Pintada já divulgaram seus talentos, ao vivo, na rádio que ‘é muito mais!’

Jornalismo

A marca registrada da Fan Fm é o seu único programa rádio jornalístico, Jornal da Fan, comandado pelo âncora Narcizo Machado. O programa, que é transmitido das 6h às 8h30, noticia os principais fatos de Sergipe, com a interação dos ouvintes, e realiza entrevistas exclusivas com as autoridades dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Sempre em busca de levar a melhor informação de maneira apurada e de qualidade.

Eventos importantes, como as eleições de 2018 e 2020, foram um marco na audiência do jornalismo da Fan Fm. Repórteres espalhados pelos principais pontos da capital e do interior levaram, em detalhes, os fatos do dia do voto e do momento mais intenso: a apuração.

Outro grande sucesso em audiência é o Portal Fan F1, que também faz parte da grade de jornalismo da emissora. Dirigido pelo jornalista Diego Rios, o portal vem a cada dia ganhando notoriedade, principalmente pela agilidade e qualidade na informação, reportagens exclusivas e colunistas com opiniões democráticas.

“Apesar da diretoria do grupo nunca ter tido experiência na radiodifusão, há entre nós uma dedicação gigantesca para ver implementado tudo isso que enxergamos ser importante para o rádio. Vem muitas novidades por aí!”, concluiu Sandro de Miro.

Texto e imagens reproduzidos do site: fanf1.com.br

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Morre, aos 84 anos, o radialista Fernando Souza

Foto: César Cabral - arquivo Radar Sergipe

Publicado originalmente no site RADAR SERGIPE, em 25 de janeiro de 2021

Morre, aos 84 anos, o radialista Fernando Souza

Faleceu na tarde desta segunda-feira, 25, o radialista Fernando Souza, aos 84 anos, vítima de diabetes, doença contra a qual vinha lutando há alguns anos. O velório está sendo realizado (a partir das 21h) na Colina da Saudade, em Aracaju, onde será sepultado amanhã, 26, às 11 horas.

Natural de Nossa Senhora das Dores, Fernando Souza trabalhou de 1958 a 1980 na Rádio Liberdade de Sergipe, quando a emissora funcionava na rua Itabaianinha. Como discotecário, locutor e diretor comercial conviveu com grandes nomes do rádio sergipano, tais como Silva Lima, Carlito Melo, Santos Santana, Cadmo Nascimento, Batalhinha, Valmir Mendonça, José Eugênio de Jesus, Humberto Mendonça, Alberto Lacerda e tantos outros.

Foi divulgador das gravadoras Cantagalo, Copacabana e CBS. Depois, passou a ser representante para Sergipe e Alagoas das gravadoras CBS, Copacabana, Philips e Poligran. Durante 15 anos foi o responsável pelas praças de Aracaju e Maceió.

Fernando Souza era casado com a juíza Dra. Maria Angélica França e Souza, deixa seis filhos e nove netos. Residia em Aracaju, na rua Manoel Donizetti Vieira, Conjunto Vivendas do Sul, no bairro Luzia...

Texto e imagem reproduzidos do site: radarsergipe.com.br

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Dia do Rádio: uma linha do tempo para contar a sua história


 Dia do Rádio: uma linha do tempo para contar a sua história

Publicado originalmente no site COLOMBO, em 13 de fevereiro de 2019

Seja na hora daquele trânsito infernal ou tomando o café da manhã, ou ainda no estádio de futebol, o rádio está sempre nos acompanhando. O nosso amigão de todo santo dia já viu diversas mudanças tecnológicas e sobreviveu a todas elas. Melhor do que isso, ele se adaptou às mídias que foram surgindo ao longo do tempo. E mesmo tendo passado por modificações, sua essência é a mesma: a proximidade que ele consegue ter com os ouvintes é única. E é por isso que continua vivo e no ar. Veja abaixo a linha do tempo da história do rádio.

clique na imagem para ampliar

Rádio portátil: esse tipo é aquele que não dá pra faltar em casa. Como o próprio nome já diz, ele é portátil, ou seja, pode ser levado para qualquer lugar. É compacto, leve e possui alça para carregar. Alguns modelos já contam também com entrada USB, para pen drive e função Bluetooh, para você conectar o smartphone. Além disso, oferecem um preço mais em conta. Para os nostálgicos, existe o “radinho de pilha”: uma versão ainda mais compacta com design clássico.

Aparelhos de som retrô: não são exatamente um rádio, mas possuem também a função de um. Além disso, são compostos por toca-discos e entradas USB para pen drive. Apesar de apresentarem um preço mais elevado, oferecem uma experiência sonora diferenciada. Unem passado e presente, ideal para quem gosta de ouvir suas músicas em um bom e velho vinil.

Caixa de som portátil: mesmo leve e compacta, não perde em qualidade sonora. Geralmente possui entradas USB e Bluetooth, para conectar suas playlists diretamente do smartphone. Perfeitas para garantir a festa com os amigos e até mesmo te acompanhar em viagens. Mas fique atento, pois nem todos modelos oferecem rádio...

Texto e imagens reproduzidos do site: colombo.com.br

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

'A Memória Afetiva do Rádio AM' é tema de exposição na UFRN






Publicado originalmente no site G1 RN, em 23 de outubro de 2018  

'A Memória Afetiva do Rádio AM' é tema de exposição na UFRN

Desenvolvido pelo Departamento de Comunicação Social, projeto expõe materiais e equipamentos que ajudam a manter viva a história do rádio AM no estado.

Por G1 RN

Estão em exposição materiais e equipamentos do acervo do Departamento de Comunicação Social da UFRN que serviram ao Laboratório de Rádio dos Cursos de Jornalismo e Radialismo Fotos: Silvio Henrique

O Departamento de Comunicação Social da UFRN deu início a uma exposição que conta a história do rádio no Rio Grande do Norte. “A Memória Afetiva do Rádio AM” foi aberta no início desta semana e vai até o dia 8 de novembro. O acesso é gratuito. Segundo o radialista Silvio Henrique, idealizador da exposição, o projeto faz parte das comemorações do Dia do Radialista, celebrado em 7 de novembro, e do dia do Rádio, comemorado em 25 de setembro.

A exposição ficará aberta à visitação nos corredores do Laboratório de Rádio do Departamento de Comunicação Social (Labcom), na área do Campus da UFRN, no horário das atividades acadêmicas, sempre das 14h às 21h, de segunda a sexta-feira.

“O rádio AM está passando por uma transformação. Com a migração para a Frequência Modulada, inevitavelmente, a tendência será o fim de uma história de quase 100 anos de operação no Brasil nas ondas da Amplitude Modulada. Algumas rádios do Rio Grande do Norte já migraram e desativaram as transmissões em AM. Assim, o objetivo do projeto é expor o acervo tecnológico do Departamento de Comunicação Social da UFRN para que todos possam conhecer o aparato que caracteriza o funcionamento do Rádio AM. É mais um estímulo para que os alunos se interessem em ampliar a memória do rádio AM e sua história no cenário potiguar”, destacou Silvio.

Exposição

Estão em exposição materiais e equipamentos do acervo do Departamento de Comunicação Social da UFRN que serviram ao Laboratório de Rádio dos Cursos de Jornalismo e Radialismo, entre eles:

Mesas de áudio

Microfones

Toca-discos

Cartucheiras

Áudio cassetes

Gravadores de fita magnética

Rádios de mesa à válvula e transistorizados

Válvulas de transmissores de rádio AM

Mini-Disc

Cassetes

Cartuchos

Vinis

Mesa de debates

O projeto desenvolverá ainda uma mesa de debates com profissionais do Rádio AM, no dia 7 de novembro, data em que se comemora oficialmente o novo dia do Radialista no Brasil e apresentará o resultado preliminar da pesquisa de migração das emissoras AM para FM no Rio Grande do Norte.

Objetivos gerais

Apresentar aos estudantes dos Cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Radialismo e de Audiovisual o acervo tecnológico que faz parte do Rádio AM em vias de transição para a nova tecnologia da Frequência Modulada, o rádio FM.

Promover uma discussão sobre a Memória Afetiva do Rádio com profissionais que fizeram e ainda fazem a história do Rádio AM potiguar.

Despertar nos estudantes da graduação o interesse em preservar a memória afetiva e a história do Rádio AM potiguar.

Mini atividades

Sessão CINE RÁDIO com projeção de documentários com a temática do rádio AM no Rio Grande do Norte e ÁUDIO MEMÓRIA com audição e entrevistas com personalidades da história do rádio potiguar.

Texto e imagens reproduzidos do site: g1.globo.com

sábado, 9 de janeiro de 2021

Influência das Redes Sociais de Informação no Rádio...

Imagem reproduzida do site superatualizado.com.br e postada pelo blog para ilustrar o presente artigo

Publicado originalmente no site [revistas.usp.br], em 11 de agosto de 2020

Extraprensa - Cultura e Comunicação na América-Latina

INFLUÊNCIA DAS REDES SOCIAIS DE INFORMAÇÃO NO RÁDIO E NA VEICULAÇÃO MUSICAL

Marcos Júlio Sergl Karen Helena Bueno Lanfranchi

RESUMO

Com o surgimento da internet houve um deslocamento no processo de veiculação musical, antes restrita ao universo radiofônico e televisivo. Propomos uma reflexão acerca dessa descentralização possibilitada pelas Redes Sociais de Informação (RSI). Objetivamos identificar o papel delas no lançamento de novos artistas e na veiculação e recepção musical. Trabalhamos com pesquisa bibliográfica a fim de responder à questão: qual a relação das RSI com a veiculação e recepção musical no cenário brasileiro atual? Chegamos à conclusão de que as RSI revolucionaram o mercado musical, desde o momento da concepção da canção, até o processo de retroalimentação do compositor, proporcionado pela reação dos usuários.

Main Text

Introdução

Uma das características mais marcantes do século XXI é a constante transformação tecnológica resultante da internet, a Rede Mundial de Computadores (RMC), criada no final da década de 1950 para fins militares e amplamente divulgada e utilizada a partir da década de 1990.

A sociedade atual, denominada sociedade digital, utiliza tecnologias de interconexão mundial de computadores (internet) para se comunicar em tempo real a qualquer distância geográfica. A internet foi agregada ao cotidiano das pessoas, definindo a chamada era digital (MARTINO, 2015).

Este novo tempo é marcado por inovações e criatividade em nível global, proporcionadas pela internet. Há um anseio dos povos em transmitir seus conhecimentos, experiências e seus modos de vida. Foram desenvolvidos aparelhos e elaborados protocolos de comunicação, resultando na denominada cultura digital, também conhecida como cibercultura (LÉVY, 2010).

A cibercultura abriga um conjunto de técnicas, práticas, atitudes, modos de pensar e valores desenvolvidos no ciberespaço, meio surgido na internet. Ele define a infraestrutura da comunicação digital, o universo de informações, a navegação dos internautas e a constante retroalimentação desse universo, em contínua expansão e modificação (LÉVY, 2010). Com a globalização, cada nova invenção é rapidamente difundida no ciberespaço, mundo virtual repleto de informação, arte, lazer e cultura.

No contexto do universo radiofônico, o surgimento da internet possibilitou “desde o transporte do modelo sistêmico do rádio para a web até experiências sonoras acompanhadas de legendas em verbal-escrito e de imagens visuais estáticas” e a convergência das diversas mídias por meio das Redes Sociais de Informação (RSI) - Facebook, Instagram, Twitter - e da internet móvel - smartphones, tablets, notebooks, não se limitando o rádio mais às frequências tradicionais, se alojando cada vez mais na internet (TABOADA, 2012, p. 5).

A internet é vista como suporte quando serve de veículo de divulgação para outras mídias, um novo tipo de distribuição dos produtos originais da imprensa, do rádio ou da televisão, processados em linguagem digital. Enquanto meio de comunicação e informação, ela é o resultado da convergência de várias tecnologias digitais, unindo ferramentas e características próprias, como a hipertextualidade, a comunicação multimídia e a comunicação de massa individualizada (DELARBRE, 2009).

A internet tem sido considerada a maior novidade para o rádio, pois, independentemente de qualquer autorização governamental, amplia a possibilidade de transmissão para as emissoras tradicionais e permite distribuição de áudio exclusivo, tornando-se um recurso fundamental para novos entrantes.

A RMC representa uma possibilidade real de mudança da lógica tradicional de dependência do Estado, notadamente para os grupos que não possuem concessões. Nesse caso, as rádios on-line e as rádios virtuais, ou radioweb, são a saída.

As tecnologias da informação (TIC) estabeleceram, multiplicaram e fortaleceram as possibilidades de participação proativa no processo democrático, educacional, social e cultural, uma vez que, por meio da internet, com essas ferramentas qualquer pessoa pode se transformar em provedor de conteúdo.

Ocorre nesse processo uma alinearidade temporal da escuta proporcionada pelo uso de aplicativos móveis, conforme afirmam Santaella e Lemos (2010, p. 62): “a conexão é tão contínua a ponto de se perder o interesse pelo que aconteceu dois minutos atrás.” O poder de divulgar ideias e conceitos está ao alcance de todos e compositores e intérpretes se valem dessa tecnologia para divulgar sua produção musical.

A internet

Hoje, a programação radiofônica não é disponibilizada mais somente pelas frequências tradicionais. A informação é processada a partir de diversas fontes que interagem. Não podemos deixar de considerar que a internet vem constantemente se popularizando no país, e o acesso, antes restrito às camadas mais ricas da sociedade, hoje integra os hábitos de grande parte da população, sendo utilizado em metrôs e trens suburbanos, nos restaurantes, nas ruas, cinemas e igrejas, havendo quase uma onipresença dele em todos os lugares públicos e privados.

Uma das características mais marcantes e peculiares da internet é a possibilidade de interatividade por ela proporcionada. O conceito de interatividade adapta-se de forma perfeita ao campo da informática. Os computadores tornaram-se cérebros eletrônicos digitais.

Esta interatividade possibilitada pelas novas tecnologias aponta a internet como a principal mídia interativa, pois mídias específicas da RMC, como as rádios e TV web, blogs (sites que permitem atualização constante por meio de acréscimo de conteúdo) e RSI, acabam por modificar o papel do rádio enquanto mediador e editor de conteúdo, pois ele e a televisão digital interativa encontram muitos desafios para sua implantação definitiva.

Convergência das mídias

O modelo de comunicação proposto por Harold Dwight Lasswell, sociólogo norte-americano, no qual um emissor emite uma mensagem a um receptor por meio de um canal e com um efeito, a partir do conceito de convergência, processo de integração das mídias a partir de um suporte, precisa ser renomeado, pois agora a comunicação percorre por diversos canais, com efeitos múltiplos, considerando a heterogeneidade da audiência em cada suporte.

Nelson Sirotsky (2006) situa a convergência como um processo iniciado há alguns anos, quando as mídias deixaram de ser alógicas e foram se digitalizando e sendo transformadas com a adição de novas aplicações a seus serviços.

Nesse percurso, o processo de evolução dos meios de comunicação e informação possibilitou um fenômeno de cruzamento com as mídias tradicionais, resultando em uma sobreposição e mistura delas em uma malha cada vez mais complexa de plataformas e meios. O exemplo mais palpável desse processo de convergência em um único suporte é o celular. Modelos 3G e 4G são capazes de agrupar mídia telefônica, televisiva, radiofônica, internet e ainda conteúdos multimídia do proprietário ou baixados da internet.

Os conceitos de convergência das mídias e convergência digital representam a fusão da tecnologia com a informática e as comunicações. Não podemos analisar convergência das mídias sem interligá-la à convergência digital, pois ambas caminham juntas.

Existem diversas definições para tratar de conceitos que se integram e fundem a atual realidade midiático-digital, dentre eles: 1. Multimídia - segundo Pierre Lévy (2010), é aquilo que emprega diversos suportes ou veículos de comunicação; 2. Ciberespaço - cunhado pelo mesmo autor, consiste no local virtual, o espaço de comunicação interconectado com computadores em todo o mundo. Notamos nessa última definição uma importância dada à internet e às suas possibilidades enquanto veículo de comunicação e informação. É exatamente nesse aspecto que seguiremos nossa análise de convergência.

Nair Prata (2009) afirma que ocorreu uma mudança significativa no campo das comunicações, pois a televisão, que se manteve durante cinquenta anos no ápice de audiência, atualmente perde sua hegemonia para a web e que os brasileiros ficam três vezes mais tempo acessando smartphones do que assistindo televisão, apesar dela ainda ser mais determinante nos modos de consumo de nosso país, aspecto que em breve também pode ser revertido.

O rádio no universo midiático

A afirmação de que o rádio seria ouvido por meio de outra mídia, além de um receptor fixo, poderia ser considerada loucura na década de 1950, mas essa leitura tem sido constantemente modificada devido aos avanços tecnológicos que o atingem. Atualmente, os ouvintes adaptam seu hábito de ouvir rádio às suas necessidades. Cumpre diferenciarmos aqui o rádio analógico do rádio digital. Renato Ávila (2008, p. 39) define:

Uma rádio web difere de uma rádio tradicional pelo fato de realizar suas transmissões via Internet, isso essencialmente significa que você poderá ter acesso à sua estação de rádio apontando seu navegador para o endereço em que se encontra a referida estação, ou através da utilização de programas específicos para esse fim, como o Real One Player, Winamp, Windows Media Player, entre outros.

Nair Prata (2012) complementa sobre a radioweb: “tem uma homepage na internet por meio da qual podem ser acessadas as outras páginas da emissora. Na homepage aparece o nome da emissora, geralmente um slogan que resume o tipo de programação e vários hiperlinks para os outros sites que abrigam as diversas atividades desenvolvidas pela rádio” (PRATA, 2012, p. 59).

Quando se fala em navegador, podemos usar o termo browser, que é o portal de entrada da internet para qualquer site, e para acessar uma radioweb não é diferente.

A partir da homepage, página inicial ou página de entrada de um site da internet, são acessados os diversos links por navegadores, como o Internet Explorer, Netscape, Communicator, Firefox etc.

O ouvinte de radioweb deve ter um computador com equipamentos, hardwares específicos. Para se obter um bom resultado, é necessário possuir os seguintes periféricos: caixas de som, placa de som, um processador acima de 200 MHz, memória 32 MB RAM, e um modem de 33.600 Kbps (PRATA, 2012).

A convergência digital resultou em novos suportes, que levaram alguns ouvintes a se interessar por outros formatos, muitas vezes distantes da própria linguagem radiofônica. Hoje o ouvinte pode, além de ouvir rádio, entrar no portal, interagir com os locutores, baixar podcast, arquivo de áudio digital, geralmente em formato MP3 ou AAC, com imagens estáticas e links, e escutar a programação de rádio em tempo real pela RMC.

O rádio, que hoje pode incluir imagens, textos e gráficos, e não só o tradicional áudio, perdeu sua definição de mídia sonora e está em jogo a própria noção do que ele é. O display, mostrador que apresenta informação, de modo visual ou táctil, adquirida, armazenada ou transmitida, de um receptor doméstico ou de um automóvel, pode exibir várias informações complementares, como títulos de canções, nomes de intérpretes musicais, cotação do dólar, localização geográfica, previsão do tempo e informações de trânsito.

Tornam-se viáveis mensagens personalizadas de áudio, os radio-mails, sistemas de envio de conteúdo sem a necessidade de fios, em alta velocidade, permanentemente atualizados, com serviços de valor adicionado, convergindo rádio, telefone celular e internet.

Segundo Marques (2010), Nélia Del Bianco corrobora com a ideia de que os profissionais do rádio devem estar atentos para a realidade de que para continuar a existir ele deve se adequar às tecnologias que surgem constantemente.

O que se observa é o crescimento dos modelos convergentes, multimídia e interativos. Uma sinergia entre rádio, Internet e celular, vínculos da programação sincrônica da rádio analógica com o tempo real da Internet. A produção da mídia tradicional, desenhada para ser difundida e comercializada em uma única plataforma não tem futuro. É preciso avançar para transformá-la na produção de conteúdos transversais capazes de serem distribuídos e comercializados em unidades de tempo diversas e através de diferentes plataformas (MARQUES, 2010, p. 7).

Álvaro Bufarah (2003, p. 3-4) Júnior também enfatiza a importância desse novo processo de fusão entre a Internet e o rádio:

Ao analisarmos os novos suportes para a transmissão de áudio, não podemos deixar de lado os avanços trazidos ao rádio pelas tecnologias da Internet. Nesse contexto, percebemos que houve uma potencialização de ambos nessa fusão onde o rádio ganha o suporte multimídia e a Internet o imediatismo do veículo de massa.

A expansão das possibilidades de inserção de todo tipo de conteúdo na RMC e, consequentemente, nas plataformas radiofônicas, em formatos e tempos que mudam constantemente, obrigou os coordenadores dos cursos de Rádio e Televisão a ampliar a oferta de disciplinas na grade curricular de tal forma que algumas delas, antes consideradas pilares fundamentais da radiofonia, com carga horária significativa, tais como sonoplastia, roteiro e produção radiofônica, perderam espaço para outras mais próximas à criação e produção em novos suportes, nos quais a dualidade áudio/imagem se fundiu; e, regras relativas a cada um deles, tais como definição ideal do enquadramento da imagem e linguagem clara e concisa no áudio, foram colocados em segundo plano. O fundamental é o exotismo, a diferença, o experimental e a ousadia para atrair seguidores.

Devemos estar atentos para os conceitos a respeito de rádios on-line e off-line, definidos por Maria Lígia Trigo de Souza (2002). As emissoras off-line não disponibilizam o som ou veiculam programação na internet; a RMC serve apenas como portal para os ouvintes, eventualmente disponibilizando informações e serviços em texto ou imagens. Elas podem oferecer algum tipo de recurso em áudio, como vinhetas, trilhas ou mesmo músicas, mas não possuem programação específica para a RMC, por falta de estrutura.

Também não retransmitem o conteúdo em tempo real por streaming, tecnologia que possibilita a transmissão de áudio e vídeo pela internet, sem precisar fazer download, ou seja, baixar um arquivo e copiá-lo para o HD do computador.

Elas possuem sua frequência, ou seja, originalmente existem no dial. A manutenção de um site, mesmo que sem veicular seu áudio para outros públicos, garante uma presença inicial na RMC e serve para divulgar o nome da emissora, sua proposta e, claro, oferecer serviços para os internautas.

As emissoras on-line disponibilizam sua programação na RMC em tempo real. No caso de emissoras com existência anterior no dial e que além de seu sinal normal buscam desenvolver uma programação específica para a web, devemos pensar em uma hibridização de meios, quer pela combinação deles, pelo condicionamento estabelecido pela mudança de suporte ou pelas características da nova mídia.

Há dois tipos de rádios on-line: 1. emissoras que transmitem sua programação em frequências e utilizam a internet como extensão, com propostas de conteúdos específicos para a rede; 2. emissoras pensadas e que só existem no contexto da internet, são as chamadas rádios internet-only, webradio, netradio, rádios virtuais.

Jornais, revistas e demais empresas de mídias tradicionais também têm apostado na utilização das radioweb, pela possibilidade de ser mais um canal de informação com outras possibilidades de exibição de conteúdo. Desta forma, as mídias tradicionais ganham muito mais espaço para estender a programação e interagir com seu público.

A internet está servindo como cobaia no processo de transição das rádios e TV analógicas para digitais. Ele serve como teste para as emissoras nas formas de interatividade que advirão dessa mudança.

Luiz Arthur Ferraretto (2008) aponta a subutilização do som como característica das emissoras de rádio na internet, por trabalharem com uma interface hipertextual, com predominância de textos e imagens e a disponibilização de transcrições das entrevistas em emissoras de rádio on-line, enquanto o mais simples seria disponibilizar a própria entrevista em áudio para que o ouvinte pudesse baixar por podcasting.

Muitas emissoras já se atentaram para essa possibilidade e disponibilizam não apenas o áudio, como também conteúdos audiovisuais do próprio estúdio de rádio, enquanto a programação é veiculada.

Como é natural em toda fase de transição, há divergência de opinião em relação ao futuro das emissoras de rádio diante do ciberespaço. O jornalista Heródoto Barbeiro (2001, p. 34) profetizou a morte da estrutura radiofônica no início do século XXI ao afirmar que “com o advento da Internet, os aparelhos de rádio passarão para o computador. É nele que as atuais emissoras de rádio e TV vão ser ouvidas e assistidas”.

Isso não aconteceu e temos emissoras migrando para o sistema digital e outras já transmitindo integralmente nesse sistema, que permanecem no dial, com extensão para diversas plataformas, mas com predominância do som (BARBEIRO, 2001).

Os celulares, em suas constantes atualizações, têm se transformado como uma forte tendência na escuta de emissoras de rádio, de forma similar aos antigos radinhos de pilha. Daniel Marques (2010) mostra por meio da pesquisa realizada em Salvador no ano de 2009, quantificada no relatório Ouvintes de rádio: perfil, hábito e preferências, da Potencial Pesquisas, que 15,3% da audiência de rádio na cidade já ouvia sua emissora preferida pelo celular. Com certeza, este índice já foi ultrapassado, pois é uma tendência em contínuo crescimento.

O acesso do rádio pelo celular, pela diversidade de características dos usuários nesta mídia, mostra que é necessário adequar o processo de criação de programas, o tempo da e a própria programação para esse novo público, mais seletivo e inconstante. Luiz Ferraretto, em depoimento a Daniel Marques (2010, p. 7), chama a atenção para outro dado fundamental: “com o celular à mão, o ouvinte passou também a produzir informação e enviar às rádios”.

Isto exige um novo pensamento na produção dos programas quanto à sua estrutura, em particular no aspecto da interação. O ouvinte, com informações inéditas direto das cenas dos acontecimentos, deve ter prioridade em relação a estruturas engessadas, e entrar no ar no momento de sua ligação. Isto resulta em programas mais flexíveis e na necessidade de locutores com amplas possibilidades de improvisação.

Como a segmentação continua a ser fator determinante para a fidelidade do ouvinte, a interação e a convergência são definidas em função dessa fidelização. Tendo o jovem como público-alvo desta nova forma de recepção, é preciso investir em novas formas de fazer um rádio direcionado e incentivador na colaboração do ouvinte/usuário/produtor.

Cinthia D’Auria (2008), diretora de atendimento da área de pesquisa customizada de mídia, conteúdo e tecnologia da Ipsos Marplan Media CT, em parceria com o Grupo de Profissionais de Rádio de São Paulo, realizou uma pesquisa qualitativa com profissionais de agências de publicidade a respeito das características do rádio e das perspectivas futuras junto ao mercado publicitário, considerando o contexto de transformação das mídias e de seus consumidores e, segundo Bufarah (2009, p. 8), chegou à seguinte conclusão:

O material levado ao ouvinte através de vários suportes (AM, FM, celulares, MP3/4 e 5, players, Internet, Internet móvel, games on line, etc.) também poderão ser acessados em formato on demand, podcast, programa de compartilhamento de músicas, comunidades de rádios levando à criação de ouvintes-produtores de conteúdo interagindo diretamente com a emissora e com outros ouvintes [sic.]. Com isso, o modelo de negócios estabelecido no mercado de radiodifusão brasileiro e mundial terá de ser repensado e alterado para atender às novas demandas desse ouvinte-usuário.

De qualquer forma, o rádio continuará existindo independentemente dos novos formatos, se souber se adaptar às mudanças decorrentes das novas tecnologias da informação, segundo teóricos como Eduardo Meditsch (2001, p. 229):

Se não for feito de som não é rádio, se tiver imagem junto não é mais rádio, se não emitir em tempo real […] é fonografia, também não é rádio. É uma definição radical, mas permite entender que o rádio continua rádio (como meio de comunicação) mesmo quando não transmitido por ondas de radiofrequência. E permite distinguir uma web rádio (em que ouvir som basta) de um site sobre rádio (que pode incluir transmissão de rádio) ou de um site fonográfico. Minha aposta é que o rádio assim definido - um meio de comunicação que transmite informação sonora, invisível, em tempo real - vai continuar existindo, na era da Internet e até depois dela, e irá se aperfeiçoando pelas novas tecnologias, que estão por aí e inda por vir, sem deixar de ser o que é.

Devemos considerar, a partir da tendência atual de ouvirmos rádio pela internet, que as distâncias geográficas passam a não ter mais importância, inserindo-se assim o rádio no contexto global de aniquilamento do espaço pelo tempo. Uma guerra travada no outro lado do planeta é transmitida em tempo real, como se estivesse acontecendo à nossa frente. Neste contexto, é aplicado o conceito da desterritorialização, a partir do qual fazemos parte do espaço planeta Terra, sem fronteiras.

Outro aspecto fundamental diz respeito às possibilidades de conteúdos, pois o rádio deixa de ser um meio de comunicação exclusivamente sonoro, invisível e que emite som em tempo real (MEDITSCH, 2001). Novas possibilidades, como programação por demanda, podcasts e gravações em vídeo do estúdio de rádio são outras formas de conteúdo que o rádio expande para a RMC, já presentes nos portais das grandes emissoras do país.

Com os suportes tecnológicos que possibilitam as pessoas registrarem conteúdos em áudio e audiovisual de pequenos celulares e transmitirem em tempo real pelo sistema wireless, rede de computadores sem a necessidade do uso de cabos ou fios, a internet pode ser tão ou até mais imediata que o rádio, que perde o status neste quesito.

Letícia de Oliveira Fernandes Silva (2009) escreve sobre o uso da internet no site da rádio Jovem Pan FM de São Paulo, criado em 2000, com cerca de 60 milhões de visualizações por mês. Por meio de seu endereço eletrônico1, observamos que se trata de uma emissora on-line. Links e hotsites possibilitam o acesso à TV do Portal Vírgula, aos blogs dos locutores e membros do programa Pânico e às informações sobre o mundo do entretenimento.

O site apresenta as atrações: 1. Informação: sobre a equipe, locutores, paradas, lançamentos e o cenário musical e entretenimento; 2. Banco de áudio: com músicas para ouvir e comprar, programas e paradas, com a possibilidade de o usuário optar por uma programação própria; 3. Transmissão da programação ao vivo: por meio de Internet; 4. Vídeos: com entrevistas diárias, shows e clipes diversos.

Ao entrarmos na homepage da emissora, encontramos em sua parte superior os links, conexões de um recurso da web para outro, que funcionam a partir de duas extremidades, denominadas âncoras. A conexão é iniciada na âncora fonte para a âncora destino, que pode ser qualquer um dos recursos da internet, como imagem, videoclipe, slogan, programa, documento etc.

Os links da emissora funcionam como guias para o usuário navegar, e estão divididos em: 1. Entretenimento: inclui agenda de eventos (cinema, teatro e shows) da cidade São Paulo, promoções da emissora, interatividade (o ouvinte pode solicitar músicas que deseja ouvir na Jovem Pan), e o “Fique ligado” - link direto com os blogs, Twitter e sites oficiais dos membros do Pânico; 2. Música: com artigos sobre as novidades musicais e a possibilidade de ouvir quantas vezes quiser a “conexão Pan”, quadro sobre o mundo do entretenimento musical; 3. Na balada: espaço com promoções e conteúdo interativo reservado para os interessados na noite paulistana; 4. Na Pan: informações sobre novidades e bastidores musicais; 5. Pânico: com vídeos, entrevistas e programas gravados no “Semana em Pânico”; 6. Programação: informativo com a grade de programação semanal; 7. Promoção: informa as promoções da emissora; e 8. TV: sobre o programa Pânico, segundo dados obtidos em Silva (2009).

Ao navegarmos no site da rádio Jovem Pan FM de São Paulo, comprovamos que, neste caso, a mídia radiofônica deixou de ser apenas sonora. Temos a sensação de estarmos em um ambiente imagético que utiliza muitas cores, fotografias, áudios e vídeos, com soluções que nos levam a acreditar que a emissora tem a participação de profissionais de design, de vídeo e de outras plataformas sonoras e imagéticas em seu quadro de funcionários, pois a produção do site é interna. Esta análise comprova a fase de transição que o rádio enquanto meio atravessa.

Letícia Silva (2009, p. 32) afirma que o ouvinte tem participação ativa neste novo formato, atuando como usuário consumidor que pode opinar na estrutura da grade de programação da emissora:

Em um processo de intercâmbio através dos fóruns de discussão, salas de bate papo, correio eletrônico, votações, comentário de notícias etc., os recursos multimidiáticos possibilitam a interação do público com a estação e vice-versa, transformando o papel do ouvinte, que passa a fazer parte da construção dos programas e coprodutor da comunicação.

A veiculação musical

Paralelamente ao desdobramento do rádio para outros objetos midiáticos, vemos uma nova situação sobre seu domínio em relação à informação e à veiculação musical. A influência dos novos suportes possibilita uma análise na mudança de gosto nos ouvintes e novas oportunidades para os músicos. Frith (2006, p. 59-60) deixa claras as novas relações resultantes dos avanços tecnológicos.

A terceira revolução, a atual, está relacionada ao desenvolvimento e à aplicação da tecnologia digital ao universo musical. Essa tecnologia amplia a definição de proprietário de um produto musical - desde a obra em si (partitura), passando pela interpretação (disco), bem como pelos sons empregados (a informação digital) - e as possibilidades de roubo e pirataria. Além disso, ao mudar a composição digital desde a criação até o processamento - tornando o ato de criação musical uma prática multimídia -, intensifica a crise da noção de autoria, tornando mais difícil distinguir os papéis de músico e engenheiro, ou mesmo de criador e consumidor. Esta tecnologia afeta também a circulação e comercialização, produzindo o fenômeno da “desintermediação” (facilitando o contato direto do músico com o público).

Nair Prata (2012, p. 44-45) complementa, afirmando a independência dos artistas em relação à indústria fonográfica:

A radiofonia sempre foi o meio tradicional para divulgação dos artistas e suas canções. Com a internet, porém, os músicos estão criando e distribuindo suas obras numa relação de independência com a indústria fonográfica que vê, a cada dia, surgirem novos selos virtuais. Este movimento está determinando, inclusive, o fim do CD, já que boa parte da produção musical da maioria dos artistas pode ser facilmente baixada da web por download pirata ou via pagamento.

Neste novo processo, as grandes produtoras perderam seu monopólio na distribuição musical. Herschmann (2010, p. 169) afirma que,

analisando as estratégias desenvolvidas pelas majors nas últimas décadas - é que para obterem êxito ou menos fracasso, elas vêm estabelecendo parcerias com as indies, a mídia, formadores de opinião e fãs. Se, por um lado, constantemente nos deparamos com matérias jornalísticas que nos lembram que há uma crise da indústria da música, por outro, é possível constatar sem muito esforço que a música - ao vivo e gravada - é onipresente no cotidiano da sociedade contemporânea. Atualmente, a música gravada, em especial, acentuou sua capilaridade na vida social, e crescentemente vem sendo veiculada nos mais diferentes suportes analógicos e digitais, sendo comercializada não apenas como produto final, mas também como insumo para a composição de mercadorias ou na forma de produtos e serviços que são oferecidos direta e indiretamente aos consumidores.

Como as majors, gravadoras multinacionais de grande porte, que dominam 70% do mercado fonográfico mundial, divididos entre a Universal, a Warner, a EMI e a Sony-BMG, e as indies, gravadoras de médio e pequeno porte, também denominadas independentes, trabalham em parceria, na qual estas “descobrem” os novos artistas e as majors assumem aqueles “que tem potencial para fazer sucesso em uma escala massiva, (o que significa um amplo controle e exploração, por parte dessas empresas, das etapas de promoção, difusão e comercialização)” (HERSCHMANN, 2010, p. 170).

Um perigo que vem sendo apontado por estudiosos e profissionais da indústria fonográfica é a pirataria, que alterou a lógica do mercado e da distribuição de CDs, cuja queda na vendagem foi da ordem de 50% em um semestre, conforme afirmação de Aloysio Reis (EMI/Virgin). Esse novo cenário obrigou as majors a repensar todo o processo de distribuição de música pela internet (SANCHES, 2001; BALLOUSSIER, 2009).

As redes sociais de informação e a música

É fundamental incluirmos o advento das mídias sociais no processo de criação e veiculação musical. A música apoderou-se dos espaços virtuais conectados, fato que motivou os internautas a explorar as RSI, agrupamentos sociais on-line caracterizados por interesses comuns e que possibilitam o estabelecimento de relacionamentos interpessoais por meio das mídias digitais, como o Facebook, o Twitter e o LinkedIn, entre outras, para apreciação e promoção de novos artistas.

Nas mídias digitais são criadas subculturas, nas quais as pessoas compartilham dos mesmos gostos, crenças, valores, códigos e ideias e podem espalhar sua cultura para outros indivíduos conectados às RSI. Dessa maneira, elas alavancam o trabalho de novos artistas no cenário musical, pois integrantes da subcultura virtual, com a qual o artista se afina, partilham sua produção musical. Assim, o artista se populariza conforme outras subculturas virtuais compartilham os valores de melodia e estilo musical de sua subcultura.

Atualmente na cadeia produtiva musical, que compreende o ciclo da pré-produção (criação da música), da produção (gravação), pós-produção (mixagem e masterização), da divulgação (apresentação do produto), da distribuição (disponibilização no mercado) e da comercialização (consumo), existe uma intensa utilização das tecnologias.

O consumo musical e a consequente popularização de novos talentos, que antes era determinado em ciclos temporais prolongados, hoje, potencializado e difundido nos diversos espaços digitais conectados, como as RSI, passa a ser determinado pela disseminação em rede, que pode alcançar grandes proporções em questão de minutos. Para Lévy (2010, p. 141),

A dinâmica da música popular mundial é uma ilustração do universal sem totalidade. Universal pela difusão de uma música e de uma audição planetárias; sem totalidade, já que os estilos mundiais são múltiplos, em via de transformação e de renovação constantes.

A facilitação no processo da produção musical em um estúdio digital comandado por um computador pessoal resultou na multiplicidade de gêneros e estilos musicais e de artistas na era digital.

Para realizar esse processo de produção, é necessário um sequenciador para a composição, sampler para a digitalização do som, programas de mixagem e arranjo e sintetizador, que cria sons com base em instruções. Consequentemente, o artista controla o conjunto da cadeia de produção musical e expõe seus produtos nas RSI, quando, onde e como quer, segundo as suas potencialidades técnicas e digitais (LÉVY, 2010).

Isso tem levado os artistas que produzem e circulam fora do eixo São Paulo/Rio de Janeiro a construir estúdios em suas cidades, descentralizando a produção física da indústria fonográfica. “Jovens artistas […] investem cada vez mais em aparelhos e capacitação profissional para oferecer gravações, mixagens e produções de alta qualidade […], com o intuito de diminuir a procura por estes serviços em outros estados” (SANCHES, 2003).

A recepção é imediata e circula rapidamente entre os diversos grupos sociais virtuais. Dessa forma, “cada músico ou grupo de música funciona como um operador em um fluxo em transformação permanente em uma rede cíclica de cooperadores” (LÉVY, 2010, p. 144).

Portanto, o músico é transformado em ator principal na produção e veiculação de sua composição musical, e os ouvintes, elementos dos agrupamentos sociais virtuais, identificam-se com o trabalho do artista presente na sua subcultura virtual.

Do músico, não se espera que apenas componha e/ou execute música, além de marcar presença no rádio e TV divulgando seu trabalho. Os ouvintes o procuram no Twitter, Facebook e outras redes sociais, acompanham suas publicações em blogs e sites; se apropriam da sua música em vídeos amadores e manipulações sonoras como remixes, mashups ou simplesmente incorporando seus fonogramas em páginas pessoais ou disponibilizando suas gravações em sistemas p2p ou plataformas de compartilhamento (LIMA, 2011, p. 14).

Os músicos devem fidelizar os ouvintes, importantes catalisadores no processo de divulgação. Lima (2011) afirma que a popularização do acesso à banda larga permitiu a facilidade no compartilhamento de arquivos de vídeo e áudio e, juntamente com ações promovidas pelos músicos nas RSI, seu trabalho tende a ficar mais conhecido.

Para prolongar a relação com os fãs, o artista deve ter um blog, com uma página atrativa, na qual deve divulgar novos trabalhos e shows, lançar videoclipes, disponibilizar as letras das músicas e as mais diversas possibilidades de interação, que são quase infinitas.

Enfim, deve manter os fãs interessados em acompanhar constantemente suas atualizações. Apenas disponibilizar um álbum no ciberespaço não garante o sucesso. É preciso criar maneiras “de chamar atenção” do consumidor. Lembramos que somente no MySpace há mais de cinco milhões de bandas disputando espaço nas mídias digitais, conforme destaca Pinheiro (2009).

A disseminação das obras pelos artistas nas RSI e da pirataria no mundo inteiro, sobretudo após a popularização do MP3, leva Herschmann a acreditar que elas são uma resposta do público que não aceita pagar o montante exigido pelos fonogramas distribuídos pelas majors.

A música gravada, portanto, parece ter perdido valor, e a indústria até o momento tenta de alguma forma reagir a esta situação e sair da “crise”, adotando estratégias de intensa repressão aos sites peer-to-peer (P2P), que oferecem trocas e downloads gratuitos de música, e ao mercado ilegal de venda de CDs - aliadas ao emprego de ferramentas de controle de circulação e reprodução dos fonogramas, oferecidas pelas novas tecnologias. Apesar dos esforços das gravadoras em mobilizar diversas entidades em vários países, o mercado ilegal de música continua a crescer: estima-se que de cada três CDs vendidos no mundo um é pirata, totalizando, em 2004, aproximadamente 1,2 bilhão de unidades. No caso dos downloads gratuitos, o levantamento é muito impreciso, mas trabalha-se com a estimativa de que, em 2004, existiam 870 milhões de arquivos de música circulando na Internet […]. Ao mesmo tempo, de acordo com a IFPI, o Brasil figura entre os países que mais praticam a pirataria no mundo (está na categoria daqueles países em que a atuação ilegal já domina mais do que 50% do mercado), o que tem levado diversas entidades a se empenharem em minimizar este quadro. Curiosamente, mesmo as bandas e os cantores não parecem se opor muito a que a pirataria seja praticada (HERSCHMANN, 2010, p. 174-175).

Isto ocorre porque eles sabem que a RMC é fundamental para que sua obra fique conhecida e também porque ao tornarem conhecidas suas músicas, o público vai a seus shows, que é o que realmente dá lucro nos dias de hoje. Artistas, como Caetano Veloso, mantêm uma agenda de shows, mas espaçam cada vez mais o lançamento de CDs. Algumas gravadoras já inserem como cláusula obrigatória nos contratos a participação dos artistas também nos shows.

Outra forma de divulgação aberta ocorre com a Banda Calypso. O grupo nunca assinou um contrato com companhia discográfica, e graças a essa independência consegue vender milhões de discos a um preço extremamente baixo.

A própria banda incentiva a venda de seus CDs e DVDs nas ruas (9 milhões de CDs e 2 milhões de DVDs veiculados a partir de 1999), em um processo em que “pirateia os próprios discos. Os vendedores que correm ruas e praias do Norte-Nordeste com sistemas de som armados sobre carrinhos estimulam o público a ir aos seus shows, que são onde de fato Joelma e Chimbinha ganham a vida” (DAPIEVE, 2009, p. 33).

Em particular, artistas e bandas independentes, em início de carreira, que não possuem vínculo com grandes patrocínios e/ou gravadoras e assumem o comando das despesas de seu trabalho, desde a produção até a distribuição de suas músicas, usam a internet como meio de divulgação.

Basta criar uma página gratuita e fazer upload de suas músicas, utilizando sites como MySpace, Trama Virtual, Palco MP3, Bandas de Garagem, Last FM, entre outros. Nestes sites, o próprio cantor, ou grupo, é responsável por todo o material e formas de divulgação. O melhor é que o link pode ser divulgado por toda a RMC.

Muitos optam pela inserção de vídeos de suas apresentações ao vivo e cantando em casa no YouTube. O site Trama Virtual lançou o projeto Download Remunerado, cuja mecânica consiste no pagamento aos artistas de acordo com o número de downloads de suas faixas, cerca de R$ 0,10 por download, dinheiro investido por patrocinadores como a Volkswagen, Kildare e ABN Amro.

Além dessas páginas e perfis das RSI, aumenta cada vez mais o número de rádios na internet que tocam somente músicas independentes, a exemplo da 100 jabá Web Rádio. Nestes sites encontram-se todos os estilos musicais, sem restrição quanto a gênero ou segmentação.

Nesse contexto, as rádios perderam seu monopólio de divulgação musical. O chamado “jabá”, depois substituído pelo “contrato de veiculação” perde espaço para a veiculação das músicas na internet, uma vez que nesta não é preciso pagar para que suas canções se transformem em sucesso, ainda que em determinada fase da carreira, todos os artistas precisem pagar o jabá (SANCHES; MATTOS, 2003).

Um dos exemplos mais significativos é Mallu Magalhães. Em 2007, ao completar 15 anos, recebeu R$ 1.500,00, que usou para gravar quatro canções de sua autoria em inglês e colocou em um perfil na rede social MySpace. Em seis meses registrou mais de 850 mil acessos às suas músicas e em três meses teve mais de 1 milhão de visitas no seu perfil.

Em janeiro de 2008, Mallu Magalhães abriu o show do grupo mato-grossense Vanguart em São Paulo. Impulsionada por jornalistas presentes no show, “ganhou destaque nos principais jornais, revistas e sites noticiosos do país” (ANTENORE, 2008, p. 73).

Saiu do anonimato para a fama em curto espaço de tempo, sendo convidada para tocar em festivais de música independente, como o Jambolada, Eletronika, MADA, Coquetel Molotov, Gig Rock e o Planeta Terra, de cunho comercial. Então, recebeu propostas para gravar um álbum de estreia das transnacionais Warner, EMI, Sony-BMG, Universal e o selo independente brasileiro Deckdisc, mas não aceitou (ANTENORE, 2008).

Ela optou por seguir um caminho próprio, gravando e divulgando suas músicas de forma independente. Produziu um CD, editando ela própria as composições e fechou um acordo com a operadora de telefonia móvel Vivo, disponibilizando as faixas do álbum Mallu Magalhães para os usuários do sistema. Em 20 de outubro de 2008, o jornal Folha de S. Paulo noticiou o acordo.

a cantora lançou seu primeiro disco em uma ação de marketing com uma operadora de celular, que está vendendo cada faixa por R$ 1,99 em seu site. Além disso, cinco modelos de telefone estão sendo lançados com o álbum completo armazenado na memória. Em novembro, o CD chega às lojas (ESPINELLI, 2008).

É interessante observar que, ao lado dessa estratégia, ela fez circular um CD de forma tradicional. A Vivo ainda utilizou uma das canções como trilha sonora de um comercial de telefones pré-pagos.

Em 2009, lançou um novo CD vinculado à Sony Music, em parceria com a gravadora independente Agência de Música, que havia produzido seus discos. Ou seja, a cantora partiu de uma produção independente para, após ser reconhecida, ingressar no sistema tradicional de divulgação. O grupo Autoramas e a banda Cansei de Ser Sexy (CSS) também utilizaram a internet no início da carreira.

O radialista, crítico musical e pesquisador Fabian Décio Chacur (2001) cita o exemplo de vários artistas e grupos que se valeram da veiculação musical na internet para alavancar suas carreiras.

Ao disponibilizar uma composição ou disco na internet, evitam a intermediação. Outros tipos de comércio direto entre artistas, tais como vendas em sites próprios, na porta de shows e consórcio de ouvintes, entre outros, também têm se mostrado muito viáveis.

O lançamento do sétimo CD do grupo Radiohead, In Rainbows, comprovou mudanças radicais na forma de comercialização ao disponibilizar o disco inteiro em sua página na internet, com diversas opções de preço e kits. “O fã poderia pagar o que quisesse, a partir de nada. Se, no entanto, pagasse 40 libras (cerca de R$ 130,00 hoje), recebia em casa uma edição especial com In Rainbows em CD e em dois LPs de 45 rpm, mais um CD de faixas-bônus e dois encartes” (DAPIEVE, 2009, p. 28).

A possibilidade de venda direta, sem a cara intermediação da gravadora, aliada à questão de servir como teste de aceitação da música por parte dos internautas, aponta para novas possibilidades de veiculação, muito mais lucrativas. Alguns compositores, a exemplo de Leoni, no Brasil, têm lançado regularmente suas composições em seus sites. Se bem aceitas, vão fazer parte do novo CD. A opção de anexar faixas interativas e jogos de realidade virtual tornam a internet ainda mais atrativa.

Considerações finais

A partir da década de 1990, o rádio ampliou sua capacidade de armazenamento de informação e de transmissão em outros objetos midiático-tecnológicos, como celulares e computadores, nos quais já é possível o acesso pela internet, com interação e comunicação ativa em termos de sistemas de comunicação. Ocorre uma convergência desses sistemas, em uma rede global que adapta qualquer interface ou linguagem.

Isso se mostra uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento do rádio, que permite a transmissão de som, ao vivo ou gravado, com baixo custo, podendo ser transmitido de qualquer parte para qualquer parte do planeta. A internet propõe assim uma democracia virtual que não podemos ter no ambiente real. E vai além, pois permite a qualquer indivíduo com um conhecimento técnico básico em web construir, independente de autorização estatal, uma interface virtual radiofônica, com acoplamento de conteúdos do tipo texto e imagem.

São as possibilidades de acesso e a facilidade que o indivíduo tem para construir um meio independente que faz esse universo da tecnologia da informação e da comunicação ser extraordinário. A estrutura de produção não deixa de ser fundamental para a qualidade dos programas. A mesma configuração é usada para construção, edição e veiculação.

Muitos autores defendem que o rádio está em extinção. Porém, a prática aponta para o percurso de que a internet vem para agregar possibilidades, viabilizando novas formas de transmissão e recepção. Alguns radialistas defendem a manutenção de arquivos físicos como forma de preservação histórica, a exemplo de Márcio de Paula, coordenador do Núcleo de Pesquisa Fonográfica e da Discoteca da Rádio Gazeta (ARTUNI; BASÍLIO, 2019).

Entre as desvantagens, citamos a pirataria descontrolada que vagueia por esse meio, com poucas expectativas de descobrir de onde vem determinada rádio pirata dentro do espaço virtual; e, também, a perda de imaginação que as pessoas têm em relação ao rádio analógico. Por não haver imagem pronta, a imaginação ficava por conta do ouvinte. Com as rádios digitais, as imagens são produzidas e transmitidas de forma engessada.

Para os compositores, intérpretes e produtores musicais, a internet, e particularmente a radioweb, mostrou ser um terreno fértil e democrático, no qual todos podem expor seu trabalho, sem as rígidas regras impostas pelas gravadoras. Para obter sucesso, dependem exclusivamente da aceitação dos usuários/receptores/produtores. O velho tripé produção-veiculação-comercialização intermediado por uma gravadora tornou-se extremamente caro, fora das possibilidades financeiras de quem inicia uma carreira.

Por outro lado, a internet facilitou o acesso, democratizou a produção e a troca de informações. Utilizando as ferramentas adequadas, o artista pode disponibilizar suas músicas gratuitamente para serem compartilhadas com todos os demais usuários, sem ter que pagar os custos fixos para as gravadoras e os custos móveis para as mídias massivas e as RSI têm se mostrado o espaço ideal para estabelecer a ligação entre ele e o consumidor.

Houve uma mudança nos paradigmas sociais e comerciais nas RSI utilizadas pelas bandas de MPB, na interação entre ouvir, gostar e comprar. Esse processo torna o fã tanto um consumidor, quanto um divulgador das bandas. Logo, nas RSI, a divulgação e a veiculação se retroalimentam.

Nos dias de hoje, com a pandemia e a consequente quarentena, sem possibilidade de realização de shows ao vivo, os artistas e empresários estão se valendo das lives, em uma nova construção simbólica da música como fator de reconexão social, de uma “aproximação” virtual com os vizinhos por meio da performance caseira. Vários artistas já começam a discutir a questão de como “vender” suas lives (LIVES…, 2020). Esse novo espaço de ressignificação pode ser outra possibilidade de monetarização, forçando a indústria fonográfica e as mídias a repensar todo o processo da veiculação musical no espaço virtual.

Texto reproduzido do site: revistas.usp.br