quinta-feira, 26 de julho de 2018

JLPolítica entrevista Francisco Ferreira

Francisco Ferreira no estúdio do Programa Mural, 
ancorado por Ricardo Gama e Tanit Bezerra

Francisco Ferreira: firmando novos propósitos

Publicado originalmente no site JLPolítica, em 25 de Jul de 2018

Francisco Ferreira: “Quero fazer dos veículos da Fundação Aperipê a casa da sergipanidade”

O jornalista e radialista Francisco Ferreira, diretor-presidente da Fundação Aperipê - instituição estatal mantenedora da TV e das rádios Aperipê AM e FM - está disposto a dar muito de si por esses espaços. E com uma missão bem pertinente: “Quero fazer dos veículos da Fundação Aperipê a casa da sergipanidade”, diz ele.

Homem de comunicação, sobretudo do rádio, com 35 anos de profissão, Francisco Ferreira sempre teve um pé nas assessorias e outro no marketing político. Recentemente, deixou a assessoria do senador Eduardo Amorim e foi parar no posto de diretor-presidente da Fundação Aperipê.

Francisco Ferreira inaugurou, a partir desta quarta-feira, um tour de profissionais de comunicação – ainda que individualizados - aos bastidores da Fundação Aperipê para tentar fazer com que a instituição seja melhor conhecida por dentro em seus propósitos e objetivos.

Enquanto mantenedor do Portal JLPolítica e autor desta Coluna Aparte, fui o primeiro convidado. Depois de conhecer produtos, estúdios e equipes, fiz a entrevista a seguir com ele. Leia.

Aparte - O que é que o senhor pensa como diretor-presidente da Fundação Aperipê? O que é que o senhor pretende pela instituição?
Francisco Ferreira - O que eu penso é fazer com que o sergipano possa conhecer a Fundação Aperipê e suas emissoras. Acho que minha marca será ver o sergipano sabendo que existe uma TV, duas emissoras de rádio e uma boa programação nelas.

Aparte - O senhor acha que terá espaço e apoio do Governo para materializar isso?
FF – Veja: o apoio do Governo vem em decorrência da manutenção da vida delas. Do dia a dia aqui da instituição em si. Esse é todo o apoio que eu preciso do Governo. Eu acho que o Governo tem a sua parcela de responsabilidade em ajudar, seja Chiquinho Ferreira ou qualquer um que esteja aqui na manutenção da estrutura.

Aparte - O senhor está focado nessa missão?
FF – Olha, o dia a dia, esse fazer o sergipano entender o que é isso aqui e a sua importância, é a missão minha. Aliás, é uma missão que a equipe da casa já faz. A missão nossa enquanto diretor-presidente é montar essas estratégias. O Governo nos dá estrutura. Mas as estratégias, o pensar e como fazer o sergipano saber que os veículos daqui são a casa da sergipanidade, o artista saber que aqui é a casa dele, isso é com a gente. Mas é importante também que o artista fique ciente disso.

Aparte – Mas quais serão as estratégias?
FF – A gente tem algumas estratégias. Por exemplo, vamos criar banner anunciando as entrevistas. Veja: se vem um escritor, como hoje temos um escritor no Programa Mural - o Thiago Paulino -, é preciso que isso seja anunciado, até porque esse anúncio vai fazer com que você que nunca ouviu ou nunca viu, diga: “mas, ah, eu me interesso por esse assunto”. A partir do momento que você se interesse por aquele assunto é um caminho que você pode chegar até a Aperipê e não querer sair mais dela.

Aparte – O senhor já fez uma análise completa das grades da TV e das duas emissoras de rádio e do que pode mudar?
FF – Estou fazendo o levantamento amplo daquilo que talvez ainda possa subsistir. Ainda estou nessa fase de levantamento de programa e vamos ver o que talvez não tenha identificação com a sociedade. Já verifiquei a existência de alguns na grade e, às vezes, está acontecendo de ele vir pronto, mas que não traz nenhum apoio cultural. É preciso entender que isso aqui tem despesa e que não é o Governo sozinho apenas que tem responsabilidade pela sua manutenção e aqueles que têm programa aqui também precisam do apoio cultural.

Aparte - Qual o seu conceito, a sua visão, dos três veículos que formam a Fundação Aperipê em si?
FF – A visão é a de que eles hoje fazem parte de um complexo de comunicação que tem o papel extremamente importante para nossa cultura. Aliás, acredito hoje que é só aqui que tem, exatamente, esse elo com a sergipanidade.

Aparte - Qual o seu intuito, intenção, com essa ação de marketing e comunicação de cada quarta-feira trazer um profissional do jornalismo para conhecer a casa e suas programações?
FF - É exatamente o e dar publicidade aquilo que de bom tem por aqui. Porque, insisto, isso aqui, essa casa, é responsável, dentro de sua história, por parte dos bons profissionais que estão em outros veículos, exercendo com qualidade a profissão. Eles aprenderam aqui, passaram por aqui. E quero continuar fazendo com que essa casa continue sendo assim. Por exemplo, a gente tem convênios com as universidades, onde parte do nosso jornalismo é de estagiários. Vamos querer também implementar isso com o Senac na questão dos radialistas, porque hoje nós temos aqui vários profissionais que estão em curso para futuros radialistas, mas que ainda não existe o convênio da remuneração. Mas é aqui que eles estão aprendendo. Então, essa casa precisa formalizar isso.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br/coluna-aparte

sexta-feira, 15 de junho de 2018

sábado, 9 de junho de 2018

O Rádio se Reinventa


Edição Brasileira da Columbia Journalism Review > O Rádio se reinventa

Publicado originalmente no site Observatório da Imprensa, em 06/06/2018 

Memórias de um pioneiro da abobrinha

Por Luiz Henrique Romagnoli 
    
Da gravata dos jornalões à bermuda dos comunicadores bem-humorados, o rádio se reinventa mais uma vez – para se manter vivo na disputa pela atenção do público

Como os demais meios assolados pela disruptividade da internet e pela pandemia da pós-verdade nas redes sociais, o rádio dá seus pulos para tentar se manter relevante na disputa pela atenção do público. Além de enfrentar o smartphone, o tablet, o notebook, a TV e, logo, a geladeira, o aspirador de pó e todas as coisas da internet das coisas, ainda precisa resolver se vai digitalizar seu sinal – e em que formato – enquanto muitas emissoras ainda estão migrando do AM cheio de ruídos para o FM de melhor qualidade, mas alcance limitado.1

Para conseguir lugar na cabeça do público, placas tectônicas da programação radiofônica estão se movimentando. Rádios musicais estão reaprendendo a falar e buscam conteúdo com debates, fofocas de internet, ressuscitando a boa e velha leitura de cartas de amor, acrescentando esporte e colunistas. Rádios populares estão se atualizando ou morrendo, como a Globo AM, cuja histórica programação vencedora, mas deficitária, foi extinta no Rio e em São Paulo, e agora recomeça do zero. E nas jornalísticas, nas quais o rádio já era falado, a busca é pela atualização da linguagem e pauta, transitando em estágios diferentes no figurino da informação, da gravata dos jornalões à bermuda dos comunicadores bem-humorados.

Nos outros meios, a informalidade, o bom humor e pinceladas de leveza na pauta já estão em andamento há tempos. Na imprensa escrita aparece menos no noticiário corrido e mais no reino dos colunistas, com seu novo arsenal de deboches e apelidos. Na TV, transitar fora do texto exige talentos que não se ensinam na faculdade, como improviso, timing, simpatia e domínio de cena, e expõe os profissionais mais cintura-dura. Mas com certeza a comunicação já está mais natural.

Beijinho, beijinho e pau, pau

No rádio, alguns desses movimentos também têm sido registrados nos últimos anos. A Jovem Pan escalou na audiência ao mandar às favas os parâmetros reconhecidos de isenção, vestindo a camiseta canarinho e batendo panelas com a classe média irritada com o governo Dilma Rousseff, tendo como estrelas novos porta-vozes do conservadorismo, como Reinaldo Azevedo (agora na Band News FM) e Marco Antônio Villa.

A alta temperatura e a agressividade repercutem no público-alvo e podem ter se mirado no megassucesso do DJ americano Rush Limbaugh, um líder de audiência que se gaba de ter resgatado na população de seu país o orgulho de ser conservador. Em seu programa coast-to-coast, ele desanca os liberais, as feministas e não se importa de ser polêmico, como ao defender o porte de arma e a NRA – National Rifle Association –, desqualificando como “políticas” as queixas de estudantes sobreviventes do recente ataque na Flórida. Ostenta ainda a glória de “salvar” o rádio AM com sua maciça audiência, que passa dos 10 milhões de ouvintes. O que, trocando em graúdos, significa estar sempre rondando o top 10 das personalidades mais bem pagas na lista da Forbes. Em 2017, por exemplo, empatou com o Guns N’Roses e deixou para trás Justin Bieber e Lionel Messi. Entre suas fontes de renda, estão livros que entram sempre na lista do New York Times, alguns deles para o público infantil, em que faz gozações com os pioneiros pais da pátria estadunidense.

Num outro registro, inédito, Ricardo Boechat faz sucesso nas manhãs da Band News FM, menos pela posição ideológica – que consegue despertar críticas simultâneas de lados opostos do espectro – e mais pela tocada. Em uma hora e meia de programa, das 7h30 às 9h, que ele habitualmente estoura, mistura comentários ácidos contra o Estado incompetente, galhofas com o jogo político, discursos autodepreciativos com que se justifica por algumas opiniões rasas como uma conversa no táxi, e um lado fofo que manda abraços para ouvintes aniversariantes e atende a pedidos de beijos para crianças e idosos como num programa de comunicador de AM. Com essa fusão, Boechat tornou-se um popstar tardio do radiojornalismo.

Só se fala em all news

A chegada das all news – CBN, Eldorado/Estadão e Band News FM à frente – e os movimentos da Jovem Pan, retransmitindo o jornal e o futebol pela FM e depois com sua virada conservadora, são exemplos diferentes de como a linguagem e a abertura da pauta avançaram no rádio.

Na CBN, veterana entre as redes, a maior dificuldade foi colocar em pé uma ideia com o potencial de sucesso que se confirmou, mas amargou um longo período no vermelho. Em São Paulo, onde ficaria o comando do jornalismo e o maior foco do departamento comercial, mesmo o poderoso Sistema Globo de Rádio não conseguiu provar ao tal mercado que era possível ter uma rede de notícias 24 horas puxada por uma FM. E precisou desmontar a equipe que preparava a Rádio Globo Rural AM, que entraria no lugar da Excelsior, para colocar o sinal da CBN em rede com a FM, prefixo 90,5 khz, onde substituiu a malresolvida ex-Globo FM ou Globo 90 ou XFM. E o que era para ser provisório acabou se tornando definitivo.

Com um pé em cada canoa, seria mesmo difícil investir em inovações radicais de linguagem e abordagens. As novidades já eram bastantes para a época, com a criação da figura do “âncora”, na qual Heródoto Barbeiro, competente e notoriamente sisudo, se destacou. No quesito descontração, durante muito tempo, o máximo a que se permitia a equipe era uma troca de gozações nos dias seguintes aos jogos de futebol. Voltaremos a isso.

“Cambada de ordinários”

A Band News FM já pôde seguir a trilha aberta pela CBN e estreou como uma rede de emissoras na frequência modulada. O conceito, também trazido de rádios americanas, é de jornais rotativos de 20 minutos. A escolha do âncora do principal horário matutino recaiu sobre Carlos Nascimento, de qualidade profissional que dispensa confete, mas que não passou na fila do bom humor ao nascer. Em outra escolha pelo sorumbático, Boris Casoy apresentava o horário de fim da tarde, usando sua persona de jornalista sério e indignado e não seu jeito bem-humorado fora do ar, cheio de imitações e piadas.

O ajuste foi difícil. A equipe tentava se soltar no texto, e por estranho que pareça o estilo que mais dava cara à emissora vinha de uma profissional egressa do meio impresso, Inês de Castro. Na pauta, a seriedade acabava afunilando os assuntos. Lembro da torturante experiência de passar uma hora e meia num dos tradicionais congestionamentos das marginais de São Paulo conferindo o desempenho da então jovem rádio, em que fui exposto à cotação do dólar por oito inúteis vezes.

O tempo se encarregou de dar segurança ao time dos apresentadores coadjuvantes, que estabeleceu fio terra com o público e passou a conversar mais, fazer rádio, enfim. Os amigos Luiz Megale e Eduardo Barão levaram a apresentação para a mesa do churras do fim de semana e as “meninas” Sheila Magalhães, Tatiana Vasconcellos e depois Carla Bigatto conseguiram atravessar o muro de mau humor caiado de machismo que nega às mulheres credibilidade suficiente para representar um bastião do jornalismo, como o Grupo Bandeirantes. E, sim, ativaram a audiência jovem feminina, pois, afinal, o público do radiojornalismo há muito deixou de se encaixar no estereótipo do pai de família de terno com colete de algibeira. Que sabia o significado de “algibeira”. Para estes existe o venerando Jornal Gente, da Bandeirantes AM, que todo estudante e jovem jornalista precisa ouvir ao menos uma vez na vida, no qual José Paulo de Andrade e Salomão Ésper desenvolvem com maestria um programa vintage, com verrinas, diatribes, rabugices, estocadas de florete e espadagadas de durindana (joguem no Google, jovens).

Nesse contexto, a chegada de Ri-cardo Boechat, com um insuspeito talento de comunicador, criou um horário em que o jornalismo tradicional é tratado a bordoadas e chacota. O sessentão buenairense criado em Niterói traz para a cena com naturalidade histórias familiares envolvendo a esposa, “Doce Veruska” (a jornalista Veruska Seibel), as filhas mais novas, Valentina e Catarina, e a mãe, “Doña” Mercedes. A parceria com José Simão, decano da abobrinha jornalística, gerou uma química que faz ouvintes marcarem o início do dia produtivo para depois da coluna.

Mas mesmo a dupla de sucesso precisou pegar embocadura. A diferença do deboche paulistano para o humor carioca mais pesado (a palavra exata é “sacana”) pode ser demonstrada num dos bordões de entrada, no qual José Simão faz cócegas nos ouvintes em portunhol: “Acuerda, macacada”, e Boechat usa a borduna: “Cambada de ordinários!”.

Uma característica de Boechat, comum a boa parte dos apresentadores, é ser autodidata em rádio. Ele me contou numa entrevista que jamais abriu um livro ou uma pesquisa sobre o rádio para formar sua persona. Não que haja abundância de literatura que saia do anedótico ou do jargão acadêmico. Mas seria interessante conhecer um pouco da história do jornalismo bem-humorado no ar.

No início era o Trabuco

O radiojornalismo nasceu e seguiu durante muitos anos sem registro de relação com o humor, nem com a informalidade. Qualquer brincadeira com as notícias só era consentida – ainda assim, de acordo com os interesses do regime em vigor – nos seus devidos lugares: os programas humorísticos, onde reinaram Alvarenga e Ranchinho, Zé Fidelis, Jararaca e Ratinho, Max Nunes, Castro Barbosa, Lauro Borges e outros.

A primeira manifestação de quebra do protocolo da seriedade jornalística aparece em 1962 na Rádio Bandeirantes com o programa O Trabuco, apresentado pelo radialista e ator Vicente Leporace, no qual lia os jornais do dia e disparava seus comentários carregados de ironia. Às vezes, o apresentador era convocado pela polícia política, mas a liberdade de crítica era franqueada pelo proprietário da emissora, João Saad, genro do governador Adhemar de Barros, e, ao final dos programas, Leporace, que reinou único até sua morte, em abril de 1978, escancarava suas preferências declarando-se “corintiano e ademarista”.

Ditadura, jeans e esporte

Durante a maior parte da ditadura militar, o rádio, como os demais meios, manteve-se calado por força da censura ou de autocensura. Com a agravante de ser uma concessão do governo cujo fechamento requeria muito menos trabalho e desgaste do que recolher milhares de exemplares de jornal. Muitas emissoras foram fechadas com a presença de uma singela guarnição policial ou uma simples canetada de segundo escalão.

As manifestações de informalidade e bom humor começaram a chegar quando as condições que levaram à abertura dos anos 1980 formaram o caldo da renovação tocada pela primeira geração de jovens formados num ambiente menos opressivo e por sobreviventes bem-humorados dos anos mais pesados.

Esse contexto local se alinhava ao movimento global de abertura de espaços para o jovem como público consumidor. A sociedade de consumo absorveu a contracultura do Flower Power, os gritos das manifestações estudantis e sua rebeldia e devolveu produtos e modas para servir a esse novo cidadão que não queria a mesma roupa, cabelos e música dos seus pais.

Mais explícito do que tratados acadêmicos, este diálogo na redação da Rádio Jovem Pan em 1979 explica o momento: num domingo à tarde, com a jornada esportiva rolando solta, o diretor de jornalismo, Fernando Vieira de Mello, recortava nos jornais matérias que pudessem ser recicladas para reforçar o jornal de segunda, dia geralmente fraco para o noticiário de rádio. Do seu aquário no meio da redação, divisou a caminho dos estúdios o radialista Milton Neves, então apenas plantonista de esporte e gritou ao seu estilo:

– Miltooon, o que é jeans?

A resposta veio sem muita elaboração, com sotaque de mineiro de Muzambinho:

– Ah, Fernando, jeans é moda.

Suficiente para receber a réplica:

– Você é ignorante, Milton. Jeans é comportamento!

Apesar da sintética riqueza da constatação, não seria na Jovem Pan AM que a linguagem acompanharia a mudança dos tempos.

O rádio traria ao jornalismo a leveza temperada com ironia por um caminho inusitado, o esporte, geralmente um espaço monocórdico bitolado no mundo do futebol. Veio de lá a narração de Osmar Santos, cheia de jovialidade com novas gírias e bordões. Com seu passe valorizado na transferência da Rádio Jovem Pan para a Rádio Globo, audiência e faturamenrto em alta, o locutor conseguiu abrir na Rádio Excelsior, do mesmo Sistema Globo de Rádio, um espaço que chegaria a duas horas, das 12h às 14h para fazer o programa Balancê, uma caótica mistura de jornalismo, esporte e cultura.

Assim era rompida a divisão rígida entre os departamentos, que nas grades tradicionais das emissoras dedicava a hora do almoço a programas separados para jornalismo e esporte. Acompanhado por Juarez Soares, o “China”, cronista esportivo de intensa atividade sindical e política, e Fausto Silva, então repórter de campo que se destacava pelo raciocínio rápido e bom humor, Osmar Santos trouxe também o humor escrachado com a dupla Nelson “Tatá” Alexandre e Carlos Roberto “Escova”, vindos do Show de Rádio, tradicional programa de humor esportivo, criado por Estevam Bourroul Sangirardi e apresentado na Jovem Pan após o futebol.

Um episódio típico pescado na internet começa com um comentário sarcástico de Osmar Santos sobre a repercussão internacional da dívida externa brasileira, colado a uma externa com Fausto Silva dando o furo da renovação do contrato do craque Sócrates, do Corinthians. A produção unia o esporte, com Paulinho Mattiussi, depois Odir Cunha, com o jornalismo via Yara Peres. Finalmente, mas não menos importante, o programa tinha o sonoplasta Johnny Black (João Antonio de Souza), que criava ilustração e “comentários” sonoros, com trechos escolhidos de músicas, que selecionava de acordo com a pauta do programa.

O garoto e a rapaziada

Se a revolução do Pasquim e as outras bossas do humor e jornalismo cariocas aconteciam nos bares da beira-mar, nada mais paulistano do que os pioneiros da linguagem mais soltinha serem encontradiços numa cantina italiana. O “polpetone” do Jardim di Napoli atraía Faustão, Osmar, Juarez, mas também o publicitário Washington Olivetto, o menino-prodígio que colocou a propaganda brasileira no mapa dos prêmios internacionais, trocando os galãs dos anúncios pelo magrelo e sem jeito Carlos Moreno e deixando a linguagem da propaganda mais coloquial e bem-humorada. Outro habitué era Serginho Leite, famoso locutor de FM.

É onde entra o meu depoimento sobre o começo da linguagem jornalística em frequência modulada, uma antepassada esquecida das rádios mais conversadas de hoje.

Em 25 de janeiro de 1980, num aniversário de São Paulo, era inaugurada a Rádio Cidade FM, do grupo Jornal do Brasil, com a missão de repetir o meteórico sucesso obtido pelo formato no Rio de Janeiro, onde foi lançada em maio de 1977 e rapidamente chegou à liderança da audiência.

O segredo era dar liberdade aos locutores para improvisar, desimpostar a voz, dialogar com o ouvinte, ao mesmo tempo que operavam a mesa de som, assumindo completo controle sobre a dinâmica da rádio. Misturava técnicas de DJs das rádios americanas com a carioquice dos apresentadores. Foi um sucesso entre os jovens de classe média para cima, parte importante do total de ouvintes de FM – o que se explica pela raridade dos aparelhos que captassem frequência modulada, presentes basicamente em automóveis e em grandes receivers de mesa. O walkman e seus similares só surgiriam na virada dos anos 1980.

Golpe no embalo do funk

O chefe de redação do Jornal do Brasil, João Batista Lemos, me chamou ao aquário para comunicar a transferência para a rádio, ordenando: “Tome conta daquela molecada, não deixe falar muita bobagem”. Aquela molecada? Eu tinha 22 anos!

Logo aprendi que as notinhas, cinco por hora, não deveriam seguir o figurino dos jornais impressos, o ritmo das agências de notícias nem das rádios jornalísticas como a Jovem Pan, mesmo nos seus momentos de variedades. A concorrência primária não era nem sequer entre notícias mais ou menos adequadas. Era da fala com a música. Mesmo a locução conversada dos apresentadores recebia críticas de ouvintes pelo telefone. Eles queriam gravar os sucessos favoritos em seus gravadores de fita cassete e “aquela falação” atrapalhava. Um dos procedimentos dessa nova dinâmica era falar, notícias inclusive, ocupando os tempos instrumentais do começo ou final da música.

Um episódio limite no conflito entre o novo formato e o “velho” jornalismo se deu numa tarde de abril de 1980, quando o apresentador Edmir Rabello resolveu entremear um animado funk com uma notícia sobre um golpe de Estado na Libéria. Entre cada frase que lia, descrevendo os horrores e mortes no país da África, aumentava o volume da sacolejante música. Surpreso com a minha reação e com a reunião com a coordenação que se seguiu, candidamente defendeu sua atitude em nome da manutenção do “pique” da rádio.

A fórmula com texto mais próximo do coloquial, a mistura de temas mais leves com as informações realmente relevantes do dia, foi surgindo aos poucos. Os locutores começaram a se relacionar melhor com as notícias e transmitiam com maior envolvimento e propriedade. A alquimia teve o apoio ativo do apresentador Paulo Leite, o “Velho Milk”, e do repórter da sucursal do JB, Fernando Zamith, e a cumplicidade do coordenador Carlos Townsend. As queixas contra as notícias diminuíram substancialmente.

A fórmula da abobrinha

Na nova prática, números eram arredondados. Quem queria saber dos centavos do prêmio da loteria? Manchetes retrancando os casos mais famosos eram herança dos jornalões falados. Algumas notícias que demandavam mais espaço podiam ser seccionadas e retomadas mais adiante. Também era aconselhável considerar o ambiente político, a “abertura lenta e gradual” conduzida pelo general Geisel. O final da censura prévia à imprensa era uma memória muito recente e minha presença ainda era solicitada no “aquário” para ajustes.

Além dos assuntos sérios da política, economia e internacional, a pauta também tentava se aproximar do cotidiano do ouvinte falando sobre música, diversão e arte. E, para reforçar e dar substância à relação leve e amistosa dos apresentadores com o público, abrimos espaço para a tão recriminada “abobrinha”.

A centenária senhora chinesa que revelava que seu segredo de longevidade incluía álcool, cigarros e comida gordurosa; a pesquisa científica que informava que ratos detestam queijo; o técnico de futebol daltônico que gritava para o juiz fazer gol; o primeiro voo fretado de nudistas para visitar praias brasileiras. Esses são alguns exemplos dessas “não notícias” hoje completamente incorporadas ao dia a dia dos meios de comunicação.

A proporção das “abobrinhas” não passava de um quinto ou menos do noticiário. Mas sua “visibilidade” era tanta que merecia elogios dos ouvintes, mas muitas críticas na imprensa “séria”, que pregava a pecha de alienadas, como tascou Heródoto Barbeiro num prefácio: “De um modo geral, as emissoras de FM aceitam apenas notícias engraçadas, descomprometidas, otimistas, dirigidas ao público jovem”.

Heródoto acertava no atacado: a situação piorou para o tratamento da informação porque o sucesso das FMs causou a cobiça de grupos ligados a políticos, principalmente durante o governo Sarney. Por serem concessões gratuitas de manutenção barata, com equipe reduzida em relação ao AM, muita música, bom faturamento e a vantagem de poder falar bem do dono candidato a cada dois anos, as novas rádios viraram logo moeda de troca. Nesses prefixos, a redação se resumia ao “recórter” – um estagiário munido de tesoura.

O jornal e mais 12 músicas

A fórmula da Rádio Cidade foi um sucesso também em São Paulo. A liderança chegou em menos de dez meses e, com ela, o assédio aos profissionais por outras emissoras. Em agosto de 1981, a Jovem Pan 2, o FM da rádio Panamericana, levava os apresentadores Paulo Leite, Serginho Leite, Cesar Rosa e este autor, encarregado de cuidar de jornalismo, produção e promoção.

A missão era um desafio e enfrentava muita desconfiança. Ao ser apresentado pelo filho Tutinha ao pai, “seu” Tuta, Antônio Augusto Amaral de Carvalho, antes de receber a mão para o cumprimento levei um “puxa, mas como é jovem”. Não funcionou o bigode que eu cultivava e deveria me dar mais credibilidade.

Depois de preparar o pequeno exército que recebi, meia dúzia dos mais jovens estagiários, toca enfrentar a resistência dos repórteres da AM, que reivindicavam, com razão, um extra para trabalharem também para a FM. Com uma pequena catequese sobre o formato da notícia na jovem emissora e de um ajuste da área técnica e de operação, logo estávamos pilotando uma programação com informação que não faria feio em uma emissora jornalística.

Das 7h às 9h, Serginho Leite inseria praticamente todas as notícias do Jornal da Manhã do AM compactadas nas introduções de músicas, além da meteorologia, correspondentes internacionais, trânsito e flashes ao vivo. Ainda tinha um boletim mais robusto de dois minutos nas horas cheias. Sem deixar de tocar pelo menos 12 músicas a cada 60 minutos. Em pouco tempo, a Jovem Pan 2 conquistava a liderança da audiência.

A chegada do walkman e principalmente de suas contrafações nacionais baratas abriu espaço para classes mais baixas entrarem aos borbotões no reino da música e alegria. Para atender ao novo público, vieram novos ritmos emergentes, como pagode, axé e sertanejo, e as boys bands, como os Menudos. Por essa época, Carlos Siegelman, responsável pela Rádio Manchete, me ligou pedindo um projeto para adequar a fala da sua emissora, que disparava tocando os novos sucessos de apelo popular, mas cujo jornalismo ainda informava a situação dos aeroportos, com interesse improvável para os jovens da periferia. Em alguns dias, liguei com a resposta, mas Carlinhos me dispensou alegremente: “Não precisa mais. A gente já chegou a primeiro do Ibope”. Com informações direto de Cumbica.

As emissoras que se dispunham a chegar à liderança deixaram de se preocupar com a qualidade da informação jornalística, restringindo-se às obrigações da legislação. O jornalismo ficou esparso em poucas emissoras e o rádio FM, no geral, voltou ao automático. Boas experiências como na Eldorado FM e 89-Rádio Rock não deram cria.
E cada vez que precisa soltar a linguagem, o rádio começa do zero.

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Luiz Henrique Romagnoli é jornalista, professor e presidente da Associação das Produtoras Independentes de Rádio e Outros Conteúdos de Áudio (Apraia). Passou pelo Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, Grupo Bandeirantes, Transamérica, entre outros. No governo Lula, formatou e dirigiu o programa Café com o Presidente e coordenou as mudanças na Voz do Brasil.

Texto e imagem reproduzidos do site: observatoriodaimprensa

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Morre presidente do Sindicato dos Radialistas de Sergipe


Publicado originalmente no site F5 News, em 05/06/2018 

Morre presidente do Sindicato dos Radialistas de Sergipe

Auvanilson Santana estava internado vítima de infarto    

O Sindicato dos Radialistas do Estado de Sergipe comunica com pesar o falecimento de seu Presidente Executivo Sr. Auvanilson Santana. O mesmo estava internado desde o último dia 30.05, vítima de um infarto. Hoje à tarde veio a óbito, e o corpo será conduzido a sua terra natal , Itabaiana, onde será sepultado amanhã dia 06.06.18, com horário a ser divulgado posteriormente. O rádio sergipano está de luto.

Fonte e foto: Sindicato dos Radialistas de Sergipe

Texto e imagem reproduzidos do site: f5news.com.br

domingo, 3 de junho de 2018

Dois prefixos musicais lembram Dom Luciano, na Rádio Cultura



Dois prefixos musicais (BGs), usados pela Rádio Cultura de Sergipe, que me fazem lembrar de Dom Luciano José Cabral Duarte.

Lembrança e Saudade das homilias de Dom Luciano

O primeiro prefixo musical, me reporta à década de 60/70..., quando a Rádio Cultura de Sergipe anunciava as 7 da manhã de todos os domingos (não sei se hoje ainda anuncia, com outro pároco, é claro), que: "a partir de agora passaremos a transmitir direto da Igreja São Salvador, o Santo Sacrifício da Missa, com o Arcebispo Metropolitano de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte". Lembro que não perdia por nada a homilia de Dom Luciano, uma das maiores culturas do estado de Sergipe.

Felix Mendelssohn - Symphony No. 4 in A major, Op. 90 "Italian" - I. Allegro vivace.



O segundo prefixo musical, quem não lembra, quando Dom Luciano José Cabral Duarte, apresentava todos os domingos, pela Rádio Cultura de Sergipe, às 12h30, "A HORA CATÓLICA", programa de uma audiência impressionante, pois com sua inteligência e cultura, 
Dom Luciano dava uma aula todos os domingos.
  
Beethoven - Symphony No.6 in F major op.68 "Pastorale" - III, Allegro

terça-feira, 29 de maio de 2018

Programa Nação Nordestina completa 11 anos na Aperipê FM


Publicado originalmente no site Aperipe, em 25/05/2018 

Programa Nação Nordestina completa 11 anos na Aperipê FM

Nação Nordestina - Rádio Aperipê

Neste mês de maio, o programa Nação Nordestina completa 11 anos ininterruptos no ar pela rádio Aperipê FM 104,9. Focado na música e na cultura regional, sempre acompanhada de causos e da interação do ouvinte, inclusive de outros Estados, o programa é transmitido todos os domingos das 8h às 10h da manhã. Para marcar o aniversário e a proximidade do período junino, uma programação especial foi preparada – o Arraiá do Nação Nordestina -  que focará no mais autêntico forró.

Segundo o apresentador e produtor Paulo Corrêa, de maio até junho o foco será o artista nordestino que faz forró. Até porque foi a partir desta expressão cultural que o programa surgiu, a partir do convite do diretor da rádio na época, e em virtude dos trabalhos criados por Paulo em 2001, o Fórum do Forró de Aracaju e a Marinete do Forró, até hoje atrações culturais para aracajuanos e turistas da capital sergipana.

Corrêa conta que desde o início o programa foi criado com três quadros: “a Estação Sergipe, para mostrar as músicas produzidas por nossos artistas; o Conversa com Matuto, com poesias matutas declamadas por poetas como Patativa do Assaré, Jessier Quirino, Chico Pedrosa e às vezes alguns repentistas, que tem uma linguagem bem do interior; e o Baú da memória, onde busco nomes que foram muito importantes para a música nordestina e que estão fora da mídia”, explica.

Além disso, dentro do repertório do programa entram ainda os grandes nomes levaram a música nordestina para o mundo, como Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi, os  mestres do forró como Dominguinhos, Trio Nordestino e Marinês, até a nova geração de cantadores como Santana e Targino Gondim, e ainda os cantores mais “pop”, tipo Zeca Baleiro, Chico Cézar, entre tantos outros. Como produtor cultural e pesquisador de música, ele mantém a preocupação com a qualidade artística-cultural do repertório e com o caráter educativo da própria Aperipê, destacado por Corrêa.

“A importância da Aperipê é muito grande, ainda mais num momento que a gente vive no país, porque a gente sabe que a própria direção tem também a consciência de mostrar uma programação educativa e cultural. De repente poderiam querer abrir espaço, tornar mais próxima das outras emissoras, mas a Aperipê tem tido uma preocupação de ter uma programação com um rico conteúdo seja no jornalismo, na parte de esportes, e na parte musical e cultural eu sinto, então isso é uma coisa que no Brasil está muito resumida as emissoras públicas, esse caráter educativo cultural”, opina.

Além da pesquisa musical e produção de Paulo Corrêa, nesses mais de 10 anos também colabora com o programa na produção e direção, e mais recentemente na administração dos perfis nas redes sociais, sua companheira Kalina Elizabete. 

Sucesso há 11 anos

A partir de 2017, após uma década de programa, algumas mudanças ocorreram de forma espontânea. Pelo prestígio e sucesso alcançados, o programa passou a ser retransmitido pela Rádio UFS /92.1, aos sábados das 12h às 14h. “Isso partiu do coordenador da rádio UFS, Péricles, que me procurou dizendo que estava achava que seria interessante pelo perfil do programa. Marcamos com o diretor-presidente da Aperipê e com o diretor das rádios e formalizamos em 2017 essa retransmissão, acho que porque atinge também um grande público universitário”, explica.

Também a partir do ano passado para cá, e talvez por este aumento na audiência, a procura por parte de artistas sergipanos cresceu substancialmente, todos querendo alguns minutos para divulgar seus trabalhos pelas ondas da Rádio Aperipê FM. “Desde o primeiro programa ele sempre foi ao vivo, com foco musical e eventualmente eu fazia algumas entrevistas, como eu fiz duas vezes com Dominguinhos por telefone e fazia com artistas locais também, mas era uma coisa esporádica. Creio que por conta da audiência do programa a procura começou a acelerar muito. Antes eu procurava por eles, mas agora tenho uma lista com mais de vinte artistas querendo participar do programa e o tempo tem ficado curto para a parte musical. Semana passada tivemos Lula Ribeiro, Chico Queiroga e Antônio Rogério no nosso estúdio”, comenta.

Corrêa atribui tamanha repercussão principalmente ao zelo e cuidado que tem com a qualidade da programação. “Eu prezo muito o estilo do programa e não abro mão para inserções para músicas que são comerciais e que são impostas pelo mercado. Na verdade, eu que sou do meio da comunicação e pesquiso muito isso, acredito que no chamado ‘gosto popular’ há uma escolha induzida, porque em todo Brasil vários desses empresários de artistas compram horário nas emissoras para só tocar esse tipo de música”, polemiza o apresentador.

E o público parece compreender a alma do programa, pois a audiência não para de crescer, algo percebido pela procura e participação. “O mais interessante é que apesar de ter essa visão e exigência, de não tocar certo tipo de música no programa, por incrível que pareça e isso me surpreende cada vez mais, eu constato que o programa tem público em todos os segmentos. Vou no mercado municipal e o cara ouve minha voz e me diz que ouve o programa, tem taxista que me para na rua par dizer que ouve o programa, tem promotor, diretor de escola, então eu percebo claramente que o programa não tem um segmento específico de público, por todo esse retorno que tenho percebido que ele atinge vários segmentos”, conclui Paulo Corrêa.

Matéria: MKT Aperipê

Texto e imagem reproduzidos do site: aperipe.com.br

sábado, 26 de maio de 2018

FM Itabaiana/Portal 93 Notícias visitam Sistema Atalaia...


 Genário Santos participando do programa 
Quatro em Campo.


 O coordenador artístico da MIX, Evaldo Costha, 
acompanhou os profissionais na visita.

Os diretores da Mix e FM Itabaiana, 
Rinaldo Soares e Carlos Eloy, discutindo a possibilidade
 de uma parceria na cobertura 
da Festa dos Caminhoneiros de Itabaiana.

 Estúdio móvel da Rádio 93.5 MIX FM Aracaju.

 Carlos Eloy e Danilo Cardoso com os apresentadores
 Gilvan Fontes e Gilmar Carvalho.

 Josie Mendonça e Gilvan Fontes no estúdio do JE 2ª edição.

Marcos Nunes, Luciano Oliveira e Franklin Andrade 
nos estúdios da TV Atalaia.

Publicado originalmente no site 93 Notícias, em 24 de Maio de 2018

FM Itabaiana e Portal 93 Notícias visitam Sistema Atalaia de Comunicação

A equipe da FM Itabaiana e Portal 93 Notícias realizou uma visita técnica ao Sistema Atalaia de Comunicação na tarde desta quarta-feira, 23. O objetivo foi conhecer in loco os estúdios e departamentos da emissora.

“O contato direto com o ambiente de trabalho e outros profissionais é excepcional para a troca de experiências, por isso viemos aqui e assim incorporar novas ideias aos nossos projetos”, comenta o diretor da FM Itabaiana e Portal 93 Notícias, Carlos Eloy.

Durante a visita, os jornalistas e radialistas puderam conhecer os estúdios de rádio (Mix FM e CBN Aracaju) e TV, assim como o estúdio móvel da Mix, redação do Portal A8SE, toda a estrutura da empresa e profissionais em cada área.

“A gente chega pequeninho.. Mas olhando a grandiosidade que eles têm e com essa troca de experiências e analisando nossa realidade conseguimos perceber que já fazemos muita coisa que causa uma dinâmica grande e que estamos evoluídos, avançados. Pegamos muitas dicas que podemos reaproveitar para agregar ao que já temos em prática”, comenta o radialista da FM Itabaiana, Luciano Oliveira.

“Toda experiência, todo conhecimento é bem-vindo, então você vê questões simples ou ideais novas para aprimorar ou se espelhar neles, tanto na rádio quanto no Portal”, destaca o jornalista Franklin Andrade. “Vou aproveitar e fazer algumas mudanças graças a essa visita”, acrescenta o radialista Marcos Nunes.

“Da visita, o que gostei mesmo, foi de ver o Gilmar Carvalho e Gilvan Fontes e saber a humildade que ambos têm e o fato de eu ter sido convidado e participar do programa Quatro em Campo da CBN”, expressa o radialista, Genário Santos.

“Para mim, além de acompanhar de perto um pouco como é feito o trabalho seja na TV, no Portal ou nas suas rádios, essa visita ficará marcada porque pude conhecer pessoalmente a pessoa que considero o melhor apresentador de telejornal do estado, o Gilvan Fontes”, expôs com entusiasmo a jornalista Josie Mendonça.

Para o jornalista Danilo Cardoso, conhecer a estrutura do Sistema Atalaia de Comunicação renova as ideias e traz ainda mais incentivos. “Como jornalista, sempre estou observando o conteúdo produzido pelos outros portais de notícias, mas conhecer de perto tudo isso é muito mais válido. Renovei minhas ideias e tenho certeza que colocaremos em prática muito do que vimos aqui”.

Texto e imagens reproduzidos do site: 93noticias.com.br

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Estúdio CBN - Apresentação: Dênison Ventura

14 de maio/2018, estreia do programa Estúdio CBN, 
com apresentação de Dênison Ventura, trazendo debates 
e entrevistas com assuntos polêmicos, entretenimento 
e informações quentes. Acompanhe de Segunda a Sexta, 
das 14 às 16h, aqui na 90,5 FM.
Texto e imagem reproduzidos do facebook.com/cbnaracaju

sexta-feira, 11 de maio de 2018

quinta-feira, 10 de maio de 2018

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Entrevista com Carlos Magalhães


Publicado originalmente no site Alô News, em 21/04/2018

Exclusiva do Alô: A entrevista desta semana é com Carlos Magá, radialista, narrador esportivo, odontólogo e ex-professor

Eu tive a alegria em começar no rádio cedo. Eu me graduei em odontologia na Universidade Federal de Alagoas em 1962 e conclui também o curso de Ciências e Letras Neolatinas

Carlos Magalhães o ícone do rádio sergipano e o maior narrador esportivo, com mais de 60 anos de atividade no rádio. Mais conhecido como Magá o radialista, narrador esportivo, odontólogo e ex-professor do curso na UFS nos concedeu essa entrevista nos bastidores dos estúdios da Rádio Jornal 540 Am. Conheça um pouco da história de um dos mais antigos comunicadores sergipanos.

Alô News – Conte-nos um pouco de sua história, sua trajetória de vida.

Carlos Magalhães (C.M)* - Primeiro cumprimento ao ilustre entrevistador. Tenho um prazer imenso em dizer que sou um sergipano de Propriá, eu nasci em 1938, fiz 80 anos recentemente, e tenho 62 anos de atividade profissional ininterrupta. Além disso eu tive a alegria em começar no rádio cedo. Eu me graduei em odontologia na Universidade Federal de Alagoas em 1962 e conclui também o curso de Ciências e Letras Neolatinas também em Alagoas. E em 1967 eu conclui o mestrado de Saúde Pública em Manguinhos no Instituto Osvaldo Cruz, onde funcionava a escola nacional de saúde pública.

Durante toda a minha vida profissional exerci atividade em rádio, comecei na rádio difusora de Alagoas e fui o primeiro locutor fundador da rádio Gazeta em 1958, e eu já estava como profissional do rádio.

Na odontologia fui professor titular da Universidade Federal de Sergipe na área de saúde pública, fiz concurso; fui fundador do curso de odontologia e exerci também a profissão em consultório. Eu diria que tenho uma caminhada de vida muito boa ao lado de uma família maravilhosa. Sou casado com a Maria que é capixaba, filha de italianos. E exerci as atividades profissionais com muito afinco, com muita vontade de vencer.

Alô News – Na odontologia o senhor exerceu a profissão por quanto tempo?

C.M – Até que me aposentei da UFS. Aliás, eu tive a oportunidade de desenvolver um projeto muito interessante para a comunidade... Quando João Garcez, que era odontólogo, foi governador do Estado (substituindo Lourival Batista), eu, a pedido dele desenvolvi o projeto de fluoretação de água do sistema de abastecimento público de Sergipe, o que permitiu que se acabasse com a queda dos dentes das crianças naquela época, porque o flúor na água reduz a cárie em 65%.

Alô News – Muitos jogos foram narrados na sua voz, qual foi a narração mais marcante?

C.M – Foi a copa da independência do Brasil, quando a Rádio Cultura, a qual estava vinculado, cobriu ao vivo todos os jogos de todos os estádios do Brasil. Fizemos um grande trabalho, e a Rádio Cultura naquela época era líder absoluta em esportes... Eu cobri a copa do mundo de 70, no México. Já cobri várias copas do mundo.

Alô News – O senhor também foi deputado federal, como foi sua atuação? E por que não seguiu carreira política?

C.M – Eu estive na Câmara Federal antes da Constituinte, eu fui na leva comandada por Augusto Franco que teve 103 mil votos, eu tive 10 mil votos, e tive a oportunidade de servir bem a Sergipe. Cito projetos importantes como o de Xingó, era membro da comissão nordestina pró-Xingó, e também a reconstrução da BR 101 Norte, que era esburacada terrivelmente e empresários sergipanos me pediram e eu fiz. Esse projeto foi possível através de uma decisão do ministro Afonso Camargo (o homem do vale-transporte), que me atendeu no seu gabinete, depois de um pronunciamento na Câmara e determinou ao DNER a reconstrução da BR 101 Norte. E tive uma participação ativa na redemocratização do Brasil.

Atuei durante os 4 anos da legislatura e depois eu resolvi me retirar da política porque não tinha dinheiro pra concorrer com os poderosos. O dinheiro tem tido um papel muito destacado na política na compra de votos e eu não sei comprar votos e nunca soube. Mas exerci muitas atividades públicas, fui secretário de saúde de Aracaju, presidi a EMSETUR, fui secretário de Estado da Comunicação Social, e etc, tive uma vida ativa e sem problemas, nunca tive um processo de condenação em canto nenhum, nem em Tribunal de Contas, nem em Tribunal de Justiça, exerci com dignidade os cargos e também com muita vontade de servir a comunidade.

Alô News – Qual a sua opinião sobre a copa 2018?

C.M – O Brasil vai bem, ganhamos a Rússia, e ganhamos a Alemanha também de quem tomamos a goleada de 7 a 1.

Alô News – Como um radialista renomado e um dos mais experientes em Sergipe, qual a sua opinião sobre os profissionais de hoje?

C.M – A imprensa evoluiu muito, em todos os sentidos, tecnologicamente... Nós crescemos muito. Mas precisamos evoluir no sentido de promover as comunidades...

Texto e imagem reproduzidos do site: alonews.com.br

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Entrevista com Tatiana Vasconcellos


Publicado originalmente no site Lamparina Scope, em 16/05/2016

Tatiana Vasconcellos: “Fomos educadas de acordo com padrões sociais machistas. Desconstruir isso é um processo”

Por Larissa Saram

Uma das vozes feministas mais fortes do rádio brasileiro, Tatiana Vasconcellos fala sobre direitos, desconstrução de conceitos e a série documental sobre mulheres do cinema que está preparando

Em terra de Rachel Sheherazade, quem tem Tatiana Vasconcellos respira aliviada e aumenta o som do rádio. Sim, rádio. Aquele meio de comunicação que já foi considerado obsoleto e até pouco tempo atrás amplificava as opiniões preconceituosas da âncora do Jornal do SBT, é o responsável hoje por dar voz a um discurso feminista inteligente. Os comentários da Tatiana são capazes de acabar com o tédio das tradicionais emissoras AM e com o medo de, sem querer, esbarrar com a traumática musiquinha do “Vambora, vambora”.

Os méritos da jornalista são antigos. No ar pela BandNews desde 2006, dividiu a bancada com Eduardo Barão e Ricardo Boechat durante seis anos. Com eles, ancorava o noticiário matutino, no horário nobre do rádio, e fazia o contraponto dos colegas e entrevistados que, eventualmente, tendiam para falas machistas. “Nem sempre era confortável interrompê-los, mas é necessário tentar desconstruir conceitos que são naturalizados”, disse Tatiana em entrevista para o Lamparinascope. Em março, ela assumiu o microfone do “Alta Frequência”, programa por onde passa de gente da política ao pessoal das artes. A liberdade em dizer o que pensa e defender os direitos das minorias continua.

A nossa longa conversa aconteceu por e-mail. Nela, a vencedora de três Troféu Mulher Imprensa e integrante da lista "Mulheres Inspiradoras 2015" da ONG Think Olga falou sobre trabalho, direitos e a experiência de dirigir uma série documental sobre  presença feminina no cinema.

Larissa Saram: Você sempre teve essa postura de defender a figura da mulher nas discussões, tanto no trabalho quanto em rodas de amigos?

Tatiana Vasconcellos: "Sempre" é muito tempo (risos). Não nasci feminista, ao contrário. Fomos educadas de acordo com padrões sociais machistas. A gente aprende desde pequena que tem que sentar direito, se comportar, se dar o respeito, não pode ser namoradeira e todas essas coisas que aposto que você também passou a vida ouvindo. Desconstruir isso dentro da gente é um processo. Complexo, difícil e muitas vezes lento e dolorido. Pra mim também foi e ainda é.

L.S.: Não foram raras às vezes em que eu te ouvi interrompendo seus colegas de microfone para corrigir e explicar porque alguns comentários eram equivocados.

T.V.: Nem sempre esse papel é confortável, mas é necessário tentar desconstruir alguns conceitos machistas que são naturalizados. Uma vez um colega falava da separação de um casal de atores e dizia que a responsável teria sido uma outra mulher, com quem o homem tinha se envolvido. Perguntei de quem era a "culpa" numa relação que teria acabado porque o homem, casado, se envolveu com uma outra mulher. Passamos a vida repetindo que "o pivô da separação de X e Y" foi uma segunda mulher e nem nos damos conta.

 L.S.: Até pouco tempo atrás, você era a única mulher no horário nobre do rádio. Qual era o significado desse cenário?

T.V.: Pra mim era desafiador e importante porque ainda que estejamos ancorando em todas as rádios de notícias, sinto que custa mais para as apresentadoras construírem credibilidade com os ouvintes. Pode ser algo sutil, é uma sensação. Quanto mais mulheres estiverem ali, desenvolvendo seu trabalho com seriedade, mais natural isso se torna.

L.S.: Você também organizava o quadro "Tem Mulher na Área", onde você e outras jornalistas falavam sobre futebol. Imagino que muitos ouvintes homens não curtiram muito a ideia no começo.

T.V.: Futebol é muito passional, né? O torcedor reage, às vezes desproporcional e raivosamente. Quando mulheres falam do time dele é fácil descambar pra algo misógino. No começo, chegavam mensagens machistas, sim. Quando nos mandavam pra cozinha, eu respondia dizendo que cozinhávamos muito bem, mas éramos melhores ainda falando sobre futebol (risos). Recebemos muitas mensagens de mulheres que se sentiam representadas também ou que não entendiam nada de futebol e, como nos ouviam todos os dias, passaram a ter mais interesse pelo assunto. Depois de seis anos, mulheres comentando futebol na rádio ou em qualquer outro lugar com propriedade é algo natural. Ainda tem preconceito, mas ele não nos impede de ocupar esse lugar.

 L.S.: Desde março você assumiu o microfone do “Alta Frequência. Era um desejo antigo ter um programa de entrevistas?

T.V.: Sempre gostei de conversar, sou curiosa, perguntadeira. O Alta Frequência me permite fazer isso com convidados dos mais variados segmentos. Todos os dias aprendo uma coisa nova, enxergo um ponto de vista diferente, reafirmo algumas convicções. Recentemente li uma longa entrevista de um dos fundadores da revista Rolling Stone com a escritora americana Susan Sontag e ela dizia assim: "Gosto de entrevistas. E gosto delas porque gosto de conversar, gosto do diálogo, e sei que boa parte das minhas ideias é produto da conversação. Conversar me dá a chance de saber o que penso". É isso.

"Está claro que proibir não impede milhares de mulheres de abortar. Quem tem boas condições financeiras faz aborto clandestino e seguro. E quem não tem? Morre?".

L.S.: Você é superativa no Twitter. Para mim, um dos seus posts mais maravilhosos é: "Nenhuma mulher é obrigada a ser mãe. Ninguém tem que dizer o que uma mulher deve fazer, em nenhuma situação. Já deu disso, né". O que acha dessa pressão social da mulher ter que seguir um padrão?
T.V.: Acho esse rótulo um pouco cansativo, além de um tanto invasivo. Essas são as bases em que nossa sociedade foi construída e se desenvolveu. Uma mulher separada nos anos 50 era um escândalo. Um casal gay era um escândalo. Se assumir gay era impensável. 60 anos depois é algo comum, embora parte de nossa sociedade e de nossa classe política insista em querer nos fazer viver de acordo com os costumes de 60 anos atrás. A sociedade vai mudando. Em rodas de conversas de vez em quando surge um "mas você nunca pensou em ser mãe? não quer ter filhos?". Tudo bem se eu não tiver uma resposta definitiva pra isso? (risos)

L.S.: De todos os direitos que são negados às mulheres hoje, quais te soam mais incoerentes?

T.V.: Do ponto de vista constitucional, o direito ao aborto me aprece absurdo porque a discussão se dá sobre bases fundamentalistas e religiosas e não sobre as mortes de mulheres que tentam interromper a gravidez. A UnB, Agência Ibope Inteligência e o Ministério da Saúde fizeram um estudo que constatou que 1 milhão de abortos são feitos por ano no Brasil. A cada dois dias uma mulher morre, vítima de procedimento clandestino.  Uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 anos já fez pelo menos um aborto na vida. Está claro que proibir não impede milhares de mulheres de abortar. Quem tem boas condições financeiras faz aborto clandestino e seguro. E quem não tem? Morre? É um problema de saúde pública grave. Para piorar, o Congresso pode aprovar a exigência de exame de corpo de delito que comprove o estupro. Violência em dobro: se isso virar lei, além de ser vítima de estupro, a mulher ainda é desacreditada e terá que provar que foi violentada.

L.S.: Realmente, é surreal!

T.V.: Isso sem falar das jovens que são proibidas de usar shorts nas escolas para evitar assédio, inclusive de professores. Seria mais eficiente e razoável combater o assédio e não o short. Mulheres advertidas ou recriminadas por amamentar seus bebês em locais públicos. Como um seio à mostra para alimentar um bebê pode ser tão ofensivo? Usar transporte público sem ser assediada deveria ser um direito. Andar na rua e não correr o risco de ser violentada deveria ser um direito. Usar a roupa que quiser sem que isso signifique um "motivo" para violência deveria ser um direito. Escolher de que maneira você quer que seu filho venha ao mundo deveria ser um direito.

"A discriminação por gênero termina onde começa a lógica econômica: se tem dinheiro pra viabilizar o negócio, o machismo não aparece".

L.S.: Já viveu alguma situação na vida em que se sentiu muito menosprezada por um homem, que ele tenha te diminuído por ser mulher? Como foi?

T.V.: Ah, é recorrente, né? Das pequenas coisas, tipo, você acaba de trocar o óleo do carro e o cara do posto diz que precisa trocar o óleo, afinal, "mulher não entende nada de carro". Fui atleta na adolescência, jogava vôlei em clube. E era boa, apesar de baixinha. Quando ia bater bola em algum lugar com meninos desconhecidos, eles me olhavam desconfiados, não davam nada, era a última a ser escolhida para o time. Quando a gente começava a jogar, eles ficavam surpresos porque eu jogava melhor que eles (risos).  

L.S.: Você é diretora de uma série documental sobre mulheres no cinema. Como está o andamento desse projeto paralelo?

T.V.: Muito no comecinho. Quero mostrar como funciona a indústria do audiovisual brasileiro do ponto de vista das mulheres. Diretoras, roteiristas, produtoras enfrentam dificuldades? Sofrem preconceito de gênero? Tem a mesma visibilidade que os homens? Ganham salários equivalentes? Já sentiram o preconceito na pele? Entrevistei algumas delas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Uma diz que é preciso adotar um comportamento "mais masculino" no set para ser respeitada. Pelo que ouvi de uma grande produtora, a discriminação por gênero termina onde começa a lógica econômica: se tem dinheiro pra viabilizar o negócio, o machismo não aparece.

L.S.: Quem são as mulheres de hoje que te inspiram?

T.V.: Há mulheres que admiro por motivos diversos. Essa nova geração é muito forte, determinada na busca por igualdade de direitos. Entre os estudantes que ocuparam as escolas estaduais havia muitas mulheres na linha de frente das manifestações. Estudantes que se rebelam contra a determinação de escolas que proíbem short. Mulheres que estão à frente das organizações feministas, fazendo trabalhos importantes de conscientização e empoderamento.  Mulheres brilhantes e competentes do jornalismo e da comunicação. Mulheres com projeção nacional, mundial, que usam seu trabalho e sua relevância para colocar problemas em evidência, com a intenção de melhorar a sociedade e tornar o mundo menos desigual, menos violento, menos hostil e melhor têm a minha admiração.

"Ser feminista é acreditar que homens e mulheres devem ter as mesmas condições e direitos, ganhar os mesmos salários exercendo a mesma função".

L.S.: Existe alguma delas que você admire, gostaria de entrevistar e ainda não rolou?

T.V.: Eu adoraria ouvir as histórias que Patti Smith tem pra contar. Gostaria de falar sobre música com Brittany Howard, vocalista do Alabama Shakes, com a Beyoncé. Sobre cinema com a Sofia Coppola. Muitas brasileiras. Se eu citar, vou me esquecer.

L.S.: Você se considera uma feminista?

T.V.: Sim, mas não me posiciono com a intenção de ser reconhecida como uma. Ser feminista é acreditar que homens e mulheres devem ter as mesmas condições e direitos, ganhar os mesmos salários exercendo a mesma função. Mulheres não devem ser discriminadas simplesmente por serem mulheres.

Texto e imagem reproduzidos do site: lamparinascope.com