terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

José Eugênio de Jesus (1918 - 2016)

Foto reproduzida do site: aperipe.com.br
Postada por MTéSERGIPE, para ilustrar artigo.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 09/09/2003.

Maior ícone vivo da história da imprensa sergipana.
Por Najara Lima.

Ele queria ser torneiro mecânico, assim como o nosso atual Presidente da República. E seria, não fosse uma pequena ajuda do destino, colocando cada coisa em seu lugar. Acabou indo parar nas tipografias dos jornais. De gráfico a impressor, depois comentarista, colaborador, cronista esportivo, diretor de jornalismo. Falando assim, parece que foi fácil. Mas tudo isso foi conseqüência de muito trabalho, luta e um punhado grande de seriedade. Dos três filhos do Sr. Antônio, um marinheiro de carreira, e da Dona Raquel, dona de casa, apenas um sobreviveu. E por ter escapado da morte, que levou os dois irmãos, ele parece mesmo gostar da vida. Aos 84 anos, José Eugênio de Jesus possui uma lucidez inacreditável e uma condição física de fazer inveja a muito jovem. Fala pausadamente e nunca perde a linha de raciocínio. Tem uma memória privilegiada e prova isso ao tentar relatar fatos que ocorreram há muito tempo em sua vida. Ele é considerado hoje o comunicador mais antigo em atividade no Brasil. Ocupa o cargo de Presidente da Associação Sergipana de Imprensa, e como a função não é remunerada, ele a exerce simplesmente por amor à entidade e à profissão. Além de subir várias vezes e todos os dias dois grandes lances de escada que dão acesso à sede da ASI, José Eugênio caminha ainda 5.800 metros todas as manhãs. Esse exemplo de vitalidade mostra, com sua história de vida, que as pessoas ainda têm muito que se surpreender com ele. Eugênio é possuidor de um largo e invejável currículo. Em rádio, trabalhou Aperipê, na Rádio Jornal AM, na Liberdade e na Rádio Cultura. Na televisão, apresentou o programa Bola em Jogo, na TV Aperipê. Em jornal, trabalhou como gráfico no Diário da Manhã e impressor no Sergipe Jornal. Depois, colaborou com a Gazeta Esportiva, com o Jornal Gazeta de Sergipe e com o jornal católico A Cruzada. Participou também da Revista Alvorada. Gravou definitivamente seu nome na história da imprensa sergipana, participando da fundação da Associação de Cronistas Esportivos de Sergipe, do Sindicato de Gráficos, de Jornalistas e de Radialistas de Sergipe. Além de tudo isso, o maior comunicador de todos os tempos ainda em ação no país teve tempo para lecionar linotipia na Escola Industrial de Aracaju. Ele trabalhou no Diário Oficial do Estado, se tornou funcionário público e teve sua aposentadoria garantida depois de 42 anos de serviços prestados, “mas isso nunca fez com que eu me afastasse do rádio, que sempre foi minha grande paixão”. Hoje, ele acumula, além da presidência da ASI há um ano e quatro meses, o cargo de delegado da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos e colabora para o Semanário Esportivo. O esporte e sua tão amada profissão já levaram o Sr. José Eugênio para caminhos distantes. Ele teve a honra de estar presente na Copa do Mundo na Itália. Participou da despedida de Pelé no Rio de Janeiro. Pôde presenciar uma edição da fantástica Corrida de São Silvestre. Conheceu o Brasil inteiro através da vertente esportiva da comunicação. Não é à toa que nasceu numa rua chamada Boa Viagem. Já ganhou vários prêmios por sua atuação na área, mas considera o Troféu Destaque Imprensa, que ganhou como melhor cronista esportivo, como o maior reconhecimento em forma de premiação que poderia receber. O atual presidente da ASI é um homem de fortes convicções. Quando questionado sobre polêmica da desobrigatoriedade do diploma, ele é incisivo. “Eu acho absolutamente necessário o diploma, sob todos os aspectos”, declara ele. Com relação ao cenário da comunicação no Estado, ele não tem papas na língua na hora de falar. Apesar de afirmar que estamos numa fase de franca expansão, ele destaca um problema crônico. “Infelizmente, ainda temos mais quantidade que qualidade”, afirma José Eugênio. Ele defende, acima de tudo, a ética na profissão. Ouvir os dois lados da questão é, para ele, a base de toda a atividade jornalística. “A notícia não é unilateral! Tem que ouvir as duas partes e o interessante é que se faça isso antes de divulgar. Do contrário, o jornalista perde credibilidade”, diz ele. O maior sonho desse homem que considera o jornalismo “uma coisa muito séria” é ver a ASI crescer. Trazer os jornalistas que estão saindo das universidades, com força de vontade e ânimo renovado para dar continuidade ao trabalho iniciado há 70 anos é um dos grandes desejos de José Eugênio de Jesus. Viúvo, com três filhos, nove netos e uma bisneta, ele exibe uma feição de saúde e felicidade aos que têm a oportunidade de conhecê-lo. Com uma família grande e um círculo de amizades maior ainda, ele já pode dizer, aos 84 anos de vida, que cumpriu sua missão. Mas sua vitalidade prova que há muito ainda por fazer. Verá quem viver até lá.

Texto reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

Viana Filho, arquivo vivo do futebol sergipano

 Viana Filho recebe cumprimento de José Eugênio.

Antônio Barbosa trabalhou com o autor na Rádio Cultura.
Fotos: Marcelo Freitas.

 Publicado originalmente no site da INIT, em 11/06/2014.

Unit lança livros de Viana Filho.

Cronista esportivo é o maior arquivo vivo do futebol sergipano

Em meados da década de 1950, pouco se sabia sobre o futebol sergipano. No programa Salada Esportiva, da Rádio Difusora, o jovem Francisco Viana Filho recebia cartas de ouvintes com perguntas sobre um passado obscuro, e não sabia como responder pela ausência de registros. Foi então que “Tito” decidiu escarafunchar os arquivos da Biblioteca Pública Epifânio Dória e do Instituto Histórico de Sergipe. Para saciar a curiosidade do público, enveredou no universo da pesquisa e não parou mais.

Hoje, aos 80 anos, Viana Filho colhe os dois mais vistosos frutos de toda uma vida dedicada à história do futebol no Estado. Os livros “Crônica Esportiva” e “A história do Futebol Sergipano – desde 1907 a 1960” foram lançados, na noite desta terça-feira, 10 de junho, no Campus Aracaju Farolândia da Universidade Tiradentes. A Unit custeou a impressão de 500 exemplares de cada obra. O lançamento aconteceu paralelo à premiação dos Melhores do Ano, pela Federação Sergipana de Futebol.

“Viana Filho é um patrimônio da crônica esportiva, detentor do maior arquivo do nosso futebol e um cidadão de caráter. Sergipanos como ele não podem ser esquecidos e não serão, enquanto a Universidade Tiradentes existir”, afirma o reitor da Unit, professor Jouberto Uchôa de Mendonça.

O primeiro livro de Viana Filho reúne crônicas que ele redigiu ao longo da carreira como jornalista e radialista esportivo. Já a segunda obra aborda a história do futebol sergipano de 1907 a 1960, o que inclui capítulos como a implantação do futebol no Estado pelos militares; o surgimento dos dois primeiros clubes esportivos – Sergipe e Cotinguiba; e a fundação do primeiro clube dedicado exclusivamente ao futebol.

Muitos dados coletados por Viana Filho há mais de 50 anos são exclusivos. Segundo o autor, por negligência das autoridades, várias publicações – jornais e semanários das décadas de 1910 e 1920 – foram extraviadas na Biblioteca Pública. Até o início de 1960, os nomes dos campeões sergipanos dos anos anteriores a 1928 eram desconhecidos do grande público.

“Conhecia-se apenas a lista dos campeões a partir de 1928, graças à esmerada organização do antigo presidente da Federação Sergipana de Desportos, Antônio Policiano de Vasconcelos, que em 1946, nos 20 anos de fundação da Liga Sergipana de Esportes Atléticos, publicou um relatório contendo os campeões oficiais de futebol e remo”, ressalta Viana Filho.

Em “A história do futebol sergipano”, o autor resgata fatos importantes da época amadora do esporte no Estado. “Justamente o período mais difícil de resgatar, não apenas por sua antiguidade, mas, principalmente, pelas deficiências de informações daqueles tempos. Posteriormente, quando publicarmos o segundo volume – época profissional até os tempos atuais, vocês terão a completa fonte fidedigna sobre a história do futebol em Sergipe”, garante Viana.

Sobre o autor

Francisco Viana Filho é natural de Aracaju. Nasceu em 11 de janeiro de 1934, é desenhista técnico e professor de Desenho. Iniciou a carreira de cronista esportivo na Rádio Difusora de Sergipe, no ano de 1956. Em 1957, publicou o seu primeiro artigo sobre futebol, no Sergipe Jornal. Como jornalista e radialista, exerceu a função de redator-chefe de Esportes da extinta Gazeta de Sergipe. Também integrou a equipe esportiva da Rádio Cultura durante uma década.

Na Cultura, Viana Filho conviveu com outros profissionais como Antônio Barbosa e Carlos Magalhães. Ex-colegas que fizeram questão de prestigiar o lançamento dos livros. “O Viana Filho é a história viva do rádio esportivo sergipano. Trabalhei com ele na década de 1960, quando já fazia um programa contando a história de um futebol que eu nem vivi e ele, provavelmente, nem tenha vivido. Creio que esses livros resgatam boa parte dessa memória”, afirma Antônio Barbosa.

Aos 95 anos, José Eugênio de Jesus, patente maior do rádio sergipano, também prestigiou o lançamento dos livros na Unit. “Para mim este evento é importante em todos os aspectos, sobretudo, pelo autor do trabalho, que sempre foi um abnegado. Muitas vezes conseguíamos livros e documentários em outros Estados, principalmente Alagoas, e passávamos para o Viana Filho, pois sabíamos da dedicação dele com a história do nosso futebol. Por tudo isso, sinto uma grande satisfação em estar aqui”.

Texto e imagens reproduzidos do site: unit.br/blog/noticias

domingo, 12 de fevereiro de 2017

João Batista Santana e Irandir Santos

Dois grandes ícones do Rádio Sergipano, 
João Batista Santana e Irandir Santos.
Foto e Legenda reproduzidas do Facebook/Fernando Cabral.

Morre Irandir Santos, do inesquecível "Ao Cair da Tarde"

Foto: arquivo Princesa FM

Por F5 News.

Faleceu na manhã deste sábado (11), em Aracaju (SE), o radialista Irandi Santos, um dos maiores comunicadores do rádio sergipano.

Irandi travava uma luta contra o câncer; segundo colegas de profissão, o radialista estava na quarta seção no tratamento de Quimioterapia quando não resistiu e faleceu.

Ele passou por várias emissoras de rádio, trabalhou alguns anos na Rádio Cultura e, atualmente, era radialista da Princesa FM, em Itabaiana, agreste do estado.

Foram 55 anos dedicados ao Rádio Sergipano. A Princesa FM realiza hoje uma programação especial em homenagem ao comunicador, considerado um grande profissional e homem de bem.

O corpo será velado na Osaf. O sepultamento será domingo (12), às 16h, o local do enterro não foi divulgado.

Texto e imagem reproduzidos do site: f5news.com.br


Radialista Irandir Santos morre aos 75 anos em Aracaju.

O radialista Irandir Santos, de 75 anos, faleceu neste sábado (11) em Aracaju (SE). Ele estava internado em um hospital particular onde recebia tratamento de saúde, a causa da morte não foi divulgada.

Irandir trabalhava na FM Princesa, no município de Itabaiana (SE). Na década de 1980, ele apresentou o programa ‘Ao cair da tarde’ na Rádio Cultura.

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Anos 80, ao sair do trabalho à tardinha e entrar no carro, a primeira coisa que fazia era ligar o rádio e  sintonizar na Rádio Cultura de Sergipe, cujo Dial já deixava parado nela, tudo para ouvir o programa “Ao Cair da Tarde” que era apresentado de segunda a sexta à partir das 17 horas, pelo radialista Irandir Santos, o qual usava a música “Ouvindo-te” como prefixo (BG) do programa. Essa música era a minha trilha sonora de volta para casa todos os dias e terminou ficando no meu inconsciente. (Armando Maynard).


Canal do YouTube de Edgard Vita de Pina.
http://migre.me/w2Gyu

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A morte levou o decano de todos nós

Foto: César de Oliveira.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 06/02/2017.

A morte levou o decano de todos nós.
Por Ivan Valença.

Um fim de semana triste, por conta da morte do jornalista e radialista José Eugenio de Jesus, que faleceu no meio da semana que passou aos 98 anos de idade. Seria ele, talvez, o jornalista mais velho no Brasil. Trabalhei com ele nos tempos da Rádio Difusora de Sergipe, quando a antiga Aperipê ficava no Edifício Serigy, hoje ocupado pela Secretaria de Saúde. Focado na área dos esportes, Eugênio era também gráfico, atuando nas oficinas da antiga Escola Industrial de Aracaju, por onde, aliás, se aposentou. Por seus ensinamentos, passaram boa parte dos gráficos de Sergipe de hoje. Na antiga Escola Industrial havia dois sujeitos bons de papo, ambos jornalistas esportivos: Francisco Viana, o Tito, e José Eugenio de Jesus. Voltamos a nos encontrar quando da fundação do Sindicato dos Jornalistas, no início dos anos 70. Sem dúvida, Sergipe perdeu um ótimo profissional. A morte de José Eugênio ensejou uma série de notas oficiais lamentando o seu passamento, do Governador Jackson Barreto e do Prefeito Edvaldo Nogueira ao Sindijor.

Texto reproduzido do suite: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

Depoimentos sobre o cronista José Eugênio

José Eugênio de Jesus. (Foto: César de Oliveira).

Publicado originalmente no site Globo Esporte/SE., em 03/02/2017

Relembre história de José Eugênio e leia os depoimentos sobre o cronista.

Um dos cronistas esportivos mais antigos do Brasil faleceu nesta sexta aos 98 anos.

Por GloboEsporte.com

O relógio marcava onze horas e quinze minutos. A manhã desta sexta-feira anunciava a morte de um dos primeiros cronistas esportivos de Sergipe, um dos mais antigos do país. José Eugênio de Jesus tinha completado 98 anos em 10 de outubro do ano passado. Há um mês ele estava internado no Hospital Primavera, deu entrada com problema renal, o estado se agravou com uma pneumonia.

O velório ocorrerá no cemitério Colina da Saudade, a partir das 15 horas, e o sepultamento será na manhã de sábado, a previsão é que comece às 10 horas. "Zé" Eugênio, como também era conhecido, era jornalista e radialista. A Associação dos Cronistas Desportivos de Sergipe (ACDS) decretou luto de três dias, assim como a Federação Sergipana de Futebol (FSF) e o Sindicato dos Jornalistas, o Sindijor.

Em 1939, com o surgimento da Rádio Difusora 630 AM – hoje chamada Aperipê – a primeira emissora sergipana, foi criado o primeiro Departamento de Esportes, que teve como chefe Alfredo Gomes, primeiro narrador esportivo do Estado. Integraram a equipe também Carlos Nagib e, depois, José Eugênio de Jesus.

- José Eugênio foi o homem que teve participação direta na minha carreira como narrador de futebol. Naquela época, em 1968, eu pedi uma chance na Rádio Difusora de Sergipe e ele me deu essa chance. E até hoje eu gravo na memória esse favor que ele fez a esse humilde narrador esportivo. Lamentei profundamente o falecimento dele, pois é uma pessoa que tenho o maior carinho, respeito e admiração. Sempre que nos encontrávamos era uma festa, era um cara feliz, honesto, trabalhador e um grande comentarista. Que Deus receba em um bom lugar este grande homem que me lançou no rádio. Obrigado por tudo, José Eugênio de Jesus, que Deus te receba de braços abertos porque sei que terá um bom lugar - relembrou o cronista esportivo José Antônio Marques.

"Zé" Eugênio foi gráfico no jornal Diário da Manhã, depois passou pelo Sergipe Jornal, pelo jornal "A Cruzada", foi colaborador da Gazeta de Sergipe, além de ter criado e atuado como diretor da Gazeta dos Esportes. Vale lembrar que ele foi presidente da Associação dos Cronistas de Sergipe (ACDS) e presidente de honra da Associação Sergipana de Imprensa (ASI). Como se não bastasse, José Eugênio de Jesus fundou o Sindicato dos Gráficos de Sergipe, o Sindicato dos Jornalistas de Aracaju e o Sindicato dos Radialistas de Sergipe.

- O que eu posso falar sobre Zé Eugênio? O nome mais importante do rádio sergipano e um dos mais importantes do país. Tive a honra de trabalhar com ele na Rádio Aperipê, ele tinha 92 anos na época e sempre se mostrou um cara muito lúcido, enciclopédia do futebol sergipano, lembrava de muita coisa, com riqueza de detalhes. Tinha opiniões contundentes e era muito sério. Com certeza tudo que ele fez no nosso rádio jamais será esquecido - afirmou o jornalista Thiago Barbosa.

Em 2007, durante a abertura da trigésima terceira edição do Congresso Brasileiro de Cronistas Esportivos, José Eugênio, que tinha na época 88 anos, foi homenageado pelos 70 anos dedicados ao rádio. Ele também foi gráfico, linotipista, professor e, já aposentado, virou escritor.
- Não tive a honra de trabalhar com José Eugênio, mas tive o privilégio de ter a sua amizade. Com a morte de Ze Eugênio abre-se uma grande lacuna no rádio sergipano, na imprensa, na comunicação do nosso estado. Descanse em paz, Decano! - disse o radialista Otacílio Leite.

Nota do Club Sportivo Sergipe.

"O Club Sportivo Sergipe vem a público lamentar o falecimento de José Eugênio de Jesus aos 98 anos. O jornalista e radialista estava internado há um mês em um hospital da capital sergipana para tratar de um problema renal e uma pneumonia. José Eugênio fez parte da primeira equipe de rádio esportivo de Sergipe e foi presidente da Associação Sergipana de Imprensa. O Club Sportivo Sergipe solidariza-se com os familiares deste grande profissional que nos deixou nesta sexta-feira."

Texto e imagem reproduzidos do site: globoesporte.globo.com/se

Lendas do rádio sergipano exaltam José Eugênio de Jesus

 José Eugênio (foto: Arquivo Portal Infonet).

 José Antônio Marques (foto: Igor Matheus/ Portal Infonet).

Carlos Magalhães (foto: Igor Matheus/ Portal Infonet).

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 04/02/2017.

Lendas do rádio sergipano exaltam José Eugênio de Jesus.

Carlos Magalhães e José Antônio Marques relembraram radialista.

A história do radialista José Eugênio de Jesus, falecido na última sexta-feira, 3, é tão vasta que abrange praticamente todas as gerações de profissionais da comunicação de Sergipe dos séculos XX e XXI. E nada comprova isso com mais propriedade do que os testemunhos de dois dos cronistas esportivos mais longevos do rádio sergipano: José Antônio Marques e Carlos Magalhães.

Com 49 anos de atividade no rádio, José Antônio Marques revelou que José Eugênio não apenas fez parte de sua história como comunicador: foi o veterano Zé Eugênio que a iniciou. “Em 1968 pedi uma oportunidade na Rádio Difusora e foi ele que a ofereceu. Lembro quando ele disse que eu passaria seis meses em observação. Foi quando faltou um narrador esportivo e fui no Sabino Ribeiro transmitir o futebol. No dia seguinte, fui chamado pelo diretor da emissora , que disse que eu tinha grande futuro. E foi assim que comecei”;

Um dos grandes nomes do rádio esportivo de Sergipe, Marques destacou a memória de José Eugênio, com quem também trabalhou lado a lado. “Eugênio foi um ícone do esporte brasileiro como comunicador, e eu tive o prazer de tê-lo ao meu lado como comentarista. A notícia de seu falecimento foi triste, mas sei que ele está no céu com Deus. Zé Eugênio representa a tradição do rádio esportivo sergipano”.

Mais antigo cronista esportivo em atividade em Sergipe, Carlos Magalhães relembra do parceiro Eugênio do alto de seus 60 anos de rádio. “Foi uma grande figura, um grande amigo. Um homem ético, sério e competente. Quando terminei meus cursos superiores, em 1963, voltei para Sergipe e continuei minha trajetória no rádio, que eu já havia começado anos antes em Maceió. Foi nessa época que encontrei Zé Eugênio, que era homem de muitas atividades. Foi professor da antiga Escola Técnica e até tipógrafo. Estivemos juntos em muitas jornadas, e lembro bem de quando ele integrou a Rádio Cultura ao lado de Wellington Elias. Daquela época, muitos já se foram”.

Um dos últimos grandes nomes de uma geração que marcou o radialismo sergipano, Carlos Magalhães não demorou para encontrar uma palavra que descrevesse José Eugênio. “Um homem extraordinário. Deixou uma família feliz e agora seguirá pelo bom caminho”.

Por Igor Matheus.

Texto e imagens reproduzidos do site: 
infonet.com.br/noticias/esporte

José Eugênio de Jesus morre aos 98 anos.

Foto: Reprodução/TV Sergipe.

Publicado originalmente pelo site do Jornal da Cidade, em 03/02/2017.

José Eugênio de Jesus morre aos 98 anos.

Um dos maiores nomes da imprensa sergipana, ícone da crônica esportiva, estava internado há cerca de um mês.

Por: JornadaCidade.Net

Um dos maiores contadores de histórias de Sergipe, José Eugênio de Jesus, morreu, na manhã desta sexta-feira (3), aos 98 anos. Internado há cerca de um mês em um hospital particular de Aracaju, ele estava tratando um problema renal quando contraiu uma pneumonia. Como um dos maiores expoentes da imprensa sergipana, José Eugênio ainda tinha muita energia, mesmo depois de quase um século de vida. O velório será realizado a partir das 15h de hoje, no cemitério Colina da Saudade, e o sepultamento está marcado para as 10h deste sábado (4).

Tendo dedicado pelo menos dois terços de sua vida ao exercício da comunicação, ele foi criador do Sindicato dos Gráficos de Sergipe, Sindicato dos Jornalistas de Aracaju e Sindicato dos Radialistas de Sergipe e ainda foi pioneiro na criação da Associação dos Cronistas Desportivos de Sergipe e presidiu a Associação Sergipana de Imprensa (ASI).

Apaixonado pela profissão, ele tinha disposição de sobra para dar espaço para mais uma história e só parou de trabalhar aos 92 anos, sendo assim, em 2011, tido como um dos radialistas mais antigos em atividade na época.

Nascido em Aracaju, além de ser cronista, ele chegou a ser cantor no tempo de ouro dos programas de auditório nas rádios. Sendo ícone da imprensa sergipana, José Eugênio recebeu títulos de cidadania, medalha do Mérito Cultural Silvio Romero, da Academia Sergipana de Letras, e medalha da Ordem do Mérito Serigy, a mais alta condecoração concedida pelo município de Aracaju. Ele também foi detentor de prêmios Brasil a fora, confirmando o posto de um dos maiores personagens do estado.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

Falece o cronista esportivo José Eugênio de Jesus, aos 97 anos

Adel Ribeiro e José Eugênio de Jesus.
Foto: Arquivo/Adel Ribeiro.

Publicado originalmente no site Globo Esporte/SE., em 03/02/2017.

Falece em Aracaju o cronista esportivo José Eugênio de Jesus, aos 97 anos.

Um dos mais antigos do Brasil, ele participou da primeira equipe esportiva de rádio no estado, na antiga Difusora; presidente de honra da Associação Sergipana de Imprensa.

Por GloboEsporte.com

Um dos mais antigos cronistas esportivos do Brasil acaba de nos deixar. Presidente de honra da Associação Sergipana de Imprensa (ASI), José Eugênio de Jesus tinha 97 anos (completados em outubro do ano passado) e estava internado há um mês no hospital Primavera, deu entrada com problema renal, o estado se agravou com uma pneumonia. Ele participou da primeira equipe esportiva de rádio no estado, na antiga Difusora, hoje Rádio Aperipê.

- Consternado, acabo de receber a notícia do falecimento do grande comunicador José Eugênio de Jesus, o decano da imprensa sergipana. Meu histórico vizinho no Centro da cidade. Que Deus o acolha e conforte aos seus e, sobretudo, ao meu irmão Lucio Telles. O falecimento se deu às 11h15, no hospital Primavera, em decorrência de insuficiência respiratória provocada por pneumonia. O velório ocorrerá no cemitério Colina da Saudade, a partir das 15 horas (desta sexta), e o sepultamento previsto para a manhã de sábado - publicou em rede social o jornalista Hugo Sidney Brandão.

- A crônica esportiva do nosso estado perde um dos seus expoentes. Zé Eugênio deixará saudades pela sua lucidez e bom relacionamento com contemporâneos e jovens da imprensa sergipana num modo geral. Meus votos de pesar aos familiares e amigos - disse o cronista Adel Ribeiro.
Em 2007, durante a abertura da trigésima terceira edição do Congresso Brasileiro de Cronistas Esportivos, José Eugênio, que tinha na época 88 anos, foi homenageado pelos 70 anos dedicados ao rádio. Ele também foi gráfico, linotipista, professor e, já aposentado, virou escritor.

- José Eugênio de Jesus era a grande referência, a memória viva do rádio sergipano. Quando precisávamos de alguma informação sobre a história do rádio sergipano, seja no esporte, na música ou em qualquer outra área, tínhamos a figura dele como central. A gente perde muito, muito mesmo com a morte dele, principalmente em um estado no qual a memória do rádio é tão colocada em segundo plano. Fica a lembrança desse homem digno, honrado e que amou a comunicação acima de tudo - afirmou a radialista e jornalista, pesquisadora e professora Juliana Almeida.

Texto e imagem reproduzidos do site: globoesporte.globo.com/se

Clique no link abaixo, para assistir ao programa Terra Serigy,
especial sobre o cronista esportivo, exibido em 6 de abril de 2013.

Morre jornalista e radialista José Eugênio de Jesus.

Foto reproduzida do site: infonet.com.br

Publicado originalmente no site G1/SE, em 03/02/2017.

Morre jornalista e radialista José Eugênio de Jesus.

Ele estava internado em um hospital de Aracaju.

Sepultamento será realizado neste sábado no Cemitério Colina da Saudade.

Do G1 SE

Morreu nesta sexta-feira (3) aos 97 anos, o jornalista e radialista, José Eugênio de Jesus.

Segundo a família, ele estava internado há cerca de um mês em um hospital particular da capital sergipana.

Ainda de acordo com a família, ele se internou para tratar de um problema renal, mas adquiriu uma pneumonia que estava em tratamento.

Entre os muitos trabalhos realizados ao longo da carreira ele foi presidente da Associação Sergipana de Imprensa (ASI) e fez parte da primeira equipe de rádio esportivo do estado de Sergipe.

O velório será realizado na tarde de hoje no Cemitério Colina da Saudade e o sepultamento está previsto para às 11h, deste sábado (4), no mesmo local.

Texto reproduzido do site: g1.globo.com/se

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Paulo Corrêa e Mário Sérgio.

Foto reproduzida do Facebook/Paulo Corrêa.

O programa Nação Nordestina, com a participação do radialista e grande estudioso da música brasileira, Mário Sérgio, que eu imaginava ser um botafoguense, mas ele foi taxativo em afirmar que é torcedor do Fluminense. Mário Sérgio, destacou a grande atuação de João Mello, como produtor musical, lançando nomes como Jorge Ben, Djavan, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Moraes Moreira a despontarem como grandes estrelas dá nossa MPB.

Trecho de registro reproduzido do Facebook/Paulo Corrêa.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O Fim da Rádio Liberdade FM, de Aracaju/SE.


Morre a Liberdade FM, deixando órfãos seus fieis ouvintes,
amantes da música de qualidade e de uma elegante locução.
Agora, é torcer para que a Aperipê FM e a UFS FM, 
aumentem seu alcance.
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A Liberdade FM, agora é FAN FM, sendo mais uma FM, 
igual as outras. Muito triste!
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Curtidas e comentários em postagem do Facebook,
no Perfil de Armando Maynard.
http://migre.me/vYP9c

domingo, 29 de janeiro de 2017

Raymundo Luiz: "falando francamente"

Foto reproduzida do Facebook/Raymundo Luiz da Silva.
Postada por MTéSERGIPE, para ilustrar a presente publicação.

Publicado originalmente no site Osmário Santos, em 22/06/2002.

Raymundo Luiz: "falando francamente".
Jornalista tem passagens com destaque pelo rádio, jornal e vida pública de Sergipe.

Por Osmário Santos/JC.

Raymundo Luiz da Silva nasceu a 28 de setembro de 1929 na cidade de Aracaju-Sergipe. Seus pais: Manoel Messias da Silva e Eremita Moura da Silva.

O pai foi “guarda-livros”, o equivalente hoje ao nível superior em Ciências Contábeis, tendo feito, durante muitos anos, a “escrita” (os livros de Contabilidade eram escriturados à mão) de importantes firmas da época, como Sergipe Industrial, Cruz Irmão e Irmãos Brito. Dele o filho herdou a sobriedade, a tranqüilidade e o respeito à palavra empenhada, lições que procurou transmitir aos filhos.

Da sua querida mãe, D. Eremita, Raymundo recorda que ela colocava a família sempre em primeiro lugar. Desprendida, gostava de criar pessoas, a quem acolhia como se fizessem parte da família. “Foi uma lutadora que durante anos fez bolinhos de ovos que eram vendidos nas ruas de Aracaju, para ajudar nas despesas da casa e na educação dos filhos. “Dela herdei essa imensa ternura que tenho pelo ser humano”, sensibiliza-se Raymundo.

A infância aconteceu de forma inesquecível pelos jogos de bola de meia com os amigos nas areias da rua de Maruim, entre as ruas de Santa Luzia e Itabaiana, ou os banhos de mar e os pulos do trampolim que existia próximo à Ponte do Imperador.

Curso primário foi realizado no Colégio “Santo Antônio”, na rua de Santa Luzia, sendo aluno da professora, Dona Guiomar Tavares. “Ela me transmitiu o gosto pela leitura de textos do livro tradicional da época “A Crestomatia”, insistindo pela pronúncia exata das palavras e pela real interpretação dos textos lidos.

Fez o ginásio completo no Colégio Salesiano “Nossa Senhora Auxiliadora” e, recorda-se bem do professor de Inglês, Tennyson Ribeiro, além de grandes mestres como os Padres Angelo Spadari, Antônio Campelo e outros. “Fui titular do time de futebol do Salesiano, que se chamava “auriverde”, e que era o “bam-bam” nos meios estudantis”.

No Ateneu o curso clássico e o de Contabilidade, na Escola Técnica de Comércio “Conselheiro Orlando”, na Praça Camerino, quando começa a dar os primeiros passos na prática da Contabilidade. “Quando a firma “José dos Santos” veio para Aracaju fiz, durante meses, a escrita de sua loja que ficava na rua Apulcro Mota; era auxiliar do contador e colega bancário José Gomes”.

Raymundo lembra que o tempo da sua juventude foi dos mais movimentados: “No Cotinguiba joguei futebol, banhos de mar na Praia Formosa, “peladas” de futebol nos apicuns atrás da Igreja São José ou na “Areinha”, onde hoje está construído o novo Atheneu Sergipense. Das “danças” nas casas de família, dos bailes na Atlética e no Cotinguiba, clube de minha paixão. As retretas nas noites de domingos, ou as matinês nos cinemas da cidade, Rex, Guarani, Rio Branco. Foi o bom tempo da prática pioneira do halterofilismo, no Ginásio Grimek, com halteres improvisados feitos de cimento, na casa de Rui Bessa, que se tornou meu cunhado (casou com minha irmã, Maria Cândida. Depois o Centro de Cultura Física, que ainda hoje funciona, e bem, ao lado do meu irmão-amigo Euripedes Felizola”.

Fez Filosofia, por escolha pessoal e muito pesou na opção do curso superior, seu gosto pela leitura e busca do conhecimento. Raymundo relata: “Fiz Vestibular – inclusive com a matéria Latim – fui aprovado de primeira e não havia trote naquela época. Também se quisessem cortar meu “pimpão”, ia sair do sério (risos)”. Desportista de fé, como universitário, chegou a ser o presidente da FAES (Federação Atlética dos Estudantes de Sergipe).

De sua passagem pela Faculdade de Filosofia reconhecimento pelos mestres e de outros grandes momentos: “Tive o privilégio de ter uma banca de mestres do maior gabarito na Faculdade de Filosofia: Dom Luciano Duarte, Cabral Machado, José Silvério Leite Fontes, Paulo Machado, Cônego Carvalho, dentre outros, e quando conclui o Curso, então já na Universidade Federal de Sergipe, fui escolhido para ser orador da turma de todas as categorias de formandos naquele ano. Aliás, eu fui o único que concluiu o Curso de Filosofia; os que começaram comigo na Faculdade, ou viajaram para outros estados ou desistiram. Foi aberto um livro de Atas na UFS só para registrar a conclusão deste Curso de Filosofia, algo no estilo o “último dos moicanos” (risos).

Começou a trabalhar bem cedo e o primeiro emprego aconteceu no Banco do Comércio e Indústria de Sergipe, da família Franco, presidido pelo Sr. José do Prado Franco e tendo como diretor-gerente o Dr. João do Prado Franco. “Foi feito um teste de seleção, e me lembro que participaram dele bons amigos como Paulo Espinheira e Pedro Pires. Com esses dois e Murilo Dantas (Banco Dantas Freire) formamos uma guarnição de remo (4 com patrão) que dava show no estuário do Rio Sergipe. No Banco do Comércio (Bancides) conheci grandes figuras humanas como Leonardo Ribeiro, Rivadávia Brito Bomfim, Antônio Oberdan Felizola, Sr. Pedro Reis Lima, Manoel Joaquim Soares Lima, Joviniano Fonseca Filho, Humberto Maciel (que assinou minha Carteira Profissional), Renato Franco Oliveira e vários outros grandes profissionais. O Dr. Luiz Garcia era o advogado do Banco”.

Aprovado no concurso no Banco do Brasil, deixa o Banco do Comércio e Indústria onde tinha um salário melhor do que o inicial do Banco do Brasil e assumi o novo emprego no BB em 1º de setembro de 1952, na agência em Itabaiana/SE. Raymundo orgulha-se de dizer que o “Banco do Brasil é uma escola de vida e lá fiz amigos para o resto da vida, dentre tantos inesquecíveis, José Conde Brandão, Adalberto Moura, Enivaldo Araújo, Paulo Fernando, Osvaldo Carvalho, Raulito Ribeiro Nunes, Felizola, Clóvis, Fernando Tiúba, Rochinha, Eduardo Ribeiro, José Hilton Rocha, Lises, Canabrava, Augusto Viana, Antônio Eduardo, Ademar, Clemência, Marta, Rosa, tanta gente boa que me penitencio de certamente ter esquecido vários tão preciosos quanto os citados.”

Tem paixão pelas práticas esportivas: remo, tênis, natação, halterofilismo e, principalmente, futebol, onde vestiu camisa de clube. “Joguei no Estudantil de “Cobrinha”, no Cotinguiba, no Itabaiana e no Sergipe, como titular. Embora não gostasse de assanhar o cabelo, driblava bem, o que me valeu muitas botinadas, razão de hoje andar capengando” (risos).

Emplacou seu nome na história do rádio sergipano e conta como tudo começou: “A Rádio Cultura era da Arquidiocese de Aracaju, e como universitário na Faculdade de Filosofia, Dom Luciano que era meu professor e Diretor Presidente da emissora, por saber que eu era um desportista por vocação, convidou-me para dirigir o Departamento da emissora. É quando começa o “Falando Francamente” que marcou minha carreira no rádio esportivo. Agora tem um programa da Sonia Abrãao, na TV, com esse nome, vou cobrar direitos autorais. Brincadeira”.

Do esporte passou a dirigir a Cultura diante da necessidade que a emissora sentiu de que era preciso aumentar a audiência com a mudança de programação. “A Rádio Cultura era de fato uma emissora dedicada à cultura. Alencar Filho, Ribeirinho (Sodré Junior) Aglaé Fontes e outros a implantaram sob a égide de uma programação essencialmente educativa e cultural. Mas, infelizmente, qualidade não dá Ibope, e a direção da emissora resolveu que ela se tornasse mais popular. Como o esporte sempre deu grande audiência, fui convidado para estender o dinamismo do esporte por toda a programação da Rádio Cultura. Na verdade, se méritos tive, foi porque sempre procurei me cercar dos melhores, de profissionais melhores do que eu. Deu certo”.

Dos colegas de trabalho do seu tempo de Rádio Cultura: “Foi grande ter convivido com radialistas do porte de Reinaldo Moura, Carlos Magalhães, Wellington Elias, Acival Gomes, Paulo Gomes, Humberto Mendonça, Hélio Fernandes, Antônio Pádua, Antônio Barbosa, Alceu Monteiro, Canabrava de Mendonça e muitos outros. Em determinado momento, a Diretoria da Cultura decidiu que a Rádio passasse a ter um Editorial, estabelecendo a linha de pensamento da emissora, sobre todos os assuntos que interessavam ao Estado”. É quando começa a “Nossa Opinião”, da qual fui durante anos redator e apresentador. A equipe editorial da Rádio Cultura era uma academia: Dr. Jorge de Oliveira Neto, Dom Luciano Duarte, Professor Silvério Fontes, Dr. Paulo Machado, Dr. Cabral Machado, enfim, padrão de excelência, competência e cultura”.

Como profissional do rádio foi testemunha de muitos fatos e dos interessantes registra para a memória de Sergipe alguns deles: “Dia 31 de março de 1964, acompanhei na Maternidade o nascimento do meu terceiro filho, e às 5 horas da manhã foram me buscar num jipe do Exército. O cristal da rádio tinha sido retirado, e o seu retorno ao ar dependeu do compromisso de só tocar hinos cívicos. Outra: numa madrugada vieram me buscar em casa porque um locutor endoideceu e estava fazendo a maior confusão. Consegui convencê-lo, e levei-o de carro, para que tivesse uma assistência especializada no Hospital “Adauto Botelho”. Telefonei antes, avisando, que ia chegar. Deixei-o na porta do hospital, enquanto estacionava o carro. Quando cheguei no hall, ele já tinha anunciado aos enfermeiros: “olha o doido chegando aí”. Era eu...

“Mais uma? A torre de transmissão da Cultura ficava onde hoje está o Cemitério “José Conrado de Araújo”. Era um ermo. Walter Teles, controlista de plantão, me telefonou e, tremendo de medo, me disse que algumas pessoas desceram de um carro perto da torre, cavaram um buraco com pás, jogaram um corpo dentro, cobriram novamente de areia e foram embora. Nunca fui herói, mas diretor é pra essas coisas. Chamei o colega e amigo, gigante Geraldão (Geraldo Oliveira) comuniquei por telefone à Polícia e fomos para lá, acalmar Walter que estava pra dar um troço. Uma hora depois chegou a equipe da polícia, iluminou o local com faróis, cavaram e lá estava o corpo coberto por um encerado: o corpo era de um cachorro enorme”.

Na mídia impressa primeiro atuou como diretor-administrativo do “Sergipe Jornal”, a convite do seu proprietário, José Carlos Teixeira. “José Carlos Teixeira vendeu o matutino aos “Diários Associados”. Os diretores que aqui chegaram, Dr. Odorico Tavares e Paulo Nacif, depois de tomarem informações, convidaram-me para continuar no cargo, como Diretor-Executivo do “Diário de Aracaju”... Aceitei. A estrutura dos “Diários Associados” era perfeita e o “Diário de Aracaju” marcou uma revolução na imprensa escrita de Sergipe, até porque concorrência é sempre estimulante”.

Da sua presença na direção do jornal dos Diários Associados em Aracaju muitas conquistas: “Fiz grandes relacionamentos, muitos amigos, convivi e aprendi com pessoas excelentes. Imagine: Luiz Eduardo, Leó Filho, Osório Ramos, Erotildes Araújo, Nazário Pimentel, Henio Costa, Edén Franklin, Maria Luiza Cruz, Paulo Nou, Jorge Araújo, Hugo Costa, Luis Lobão, Jorge Carvalho, Jackson Sá Figueiredo, Teotônio Neto, Jurandi Cavalcanti, Aurélio Mesquita, Simeão Fagundes, Givaldo Santos, Tereza Newman, Jurandi Santos, Orlando Souza, Amaral Cavalcanti, tanta gente boa que citá-las iria consumir todo o espaço.

Raymundo foi diretor da melhor fase editorial do Diário de Aracaju e nesse período, indicado pelo colega dos tempos de universitário, depois Ministro, Geraldo Barreto Sobral, genro de Dr. Lourival, aceita o convite para ser secretário particular do então governador Lourival Baptista. “Passei poucos meses no cargo, pois o governador não conseguiu (?!) que o Banco do Brasil me liberasse. Aí é outra história. Dois anos depois ele mesmo conseguiu que eu fosse posto à disposição do Movimento de Educação de Base, na Rádio Cultura. O Arcebispo D. Távora pediu-lhe, ele conseguiu, na hora”. Sintomático.

Passado o governo Lourival Baptista, tempos depois, retorna à vida pública, no I Governo João Alves, como Assessor Especial, depois Secretário de Comunicação, tendo também exercido as funções de Superintendente da Fundação Aperipê, da qual foi o implantador.

No II Governo João Alves volta a ser Secretário Especial de Comunicação Social e no mesmo governo passa dois anos como Secretário Especial de Assuntos Institucionais. No Governo Antônio Carlos Valadares atuou como Secretário Especial de Assuntos Político-Governamentais e depois Assessor Especial.

Com os curiós, Raymundo Luiz tem uma grande cumplicidade. “Adoro a natureza, especialmente o canto mavioso dos passarinhos, que crio desde garoto. Curiós são os meus preferidos. São aves especiais, e a tradução do seu nome indígena é “amigo do homem”. Os curiós estavam em extinção, mas, atualmente eles são reproduzidos em cativeiro, com anilhamento e autorização do Ibama, tudo certinho”.

Exatamente há 40 anos, em 1962, entra no Lions Clube Aracaju, onde exerceu todos os cargos diretivos no seu Clube, alguns na região, sendo atualmente Sócio-Vitalício. Com orgulho diz que tem o Diploma Especial de “Amigo de Melvin Jones”. “É uma grande entidade com mais de 1.400.000 sócios em todo o mundo. É uma honra ser Leão”, conceitua Raymundo.

Parte do seu tempo para os trabalhos jornalísticos que continua a desenvolver até hoje é dedicado ao Poder Legislativo Estadual. “A Assembléia Legislativa é o núcleo central de todos os principais acontecimentos do Estado. Em 1999, quando resolvi “botar a cara de fora”, trabalhar com os colegas na “bancada vermelha” passou a ser uma rotina. Dali extraio tudo que escrevo, e ali aprendo todos os dias as melhores lições de minha vida. O ano passado fui homenageado com a mais alta comenda do Poder Legislativo: Ordem do Mérito Parlamentar. Por unanimidade. Como se vê, a Assembléia é uma casa cheia de generosidade”.

Casado com Lourdinha, desde 1953, espera para o próximo ano comemorar, com a mesma felicidade de sempre, as Bodas de Ouro. “Minha família é tudo para mim. Meus filhos que amo tanto, são Ângela, professora, Sérgio, economista e analista de sistemas, Dinara, decoradora de interiores, Raimundo Luiz Filho, professor de Educação Física, Breno, Curso Superior de Computação, e aí essa turma me deu genros e noras – Aída, Roberto, Custódio e Patrícia – netos – Carol, Elber, Lucas, Raymundo Neto – e bisneta, a fofinha Marina.

Para Raymundo “viver é a grande emoção da existência”. Emoção mais forte: a morte dos meus pais. Decepção é ser agredido, sem explicação, principalmente por quem menos se espera. “Acontece. Faz parte. Mas, dói”.

Foi homenageado com os Diplomas da Ordem do Mérito Aperipê (Estado) – Dr. João Alves –, do Mérito Serigy (Prefeitura) – Dr. Viana de Assis, e, mais recentemente, com a Medalha do Mérito Parlamentar (Assembléia Legislativa) – deputada Susana Azevedo – além do Sindicato dos Jornalistas (Sindijor) – jornalista Milton Alves. “Dizem que o homem na sua vida tem de ter um filho varão (tenho três), plantar uma árvore (já plantei centenas) e escrever um livro (já comecei, se der tempo, termino) Falando Francamente.

Texto reproduzido do site: usuarioweb.infonet.com.br/~osmario

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Noruega é 1º país a parar com transmissões de rádio FM

Transição para rádio digital gerará economia 
de US$25 milhões por ano, segundo governo.
 Foto: Berit Roald/NTB Scanpix via AP.

Publicado originalmente no site G1 Globo, em 12/01/2017.

O fim de uma era: Noruega é 1º país do mundo a parar com transmissões de rádio em FM.

Segundo governo, digitalização das emissoras nacionais de rádio cortará custos e trará diversificação de programas e melhor qualidade de áudio; analista vê 'momento de apreensão' para indústria global de rádio.

Por BBC.

Sob os olhares de outras nações, a Noruega se tornou o primeiro país do mundo a tirar do ar o sinal FM na última quarta-feira.

O desligamento começou na manhã do dia 11, na cidade mais ao norte do país, Bodø, perto do Círculo Polar Ártico, e teve cobertura ao vivo da televisão norueguesa.

Segundo o governo, hoje, a Noruega tem 22 estações nacionais de rádio digital e ainda há espaço para outras 20.

No entanto, só restam cinco estações nacionais de rádio FM neste país de 5 milhões de habitantes.
O serviço público de radiodifusão norueguês, o NRK, desligará seu sinal FM antes da concorrência.
Mas este processo não será repentino: o sinal sairá do ar região por região, a partir de janeiro deste ano.

Economia.

O ministério da Cultura norueguês estima que a digitalização das emissoras nacionais de rádio gerará uma economia anual de cerca de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 80 milhões).

"O custo de transmissão de rádio nacional pela rede FM é oito vezes maior que pela rede de Retransmissão Digital de Áudio", disse o ministério em um comunicado.

Isso se deve em parte pelo menor consumo de energia da transmissão digital.

Iniciativa na Noruega servirá de teste para a indústria global de rádio.

A ministra da Cultura, Thorhild Widvey, elenca outras vantagens.

"Os ouvintes terão acesso a um conteúdo de rádio mais diverso e plural e desfrutarão de uma maior qualidade de áudio, além de novas funcionalidades", disse ela recentemente.

Segundo Widvey, a digitalização também melhorará o sistema de resposta diante de emergências, já que a rádio digital é menos vulnerável a condições de clima extremas.

Indústria.

Vários outros países da Europa e do sul da Ásia também avaliam uma transição para a rádio digital.

Segundo o analista britânico James Cridland, o momento do desligamento do sinal FM na Noruega será um "momento de apreensão" para a indústria de rádio global.

"Espero que os noruegueses tenham feito o suficiente para reter a audiência e para garantir que aqueles que não tenham feito a transição para o digital o façam logo", disse.

"Quem escuta rádio pode decidir, em vez disso, passar a ouvir sua coleção de músicas ou os serviços de streaming. Se a mudança prejudicar a audiência, pode ser que outros países fiquem menos dispostos a também desligar seu sinal FM e AM."

Esta matéria foi publicada originalmente em abril de 2015.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/mundo/noticia

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Rádio em Sergipe (SENAC)

Foto simplesmente ilustrativa, 
postada por Sintonia Radiofônica.

Rádio em Sergipe

História

No início dos anos 30, em Aracaju, o que predominava era a indústria e o comércio, este último, era muito deficiente, favorecendo a baixa na economia. Os movimentos políticos ainda não eram tão evidentes e a radiodifusão ainda não havia chegado à capital. Os primeiros sinais de comunicação sem fio ocorreram no Estado de Sergipe, através do serviço de alto-falante instalado no Instituto Histórico e Geográfico, que era utilizado pelo governo estadual para fazer a divulgação do seu boletim oficial.

A partir daí, os alto-falantes se propagaram e começaram a ser instalados em alguns pontos da capital aracajuana, com a transmissão de músicas (uma discoteca), fazendo o papel de uma emissora de rádio. Os precursores do rádio à época foram Alfredo Gomes – funcionário da Receita Federal, escritor e jornalista, era um dos responsáveis pela programação – João Gomes, Dalva Cavalcanti, Guaracy Leite França e João Ribeiro.

Em junho de 1939, o presidente Getúlio Vargas, através do Decreto-lei n° 4328 de 30 de junho de 1939, concedeu a permissão para a implantação de uma estação de radiodifusão em Aracaju. Em 30 de junho de 1939 foi inaugurada a Rádio Aperipê de Sergipe, vinculada ao Estado, embora sua concepção tenha partido da iniciativa privada que comprou os equipamentos, mas não conseguiu o dinheiro para pagá-los. Coube ao Governo do Estado pagar por eles, fundando a rádio oficial do Estado cujos estúdios ficavam na Rua Maranhão, sendo depois transferidos para o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (PORTO, apud. SILVA, 2004, p. 27).

A Rádio Aperipê, que fazia parte do Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP, ainda no governo de Eronildes Ferreira de Carvalho, lançou os primeiros locutores sergipanos, dentre eles podemos destacar: João Alves Bezerra, João Marques Guimarães e Jefferson Silva. Estes locutores trabalhavam a serviço do governo estadual, levando à população, notícias de interesse do representante maior do Estado.

A rádio Aperipê foi transferida do Instituto Histórico e Geográfico para o Palácio do Governo e, depois para o Palácio Serigy, onde permaneceu por várias décadas. O transmissor foi instalado no bairro Siqueira Campos, entre as ruas Maranhão, Alagoas e Pernambuco. A emissora era identificada pelo prefixo PHJ-6 e tinha, prioritariamente, a meta “Educação e Propaganda”.

Alguns anos mais tarde a emissora foi arrendada ao empresário Augusto Luz, tornando-se uma estação criativa revelando grandes nomes, a exemplo de Alfredo Gomes, João Ribeiro, Cláudio Silva, Wolney Silva, dentre outros (THEOTÔNIO NETO, 1983. p. 5).

A partir de 1944, o interventor Augusto Maynard, ampliou a emissora, que passou a contar com um auditório em suas novas instalações. Daí em diante vários locutores, músicos e produtores sergipanos se destacou a exemplo de Carlos Nagib, Wolney Silva, Reinaldo Moura, Oliveira Júnior, Maria Cláudia, Nélson Souza, Silva Lima, Alcival Gomes, Santos Souza e Wellington Elias, dentre outros.

Com o tempo a emissora foi progredindo e dando oportunidade a outros profissionais. Mas ela só foi considerada efetivamente, como uma emissora de rádio, após alguns anos, quando o povo começou a demonstrar interesse pela radiofonia sergipana. Com isso o rádio foi crescendo, as programações tornaram-se um pouco diferentes, mas sempre voltada para os interesses do governo.

Em 1972, o então governador Paulo Barreto de Menezes, através da Lei n° 1759 de 11 de dezembro de 1972, deu origem à Fundação Aperipê, passando a administrar o complexo de comunicação Rádio e Televisão Aperipê, situado no anexo III do Instituto de Educação Rui Barbosa. A Rádio Aperipê, com o transmissor instalado no Parque dos Faróis, passou a operar com o prefixo ZYJ-920 e a frequência de 630 quilohertz. A Rádio Aperipê desde a sua implantação, inspirada pelo DIP do Estado Novo, de Getúlio Vargas no Governo de Eronildes de Carvalho, sempre pertenceu ao governo do Estado.

Como só o Partido Social Democrático – PSD do governo estadual dispunha de uma emissora de rádio, deixando os partidos da oposição em prejuízo, surgiu a ideia de fundação e criação de uma nova emissora, dando início a rivalidade partidária no estado. A ideia partiu de Leandro Maciel e seus correligionários, através do desejo de falar aos microfones do rádio sobre o seu partido a União Democrática Nacional – UDN. Marcaram então uma transmissão que não foi realizada devido a interferência do atual governo.

Naquela época o extinto PSD – Partido Social Democrático estava no poder e o acesso a única estação de rádio de então, a rádio Difusora, era um sagrado privilégio dos políticos da situação. (THEOTÔNIO NETO, 1983, p. 5)

Então, na década de 50, quando o rádio no sul do país já apresentava sinais de declínio, com o advento da televisão, Sergipe revolucionava a radiodifusão na capital, com a implantação da segunda emissora a Rádio Liberdade AM, do industrial e sergipano Albino Silva Fonseca, inaugurada em 7 de setembro de 1953. A emissora foi instalada para cobrir um evento que marcava a visita do Dr. Leandro Maciel, político da União Democrática Nacional – UDN, à capital sergipana.

A Rádio Liberdade AM, emissora da oposição partidária, fazia transmissões ao vivo e com a participação dos ouvintes. Destacou-se por ser a pioneira nas transmissões de programas como: programas de auditório, concurso do Miss Brasil, o noticiário “Informativo Cinzano”, criado e apresentado pelo locutor Silva Lima. A emissora foi a pioneira nas transmissões esportivas.

Os programas esportivos também fizeram sucesso nas emissoras sergipanas e chegaram a causar conflito entre a Difusora e a Liberdade. A Difusora possuía ligação com os dois estádios da cidade e por isto conseguia irradiar duas partidas de futebol ao mesmo tempo, enquanto a Liberdade, só conseguia transmitir uma.

Silva Lima sente-se prejudicado e vai reclamar com o governo que proíbe a Difusora de irradiar os dois jogos ao mesmo tempo. A rádio era amadorística, estava engatinhando para acontecer uma coisa dessas, o próprio governador fazer uma coisa tão boba, devia ficar satisfeito que a rádio estava progredindo e transmitindo de vários locais (ALVES, apud. PORTO, 2004, p. 22).

A emissora de Albino Silva, conquistou o público durante décadas, o comércio paralisava no horário dos programas da Rádio Liberdade, especialmente, aqueles que traziam notícias, crônicas e fatos políticos. A rádio também foi a pioneira ao trazer para o estado o Rádio Teatro, que mais tarde passou a ser denominado de radionovela.

Vários locutores e produtores passaram pela Rádio Liberdade AM, a exemplo de Fernando Souza, Wellington Elias, Santos Santana, Clodoaldo Alencar, Walmir Mendonça, Santos Souza, Rosevaldo Santana, Raimundo Silva, além de tantos outros, que fizeram a história da emissora.

Desde a sua fundação até a época em que foi vendida ao empresário Heráclito Rollemberg, a emissora era identificada pelo prefixo ZYM-20 e localizava-se em um prédio na Rua Itabaianinha no centro da capital.

A Rádio Liberdade, no ano de 1983, portanto, 30 anos após a sua fundação, transformou-se numa estação de rádio mais moderna, se destacando entre uma das melhores e bem equipadas do país, passando a denominar-se de Super Rádio Liberdade, fruto do investimento do empresário Heráclito Rollemberg.

A Super Rádio Liberdade que à época era dirigida pelo jornalista Teotônio Neto, fazia parte do Sistema Globo de Rádio, sob a coordenação da Rádio Global do Rio de Janeiro, mais tarde voltou a ser denominada de Rádio Liberdade de Sergipe.

Atualmente, a Rádio Liberdade, que pertenceria ao senador da República Almeida Lima, faz parte do Grupo Torres Empreendimentos e está localizada na Rua Pacatuba, Edf. Paulo Figuierêdo, S/N, sendo sua torre instalada no Parque dos Faróis, Município de Nossa Senhora do Socorro, operando com uma frequência de 930 quilohertz a um alcance de 20 quilowatts e identificada pelo prefixo ZYZ-923.

No geral, a implantação das primeiras emissoras em Aracaju, deu-se em virtude das implicações e/ou incidentes políticos. Em 1958, surge a Rádio Jornal AM, uma emissora que contava com membros ilustres da sociedade aracajuana e, principalmente, com o apoio do então presidente da República Juscelino Kubitschek e, que tinha como principal objetivo dar prosseguimento à campanha eleitoral do então candidato ao governo do estado, José Rollemberg Leite.  A concessão para implantação foi imediata.

A rádio Jornal AM, fundada pelo Partido Republicano, aliado do PSD, encontrou dificuldades, quando no dia da sua inauguração, seus adversários políticos (UDN) cortaram o fornecimento de energia, numa tentativa de impedirem o evento. Mas, através da intervenção de seus aliados políticos, a inauguração efetivou-se.

Situada em um prédio da Avenida Rio Branco, próximo à Praça Fausto Cardoso, com o transmissor localizado no Bairro Industrial, a emissora era identificada pelo prefixo ZYM-21, com 500 watts de potência, cobria todo o território sergipano e, principalmente, satisfazia as necessidade do grupo político que a implantou.

A emissora com o tempo conquistou o seu espaço, passando a disputar a audiência dos sergipanos, com as outras emissoras locais. Nos seus programas, contava com a participação de profissionais que se destacaram a exemplo de Gilvan Fontes, Raimundo Luz, Nelson Souza e Acival Gomes, dentre outros.

A programação da Rádio Jornal, incluía transmissão de concurso de misses, programas humorísticos, como o “Alegrias Triunfo”, além de informativos, noticiários e programas políticos. Estes dois últimos foram o forte da emissora (PORTO, 2004, p. 23).

Alguns programas políticos transmitidos pela Rádio Jornal eram considerados polêmicos, merecendo destaque “Sergipe ri e chora” apresentado por Paulo Lacerda, “Carrocinha” por Pedro Raimundo e o “Risolândia”, criado por Raimundo Silva, Nelson Souza e Cadmo Nascimento.

O programa “Risolândia” foi considerado o mais polêmico à época, onde os locutores, com uma dose de humor, faziam críticas ao governo, com relação a falta de atenção do poder público e a perseguição aos adversários, por sua vez, os políticos sentindo-se ofendidos, mandavam dar uma surra nos diretores dos programas. Diante das represálias, o programa teve que sair do ar.

Atualmente a Rádio Jornal AM, opera na frequência de 540 quilohertz e está localizada nas proximidades do Hospital Universitário, situado à Rua Cláudio Batista, no Bairro Santo Antônio. Com o seu transmissor de 10 quilowatts, instalado no município de Nossa Senhora do Socorro, ela cobre todo o território sergipano como também alguns estados do nordeste, a exemplo de Alagoas e Bahia.

Quando os programas católicos deixaram de ser transmitidos pela Rádio Liberdade, por causa de desentendimentos entre a emissora e a Cúria Metropolitana, Dom José Vicente Távora, bispo Diocesano de Aracaju, sentiu-se ofendido e, com isso criou a Rádio Cultura, eminentemente católica e desvinculada de partidos políticos. A Rádio Cultura foi a primeira a ter uma programação 24 horas.

O objetivo de Dom José Vicente Távora era desenvolver um trabalho a fim de promover reformas na alfabetização, utilizando-se de programas radiofônicos. O arcebispo percorreu todas as paróquias no interior do estado, para implementar as ações da Rádio Cultura, ou seja, a criação de escolas radiofônicas do Movimento de Educação de Bases – MEB, obtendo êxito absoluto.

Muitas pessoas aprenderam a ler e a escrever através do MEB. […] cada povoado tinha um monitor que às 18 horas ligava o rádio e ouvia as aulas, distribuía as cartilhas que os agricultores recebiam e acompanhavam a aula. Terminada a aula às 19 horas o monitor ia repassar aquela aula. (ALVES, apud. PORTO, 2004, p. 24).

Inúmeros aparelhos receptores cativos foram instalados no interior do estado, sob a responsabilidade das monitoras que dirigiam as escolas. Os aparelhos eram denominados de cativos porque serem sintonizados exclusivamente na Rádio Cultura.

Por ordem do governo, o programa de Alfabetização à Distância, o MEB, considerado como subversivo, teve que ser retirado do ar, ou a Rádio Cultura seria fechada. O Bispo Dom José Vicente Távora, idealizador do movimento, foi perseguido e, em alguns momentos foi monitorado pela polícia, chegando quase à eminência de uma prisão. A Rádio Cultura foi inaugurada no dia 21 de novembro de 1959, com o prefixo ZYM-22 e contou com a presença do ministro Sette Câmara, representante do então Presidente da República Juscelino Kubitschek, no evento.

Com uma boa qualidade de som e programas cuidadosamente elaborados, a emissora católica manteve-se por muitos anos líder de audiência, merecendo destaque para alguns locutores da época, dentre eles, Manoel Silva com o programa “Alvorada Sertaneja”, Reinaldo Moura com o ‘Roteiro das Onze’, seguido de Dimarães Mota e Jairo Alves com os noticiários. Os programas esportivos sob o comando de José Antônio Marques, Carlos Magalhães, Alceu Monteiro e Wellington Elias, dentre outros, também tiveram altos índices de audiência.

Atualmente a emissora continua com a mesma potência inicial de 10 quilowatts e, mesmo tendo perdido a hegemonia de 1° lugar em audiência, a Rádio Cultura AM mantêm-se com os mesmos propósitos condicionados ao seu lema: “Uma emissora católica a serviço do bem e da verdade”.

A Rádio Cultura AM, dirigida pelo cônego José Carvalho, hoje identificada pelo prefixo ZYJ-921, está localizada em um antigo prédio situado à Rua Simão Dias e o seu transmissor instalado no Parque dos Faróis, operando como uma frequência de 670 quilohertz.

A quarta emissora a ser instalada em Aracaju, foi a Rádio Atalaia, já no final dos anos 60, pelo usineiro e industrial Augusto do Prado Franco com o objetivo de dar mais ênfase à sua carreira política. Pertencente a uma família tradicional do estado não só economicamente mas também na área política, Augusto Franco sentiu a necessidade de utilização do meio de comunicação mais popular da época, o rádio, para dar reforço à sua escalada política.

A emissora que à época tinha seus estúdios localizados no Hotel Palace, teve como parte das comemorações de inauguração, um show com Gerson Filho e Clemilda, realizado em frente à Praça General Valadão.

A fundação da Rádio Atalaia AM foi o seu primeiro degrau para alcançar a sua condição atual de dono da maior rede de comunicação do estado, um conglomerado envolvendo o Jornal da Cidade, duas estações de televisão e outras emissoras de rádio no interior.

A emissora conquistou a audiência dos ouvintes graças ao trabalho das equipes técnica e artística, que se preocupavam em levar para o seu público uma programação de excelente qualidade e com uma boa sintonia.

O prestígio que a Rádio Atalaia AM tem hoje, deve-se o mérito aos programas que foram levados ao ar e que continuam sendo transmitidos, aliados aos outros que se popularizaram. Dentro deste contexto, pode-se citar o programa “Show de Notícias, que sempre teve altos índices de audiência. Merecendo destaque para os profissionais da época, a exemplo de Naírson Menezes, Carlos Mota, Dermeval Gomes e Oliveira Júnior, entre tantos outros.

A emissora encontra-se arrendada para a Igreja Evangélica Assembléia de Deus, sendo o seu quadro de locutores composto, exclusivamente, por pastores.

Atualmente, a Rádio Atalaia AM, está localizada na Rua Cláudio Batista, no Bairro Santo Antônio, cujo transmissor encontra-se instalado no Porto Dantas. Operando na frequência de 770 quilohertz, a emissora é identificada pelo prefixo ZYJ-922 com uma potência de 10 quilowatts.

Integrante do Sistema Atalaia de Comunicação, a emissora é dirigida hoje pelo filho do seu precursor, o ex-deputado federal e empresário Walter Franco.

Texto de autoria de Maria Verônica Santana e Sá.

Pesquisa realizada por Washington Luis e Victor Emerson.

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Atualmente

Atualmente, centenas de emissoras de rádios atuam no cenário da comunicação, desde rádios pública, comercial, ou comunitária, onde a maioria tem se adequado ao avanço das novas tecnologias, estendendo suas notícias, músicas e programas por meio da internet, junto as chamadas ‘Web Rádios’.

O rádio sergipano apresenta grande influência na vida social do povo da terra do Serigy, pois diariamente locutores de vários programas das estações de rádios AM e FM, levam informações sobre diversos temas do interesse coletivo, seja nos cenários da política, esporte, música ou religião. Entre as mais populares estão a FM Sergipe 95,9, Rádio Jornal AM 540, Rádio Cultura AM 670, Princesa da Serra – Itabaiana, Ouro Negro FM – Carmopolis, Xodó, Luandê FM 96.1 – Lagarto, dentre outras.

A rádio da Aperipê AM 630, é a única emissora considerada como pública no estado, sendo as demais voltadas para o seguimento de rádio comercial. No entanto, as rádios comunitárias apresentam um avanço significativo, pois está inserida na capital e no interior do estado, um exemplo disso é a Rádio Comunitária Anchieta FM 105,9, situada na cidade de Aracaju no bairro Augusto Franco.

Segundo Felipe Freire, apresentador do programa Puro Rock, a Rádio Comunitária Anchieta apresenta um proposta onde o público conseguem se identificar com toda programação, ou como este afirmou em nota: “ Eu sempre gostei de rádio, e desde pequeno escutava AM, FM, Jogos de futebol, música e tive o desejo de conhecer como era a estrutura do rádio; recebi o convite para apresentar o programa ‘Puro Rock’, e lá pude perceber que o serviço da rádio comunitária  da oportunidade de participação, pois fala a mesma linguagem da comunidade e as pessoas conseguem se identificar, sendo que em uma outra emissora elas não teriam esta oportunidade. Por isso, as rádios comunitárias tem um número crescente no país inteiro”, afirmou Felipe.

Por: André Santana e Fábio Alexandre

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Radialistas

Olá pessoal! Nesse post vamos mostrar alguns dos principais radialistas que atuam no Estado de Sergipe e destacar os que fizeram história e deixaram um legado muito importante para o radiojornalismo, esporte e entretenimento sergipano.

O radio em Sergipe é composto locutores nascidos aqui e por profissionais de outros estados como é o caso de Clemilda, uma cantora natural de Alagoas, mas que por volta de 1985 foi apresentadora de fato da Rádio Aperipê. José Eugênio de Jesus (96 anos) é o mais antigo radialista sergipano, ele junto a Alfredo Gomes inauguraram a Rádio PRJ6 Rádio Difusora de Sergipe, atual Aperipê AM.

Como grande marco da narração esportiva destaca-se Carlos Magalhães, o único que chegou a transmitir 10 copas do mundo. Outros nomes como Welliton Elias, Antônio Barbosa Melo, César Cabral, Jairo Alves de Almeida, também merecem atenção especial.

Faz parte dessa história também o locutor Herón Ribeiro por ser responsável pela divulgação dos aprovados no vestibular. Laércio Miranda, Augusto Júnior e o seu Comando Geral, Faro Fino, Douglas Magalhães com suas notícias factuais e policiais, Gilvan Fontes o galã que apaixonava as sergipanas, Manoel Silva (in memorian), Manoel Messias, Raimundo Macedo, Antônio Barbosa e Rosalvo Nogueira.

Outro personagem que faz parte do quadro de radialistas do estado é Fernando Cabral, que durante 14 anos fez o programa Resumo Geral da Rádio Jornal e hoje com 30  anos de carreira e 52 anos de idade  é o produtor executivo da TV Aperipê a qual ele inaugurou, como também  é presidente do Sindicato dos Radialistas de Sergipe.

Outros radialistas que fizeram nome em Sergipe merecem destaque como Paulo Lacerda (Jornal da Manhã), Eraldo Souza (Show da Madrugada), Luiz Ramalho (Baile da Saudade), Wilson Tavares (Show de Bola), Júlio César (Sucessos do Povo).

Na Rádio 930 temos Carlos Rodrigues, Juliana Almeida, Otacílio Leite e Eli Augusto. O John Kennedy na 103 FM. Já na Liberdade FM 99.7 temos Evenilson Santana, no programa “Liberdade Sem Censura” e também Edilson Viera o Edmilson “dos Cachinhos” (já falecido), Joe Feitosa, Toni Xocolate, Gilmar Carvalho, Jailton Santana, Valquiria Mirion, Soane Shirley, Magna Santana, Silvio Silveta, Marinho Tiba, Fábio Gama e Gabriel Damásio.

Esses são alguns dos radialistas que compõem a história do rádio sergipano.  Exercendo suas atividades seja na área musical ou na área jornalística esses profissionais  tornam o rádio em Sergipe mais diverso, atingindo diariamente seus ouvintes de maneira informativa, rápida e dinâmica.

Por Aline Goes, Francielle Bispo e Aldair Oliveira

Sergipe Zoom – Senac 2014.

Texto reproduzidos do blog: rtvsergipe.wordpress.com