quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Rádio em Sergipe (SENAC)

Foto simplesmente ilustrativa, 
postada por Sintonia Radiofônica.

Rádio em Sergipe

História

No início dos anos 30, em Aracaju, o que predominava era a indústria e o comércio, este último, era muito deficiente, favorecendo a baixa na economia. Os movimentos políticos ainda não eram tão evidentes e a radiodifusão ainda não havia chegado à capital. Os primeiros sinais de comunicação sem fio ocorreram no Estado de Sergipe, através do serviço de alto-falante instalado no Instituto Histórico e Geográfico, que era utilizado pelo governo estadual para fazer a divulgação do seu boletim oficial.

A partir daí, os alto-falantes se propagaram e começaram a ser instalados em alguns pontos da capital aracajuana, com a transmissão de músicas (uma discoteca), fazendo o papel de uma emissora de rádio. Os precursores do rádio à época foram Alfredo Gomes – funcionário da Receita Federal, escritor e jornalista, era um dos responsáveis pela programação – João Gomes, Dalva Cavalcanti, Guaracy Leite França e João Ribeiro.

Em junho de 1939, o presidente Getúlio Vargas, através do Decreto-lei n° 4328 de 30 de junho de 1939, concedeu a permissão para a implantação de uma estação de radiodifusão em Aracaju. Em 30 de junho de 1939 foi inaugurada a Rádio Aperipê de Sergipe, vinculada ao Estado, embora sua concepção tenha partido da iniciativa privada que comprou os equipamentos, mas não conseguiu o dinheiro para pagá-los. Coube ao Governo do Estado pagar por eles, fundando a rádio oficial do Estado cujos estúdios ficavam na Rua Maranhão, sendo depois transferidos para o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (PORTO, apud. SILVA, 2004, p. 27).

A Rádio Aperipê, que fazia parte do Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP, ainda no governo de Eronildes Ferreira de Carvalho, lançou os primeiros locutores sergipanos, dentre eles podemos destacar: João Alves Bezerra, João Marques Guimarães e Jefferson Silva. Estes locutores trabalhavam a serviço do governo estadual, levando à população, notícias de interesse do representante maior do Estado.

A rádio Aperipê foi transferida do Instituto Histórico e Geográfico para o Palácio do Governo e, depois para o Palácio Serigy, onde permaneceu por várias décadas. O transmissor foi instalado no bairro Siqueira Campos, entre as ruas Maranhão, Alagoas e Pernambuco. A emissora era identificada pelo prefixo PHJ-6 e tinha, prioritariamente, a meta “Educação e Propaganda”.

Alguns anos mais tarde a emissora foi arrendada ao empresário Augusto Luz, tornando-se uma estação criativa revelando grandes nomes, a exemplo de Alfredo Gomes, João Ribeiro, Cláudio Silva, Wolney Silva, dentre outros (THEOTÔNIO NETO, 1983. p. 5).

A partir de 1944, o interventor Augusto Maynard, ampliou a emissora, que passou a contar com um auditório em suas novas instalações. Daí em diante vários locutores, músicos e produtores sergipanos se destacou a exemplo de Carlos Nagib, Wolney Silva, Reinaldo Moura, Oliveira Júnior, Maria Cláudia, Nélson Souza, Silva Lima, Alcival Gomes, Santos Souza e Wellington Elias, dentre outros.

Com o tempo a emissora foi progredindo e dando oportunidade a outros profissionais. Mas ela só foi considerada efetivamente, como uma emissora de rádio, após alguns anos, quando o povo começou a demonstrar interesse pela radiofonia sergipana. Com isso o rádio foi crescendo, as programações tornaram-se um pouco diferentes, mas sempre voltada para os interesses do governo.

Em 1972, o então governador Paulo Barreto de Menezes, através da Lei n° 1759 de 11 de dezembro de 1972, deu origem à Fundação Aperipê, passando a administrar o complexo de comunicação Rádio e Televisão Aperipê, situado no anexo III do Instituto de Educação Rui Barbosa. A Rádio Aperipê, com o transmissor instalado no Parque dos Faróis, passou a operar com o prefixo ZYJ-920 e a frequência de 630 quilohertz. A Rádio Aperipê desde a sua implantação, inspirada pelo DIP do Estado Novo, de Getúlio Vargas no Governo de Eronildes de Carvalho, sempre pertenceu ao governo do Estado.

Como só o Partido Social Democrático – PSD do governo estadual dispunha de uma emissora de rádio, deixando os partidos da oposição em prejuízo, surgiu a ideia de fundação e criação de uma nova emissora, dando início a rivalidade partidária no estado. A ideia partiu de Leandro Maciel e seus correligionários, através do desejo de falar aos microfones do rádio sobre o seu partido a União Democrática Nacional – UDN. Marcaram então uma transmissão que não foi realizada devido a interferência do atual governo.

Naquela época o extinto PSD – Partido Social Democrático estava no poder e o acesso a única estação de rádio de então, a rádio Difusora, era um sagrado privilégio dos políticos da situação. (THEOTÔNIO NETO, 1983, p. 5)

Então, na década de 50, quando o rádio no sul do país já apresentava sinais de declínio, com o advento da televisão, Sergipe revolucionava a radiodifusão na capital, com a implantação da segunda emissora a Rádio Liberdade AM, do industrial e sergipano Albino Silva Fonseca, inaugurada em 7 de setembro de 1953. A emissora foi instalada para cobrir um evento que marcava a visita do Dr. Leandro Maciel, político da União Democrática Nacional – UDN, à capital sergipana.

A Rádio Liberdade AM, emissora da oposição partidária, fazia transmissões ao vivo e com a participação dos ouvintes. Destacou-se por ser a pioneira nas transmissões de programas como: programas de auditório, concurso do Miss Brasil, o noticiário “Informativo Cinzano”, criado e apresentado pelo locutor Silva Lima. A emissora foi a pioneira nas transmissões esportivas.

Os programas esportivos também fizeram sucesso nas emissoras sergipanas e chegaram a causar conflito entre a Difusora e a Liberdade. A Difusora possuía ligação com os dois estádios da cidade e por isto conseguia irradiar duas partidas de futebol ao mesmo tempo, enquanto a Liberdade, só conseguia transmitir uma.

Silva Lima sente-se prejudicado e vai reclamar com o governo que proíbe a Difusora de irradiar os dois jogos ao mesmo tempo. A rádio era amadorística, estava engatinhando para acontecer uma coisa dessas, o próprio governador fazer uma coisa tão boba, devia ficar satisfeito que a rádio estava progredindo e transmitindo de vários locais (ALVES, apud. PORTO, 2004, p. 22).

A emissora de Albino Silva, conquistou o público durante décadas, o comércio paralisava no horário dos programas da Rádio Liberdade, especialmente, aqueles que traziam notícias, crônicas e fatos políticos. A rádio também foi a pioneira ao trazer para o estado o Rádio Teatro, que mais tarde passou a ser denominado de radionovela.

Vários locutores e produtores passaram pela Rádio Liberdade AM, a exemplo de Fernando Souza, Wellington Elias, Santos Santana, Clodoaldo Alencar, Walmir Mendonça, Santos Souza, Rosevaldo Santana, Raimundo Silva, além de tantos outros, que fizeram a história da emissora.

Desde a sua fundação até a época em que foi vendida ao empresário Heráclito Rollemberg, a emissora era identificada pelo prefixo ZYM-20 e localizava-se em um prédio na Rua Itabaianinha no centro da capital.

A Rádio Liberdade, no ano de 1983, portanto, 30 anos após a sua fundação, transformou-se numa estação de rádio mais moderna, se destacando entre uma das melhores e bem equipadas do país, passando a denominar-se de Super Rádio Liberdade, fruto do investimento do empresário Heráclito Rollemberg.

A Super Rádio Liberdade que à época era dirigida pelo jornalista Teotônio Neto, fazia parte do Sistema Globo de Rádio, sob a coordenação da Rádio Global do Rio de Janeiro, mais tarde voltou a ser denominada de Rádio Liberdade de Sergipe.

Atualmente, a Rádio Liberdade, que pertenceria ao senador da República Almeida Lima, faz parte do Grupo Torres Empreendimentos e está localizada na Rua Pacatuba, Edf. Paulo Figuierêdo, S/N, sendo sua torre instalada no Parque dos Faróis, Município de Nossa Senhora do Socorro, operando com uma frequência de 930 quilohertz a um alcance de 20 quilowatts e identificada pelo prefixo ZYZ-923.

No geral, a implantação das primeiras emissoras em Aracaju, deu-se em virtude das implicações e/ou incidentes políticos. Em 1958, surge a Rádio Jornal AM, uma emissora que contava com membros ilustres da sociedade aracajuana e, principalmente, com o apoio do então presidente da República Juscelino Kubitschek e, que tinha como principal objetivo dar prosseguimento à campanha eleitoral do então candidato ao governo do estado, José Rollemberg Leite.  A concessão para implantação foi imediata.

A rádio Jornal AM, fundada pelo Partido Republicano, aliado do PSD, encontrou dificuldades, quando no dia da sua inauguração, seus adversários políticos (UDN) cortaram o fornecimento de energia, numa tentativa de impedirem o evento. Mas, através da intervenção de seus aliados políticos, a inauguração efetivou-se.

Situada em um prédio da Avenida Rio Branco, próximo à Praça Fausto Cardoso, com o transmissor localizado no Bairro Industrial, a emissora era identificada pelo prefixo ZYM-21, com 500 watts de potência, cobria todo o território sergipano e, principalmente, satisfazia as necessidade do grupo político que a implantou.

A emissora com o tempo conquistou o seu espaço, passando a disputar a audiência dos sergipanos, com as outras emissoras locais. Nos seus programas, contava com a participação de profissionais que se destacaram a exemplo de Gilvan Fontes, Raimundo Luz, Nelson Souza e Acival Gomes, dentre outros.

A programação da Rádio Jornal, incluía transmissão de concurso de misses, programas humorísticos, como o “Alegrias Triunfo”, além de informativos, noticiários e programas políticos. Estes dois últimos foram o forte da emissora (PORTO, 2004, p. 23).

Alguns programas políticos transmitidos pela Rádio Jornal eram considerados polêmicos, merecendo destaque “Sergipe ri e chora” apresentado por Paulo Lacerda, “Carrocinha” por Pedro Raimundo e o “Risolândia”, criado por Raimundo Silva, Nelson Souza e Cadmo Nascimento.

O programa “Risolândia” foi considerado o mais polêmico à época, onde os locutores, com uma dose de humor, faziam críticas ao governo, com relação a falta de atenção do poder público e a perseguição aos adversários, por sua vez, os políticos sentindo-se ofendidos, mandavam dar uma surra nos diretores dos programas. Diante das represálias, o programa teve que sair do ar.

Atualmente a Rádio Jornal AM, opera na frequência de 540 quilohertz e está localizada nas proximidades do Hospital Universitário, situado à Rua Cláudio Batista, no Bairro Santo Antônio. Com o seu transmissor de 10 quilowatts, instalado no município de Nossa Senhora do Socorro, ela cobre todo o território sergipano como também alguns estados do nordeste, a exemplo de Alagoas e Bahia.

Quando os programas católicos deixaram de ser transmitidos pela Rádio Liberdade, por causa de desentendimentos entre a emissora e a Cúria Metropolitana, Dom José Vicente Távora, bispo Diocesano de Aracaju, sentiu-se ofendido e, com isso criou a Rádio Cultura, eminentemente católica e desvinculada de partidos políticos. A Rádio Cultura foi a primeira a ter uma programação 24 horas.

O objetivo de Dom José Vicente Távora era desenvolver um trabalho a fim de promover reformas na alfabetização, utilizando-se de programas radiofônicos. O arcebispo percorreu todas as paróquias no interior do estado, para implementar as ações da Rádio Cultura, ou seja, a criação de escolas radiofônicas do Movimento de Educação de Bases – MEB, obtendo êxito absoluto.

Muitas pessoas aprenderam a ler e a escrever através do MEB. […] cada povoado tinha um monitor que às 18 horas ligava o rádio e ouvia as aulas, distribuía as cartilhas que os agricultores recebiam e acompanhavam a aula. Terminada a aula às 19 horas o monitor ia repassar aquela aula. (ALVES, apud. PORTO, 2004, p. 24).

Inúmeros aparelhos receptores cativos foram instalados no interior do estado, sob a responsabilidade das monitoras que dirigiam as escolas. Os aparelhos eram denominados de cativos porque serem sintonizados exclusivamente na Rádio Cultura.

Por ordem do governo, o programa de Alfabetização à Distância, o MEB, considerado como subversivo, teve que ser retirado do ar, ou a Rádio Cultura seria fechada. O Bispo Dom José Vicente Távora, idealizador do movimento, foi perseguido e, em alguns momentos foi monitorado pela polícia, chegando quase à eminência de uma prisão. A Rádio Cultura foi inaugurada no dia 21 de novembro de 1959, com o prefixo ZYM-22 e contou com a presença do ministro Sette Câmara, representante do então Presidente da República Juscelino Kubitschek, no evento.

Com uma boa qualidade de som e programas cuidadosamente elaborados, a emissora católica manteve-se por muitos anos líder de audiência, merecendo destaque para alguns locutores da época, dentre eles, Manoel Silva com o programa “Alvorada Sertaneja”, Reinaldo Moura com o ‘Roteiro das Onze’, seguido de Dimarães Mota e Jairo Alves com os noticiários. Os programas esportivos sob o comando de José Antônio Marques, Carlos Magalhães, Alceu Monteiro e Wellington Elias, dentre outros, também tiveram altos índices de audiência.

Atualmente a emissora continua com a mesma potência inicial de 10 quilowatts e, mesmo tendo perdido a hegemonia de 1° lugar em audiência, a Rádio Cultura AM mantêm-se com os mesmos propósitos condicionados ao seu lema: “Uma emissora católica a serviço do bem e da verdade”.

A Rádio Cultura AM, dirigida pelo cônego José Carvalho, hoje identificada pelo prefixo ZYJ-921, está localizada em um antigo prédio situado à Rua Simão Dias e o seu transmissor instalado no Parque dos Faróis, operando como uma frequência de 670 quilohertz.

A quarta emissora a ser instalada em Aracaju, foi a Rádio Atalaia, já no final dos anos 60, pelo usineiro e industrial Augusto do Prado Franco com o objetivo de dar mais ênfase à sua carreira política. Pertencente a uma família tradicional do estado não só economicamente mas também na área política, Augusto Franco sentiu a necessidade de utilização do meio de comunicação mais popular da época, o rádio, para dar reforço à sua escalada política.

A emissora que à época tinha seus estúdios localizados no Hotel Palace, teve como parte das comemorações de inauguração, um show com Gerson Filho e Clemilda, realizado em frente à Praça General Valadão.

A fundação da Rádio Atalaia AM foi o seu primeiro degrau para alcançar a sua condição atual de dono da maior rede de comunicação do estado, um conglomerado envolvendo o Jornal da Cidade, duas estações de televisão e outras emissoras de rádio no interior.

A emissora conquistou a audiência dos ouvintes graças ao trabalho das equipes técnica e artística, que se preocupavam em levar para o seu público uma programação de excelente qualidade e com uma boa sintonia.

O prestígio que a Rádio Atalaia AM tem hoje, deve-se o mérito aos programas que foram levados ao ar e que continuam sendo transmitidos, aliados aos outros que se popularizaram. Dentro deste contexto, pode-se citar o programa “Show de Notícias, que sempre teve altos índices de audiência. Merecendo destaque para os profissionais da época, a exemplo de Naírson Menezes, Carlos Mota, Dermeval Gomes e Oliveira Júnior, entre tantos outros.

A emissora encontra-se arrendada para a Igreja Evangélica Assembléia de Deus, sendo o seu quadro de locutores composto, exclusivamente, por pastores.

Atualmente, a Rádio Atalaia AM, está localizada na Rua Cláudio Batista, no Bairro Santo Antônio, cujo transmissor encontra-se instalado no Porto Dantas. Operando na frequência de 770 quilohertz, a emissora é identificada pelo prefixo ZYJ-922 com uma potência de 10 quilowatts.

Integrante do Sistema Atalaia de Comunicação, a emissora é dirigida hoje pelo filho do seu precursor, o ex-deputado federal e empresário Walter Franco.

Texto de autoria de Maria Verônica Santana e Sá.

Pesquisa realizada por Washington Luis e Victor Emerson.

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Atualmente

Atualmente, centenas de emissoras de rádios atuam no cenário da comunicação, desde rádios pública, comercial, ou comunitária, onde a maioria tem se adequado ao avanço das novas tecnologias, estendendo suas notícias, músicas e programas por meio da internet, junto as chamadas ‘Web Rádios’.

O rádio sergipano apresenta grande influência na vida social do povo da terra do Serigy, pois diariamente locutores de vários programas das estações de rádios AM e FM, levam informações sobre diversos temas do interesse coletivo, seja nos cenários da política, esporte, música ou religião. Entre as mais populares estão a FM Sergipe 95,9, Rádio Jornal AM 540, Rádio Cultura AM 670, Princesa da Serra – Itabaiana, Ouro Negro FM – Carmopolis, Xodó, Luandê FM 96.1 – Lagarto, dentre outras.

A rádio da Aperipê AM 630, é a única emissora considerada como pública no estado, sendo as demais voltadas para o seguimento de rádio comercial. No entanto, as rádios comunitárias apresentam um avanço significativo, pois está inserida na capital e no interior do estado, um exemplo disso é a Rádio Comunitária Anchieta FM 105,9, situada na cidade de Aracaju no bairro Augusto Franco.

Segundo Felipe Freire, apresentador do programa Puro Rock, a Rádio Comunitária Anchieta apresenta um proposta onde o público conseguem se identificar com toda programação, ou como este afirmou em nota: “ Eu sempre gostei de rádio, e desde pequeno escutava AM, FM, Jogos de futebol, música e tive o desejo de conhecer como era a estrutura do rádio; recebi o convite para apresentar o programa ‘Puro Rock’, e lá pude perceber que o serviço da rádio comunitária  da oportunidade de participação, pois fala a mesma linguagem da comunidade e as pessoas conseguem se identificar, sendo que em uma outra emissora elas não teriam esta oportunidade. Por isso, as rádios comunitárias tem um número crescente no país inteiro”, afirmou Felipe.

Por: André Santana e Fábio Alexandre

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Radialistas

Olá pessoal! Nesse post vamos mostrar alguns dos principais radialistas que atuam no Estado de Sergipe e destacar os que fizeram história e deixaram um legado muito importante para o radiojornalismo, esporte e entretenimento sergipano.

O radio em Sergipe é composto locutores nascidos aqui e por profissionais de outros estados como é o caso de Clemilda, uma cantora natural de Alagoas, mas que por volta de 1985 foi apresentadora de fato da Rádio Aperipê. José Eugênio de Jesus (96 anos) é o mais antigo radialista sergipano, ele junto a Alfredo Gomes inauguraram a Rádio PRJ6 Rádio Difusora de Sergipe, atual Aperipê AM.

Como grande marco da narração esportiva destaca-se Carlos Magalhães, o único que chegou a transmitir 10 copas do mundo. Outros nomes como Welliton Elias, Antônio Barbosa Melo, César Cabral, Jairo Alves de Almeida, também merecem atenção especial.

Faz parte dessa história também o locutor Herón Ribeiro por ser responsável pela divulgação dos aprovados no vestibular. Laércio Miranda, Augusto Júnior e o seu Comando Geral, Faro Fino, Douglas Magalhães com suas notícias factuais e policiais, Gilvan Fontes o galã que apaixonava as sergipanas, Manoel Silva (in memorian), Manoel Messias, Raimundo Macedo, Antônio Barbosa e Rosalvo Nogueira.

Outro personagem que faz parte do quadro de radialistas do estado é Fernando Cabral, que durante 14 anos fez o programa Resumo Geral da Rádio Jornal e hoje com 30  anos de carreira e 52 anos de idade  é o produtor executivo da TV Aperipê a qual ele inaugurou, como também  é presidente do Sindicato dos Radialistas de Sergipe.

Outros radialistas que fizeram nome em Sergipe merecem destaque como Paulo Lacerda (Jornal da Manhã), Eraldo Souza (Show da Madrugada), Luiz Ramalho (Baile da Saudade), Wilson Tavares (Show de Bola), Júlio César (Sucessos do Povo).

Na Rádio 930 temos Carlos Rodrigues, Juliana Almeida, Otacílio Leite e Eli Augusto. O John Kennedy na 103 FM. Já na Liberdade FM 99.7 temos Evenilson Santana, no programa “Liberdade Sem Censura” e também Edilson Viera o Edmilson “dos Cachinhos” (já falecido), Joe Feitosa, Toni Xocolate, Gilmar Carvalho, Jailton Santana, Valquiria Mirion, Soane Shirley, Magna Santana, Silvio Silveta, Marinho Tiba, Fábio Gama e Gabriel Damásio.

Esses são alguns dos radialistas que compõem a história do rádio sergipano.  Exercendo suas atividades seja na área musical ou na área jornalística esses profissionais  tornam o rádio em Sergipe mais diverso, atingindo diariamente seus ouvintes de maneira informativa, rápida e dinâmica.

Por Aline Goes, Francielle Bispo e Aldair Oliveira

Sergipe Zoom – Senac 2014.

Texto reproduzidos do blog: rtvsergipe.wordpress.com

Estúdios da Rádio FM Sergipe





Imagens reproduzidas do site: tudoradio.com

A História do Rádio Sergipano



Publicado originalmente no blog de José Augusto Silva Prudente, em 27/05/2014.

A História do Rádio Sergipano (revisão 1 - 27/5/14)*
Por José Augusto Silva Prudente.
                
Introdução.

Permita-me conduzir-lhe nesta viagem pela história do rádio sergipano. Esta narrativa não é pioneira nem única. Aqui mesmo na internet outros relatos semelhantes podem ser encontrados e até encorajo os estudiosos e curiosos a pesquisá-los. O meu relato diferencia-se pela sua organização em capítulos e por retratar minha experiência real, vivida ou testemunhada ao longo de cerca de 10 anos do que foi talvez o período mais rico e emblemático dessa fantástica ferramenta de comunicação, o rádio.

Masculino ou feminino.

A palavra comporta grafias, pronúncias e significados diferentes. Se lá no "interiorzão" você ouvir: "Deu na rádia", não estranhe. É apenas a forma vulgar, errada, de se referir à estação de rádio. No masculino, desprezando o significado anatômico do osso do ante-braço, rádio é o aparelho receptor que capta as transmissões radiofônicas e é também um sistema de comunicações e entretenimento. Este é o rádio de que trataremos aqui.

As Emissoras e seus locutores.

As emissoras de rádio são estações dotadas de aparelhagem eletrônica capaz de transformar sons em ondas eletromagnéticas que se propagam no espaço (este "espaço" também já foi muito referido como "éter", embora nada tenha a ver com a substância éter, por sinal inebriante). Essa mera coincidência, curiosamente vem a calhar porque a atividade de rádio é considerada pelos que a abraçam uma "verdadeira cachaça", tão viciante que é.
Estas duas formas de energia, sons e ondas eletromagnéticas, constituem a essência do rádio e não é à toa que quase todos os símbolos e logotipos de estações de rádio representam microfones e antenas.
No espaço não existem fronteiras. Nada impediria que uma rádio daqui viesse a interferir com uma outra num país diferente. Então, desde priscas eras, as nações assinaram acordos para garantir uma certa ordem na casa. Isto gerou regras que cada país aplica, não só às transmissões radiofônicas destinadas ao grande público, como também às comunicações, aviação, hobby (radioamadorismo) , televisão, etc.
As estações de rádio, então, tinham que se submeter a essas regras, que no Brasil eram definidas e fiscalizadas pelo Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações). Para se criar uma rádio é preciso haver um processo no Dentel, que o examina tecnicamente em termos de localização, potência, frequência, etc. e, estando tudo OK, concede-se a autorização de funcionamento, atribui-se um prefixo e assim a rádio pode ser operada. Uma rádio que não cumpra essas exigências é simplesmente uma rádio pirata. Para que o Dentel possa comprovar que a nova rádio realmente atende aos requisitos, é-lhe dada uma autorização provisória. É a dita fase experimental. Antigamente, essa fase durava cerca de 2 a 3 meses e durante este tempo as rádios não podiam transmitir mensagens comerciais.  Hoje as regras são mais brandas. Durante a fase experimental, a rádio transmitia música e apelos à população para que escrevessem dizendo como recebiam as transmissões. Era assim que se conhecia o real alcance da rádio, que dependia muito da topografia, distância, horário e mais uma infinidade de fatores.
Por outro lado, as rádios continuam sendo uma concessão pública do governo e, como em tudo de governo, impera a burocracia e o tráfico de influência. Não é à toa que a grande maioria dos proprietários de rádios e TVs são políticos, que são ou já foram alinhados com os mandatários de plantão.
Existe um componente físico que encarna esse poder concedente do Estado: é o chamado "cristal" da rádio. Essa peça é a responsável pela geração da frequência de transmissão. Quando acontece (rarísssimas vezes, felizmente) que o governo queira impor a suspensão de uma estação de rádio, as autoridades vão até o transmissor, retiram o cristal e o confiscam. Sem ele, a rádio não funciona. Isto aconteceu no ano de 1964, lembram?

 Rádio Difusora de Sergipe PRJ-6 (seu nome agora é Aperipê-AM).

A história do rádio em Sergipe se inicia com a antiga Rádio Difusora de Sergipe PRJ-6, que funcionava num anexo do Palácio Serigy, à rua José do Prado Franco. Era uma estação de propriedade do Estado de Sergipe, que esteve arrendada por muito tempo ao Sr.Augusto Luz e tinha como diretor técnico o Sr.Cláudio Silva, genitor de uma família extraordinária de talentos radiofônicos: Maria Cláudia, dona de uma voz excepcional, foi a primeira locutora do Estado; Wolney Silva, também excelente locutor, logo se mudou para o Rio, onde atuou em diversas emissoras e na Voz da América, tendo sido o substituto do renomado Heron Domingues, que fazia o Reporter Esso da Rádio Nacional do Rio de Janeiro; e Paulo Silva, que deu continuidade ao negócio de carros de propaganda do pai, sendo talvez mais conhecido como empresário, dono do Café Sul-Americano. Antes da Rádio Difusora, houve uma rádio experimental, que funcionou nos fundos do Palácio Olímpio Campos, sob o comando de Marques Guimarães, também conhecido como “Pulga Prenha”, que por diversos governos assumia as funções de secretário de imprensa e chefe de cerimonial. Essa rádio experimental funcionou sob o nome de Aperipê, que mais tarde viria a substituir o nome de Rádio Difusora.
A programação da Difusora era bem eclética, com programas de auditório, crônica social, culinária, esporte, notícias e todas as facetas que o rádio da época tinha. Dito assim, parece que havia uma estrutura grande e organizada por trás. Nada disso. O que havia era uma turma vocacionada e disposta a vencer obstáculos e fazer-se parecer com as rádios do sul, que ditavam a moda.
A Difusora revelou alguns valores que permaneceram em evidência por muito tempo, a exemplo de José Eugênio (esporte), Santos Mendonça (jornalismo e variedades), Silva Lima e outros. Foi também palco de diversos valores musicais, entre eles Seu Oscar, Dão, Vilermando Orico, Antonio Teles, Edildécio Andrade, assim como orquestras e regionais.
Atuaram como locutores na Difusora Maria Claudia, Wolney Silva, Santos Santana, Nairson Menezes (egresso do rádio paulista), Alvaro Macedo, J.Honorato, Jailton Oliveira, Reinaldo Moura, Carlos Silveira, Jairo Alves, em épocas não exatamente coincidentes.
Depois dessa fase inicial, a Rádio Difusora passou por mudanças administrativas e artísticas, decorrentes da dura concorrência da nova Rádio Liberdade de Sergipe ZYM-20, do empresário Albino Silva da Fonseca, e seu inevitável impacto  no faturamento.
Passou a ser uma rádio apenas musical, adotando o slogan de "uma radiola em seu lar". Era um modelo novo de rádio que surgia no sul do País, bem mais econômico, sem cachês (gratificação em dinheiro paga a participantes esporádicos que se apresentam nos programas ao-vivo). Esse modelo havia sido criado recentemente e logo foi adotado por rádios famosas como a Rádio Jornal do Brasil, Tamoio, Mundial, entre outras. Consistia em ter uma discoteca diversificada e de boa qualidade, cujas músicas eram apresentadas de forma regular e padronizada em que o  locutor laconicamente anunciava o cantor ou orquestra, entrava uma música, ao final o locutor dizia o nome da música executada e o intérprete, entrava uma mensagem comercial, o locutor dava a hora certa e a sequência se repetia indefinidamente. Foi um momento de transição, que marcou a extinção do estilo rádio-espetáculo, de orquestras e cantores ao vivo, de novelas, programas humorísticos e atrações custosas. Esses tipos de atrações passaram para a televisão, que dava então seus primeiros passos. No Rio e São Paulo, talvez por força de contratos assinados com anunciantes e com artistas, o estilo tradicional ainda durou um tempo, mas pouco a pouco foi sendo abandonado. Programas como "Balança Mas Não Cai" e "PRK-30" ainda eram transmitidos pelas Rádios Nacional, Tupi e Mayrink-Veiga, mas foram substituídos por equivalentes na TV-Tupi, TV-Rio e mais tarde, TV-Globo.

 Rádio Liberdade de Sergipe, ZYM-20 (Atual 930-AM Bandeirantes).

A Rádio Liberdade nasceu sob inspiração política da União Democrática Nacional UDN, partido que rapidamente ganhou força, contrapondo-se ao PTB de Getúlio Vargas. Em Sergipe tinha muitas e influentes figuras políticas como Leandro Maciel, Lourival Batista, Luiz Garcia, Seixas Dória, Passos Porto, mas não dispunha de uma rádio potente para alcançar todo o Estado. Albino Silva da Fonseca era um empresário do ramo de panificação e biscoitos e era simpatizante da UDN. Criou então a Rádio Liberdade, uma estação bem mais potente, 10 vezes mais forte que a Difusora e cujas transmissoes eram ouvidas desde o Ceará até o sul da Bahia. Migraram para a Liberdade alguns valores da Difusora, entre eles Santos Mendonça e Silva Lima.  A Liberdade foi instalada nos  fundos da Padaria Ceres, do mesmo dono da rádio, à rua Itabaianinha, e suas instalações eram semelhantes à Difusora: uma porta de acesso, uma escadaria até o andar superior, e um auditório com o palco dando acesso à sala técnica e à cabine de locução. Espremendo-se no pequeno espaço que sobrava, havia escritório e discoteca, onde ficavam os discos tocados na programação. A Liberdade conquistou logo uma grande audiência, e sua programação ecoava nas ruas da cidade. Naquela época havia pouquíssimos automóveis e todo mundo andava a pé. O comércio funcionava em dois turnos das 8 as 12 e das 13:30 as 17:30hs. Todo mundo almoçava em casa.  Quando as pessoas iam e vinham do trabalho, ouviam na rua, clara e fortemente, o som  dos rádios das casas por onde passavam. E só se ouvia a Liberdade. Nessa hora do almoço, Silva Lima reinava com o seu vibrante Informativo Cinzano e sua Parada de Esportes. Carlito Melo comandava o Carrossel da Alegria das 17 as 18 horas, um programa de oferecimentos musicais que simulava uma fictícia corrida de cavalos, em que cada animal tinha o nome de um ritmo musical. O Carlito dizia "Foi dada a largada. Na ponta o cavalinho Samba, seguido pelo cavalinho Mambo,..." e ia batucando com os dedos na mesa, fazendo o trotar dos cascos dos cavalos. Se a musica que ele queria tocar era uma rumba, por exemplo, do meio para o fim da corrida o cavalinho Rumba ia passando os outros e ganhava. "Venceu o cavalinho Rumba". Aí vinha a mensagem de aniversário e tocava-se a rumba. Era criativo e interessante. Creio que se inspirou no carrossel de Tobias, um brinquedo tradicional das feirinhas de natal, que tinha imitações de cavalinhos que rodavam montados pelas crianças. No começo e no fim de cada rodada do carrossel, tocavam um apito. O Carrossel da Alegria tinha também o mesmo som do apito.
Silva Lima apresentava também "Coisas de Cinema", um programa que analisava e criticava filmes e atores, com a participação de um cinéfilo amador cognominado "Dr. Gastão".  Silva Lima apresentava ainda uma crônica social diária produzida por um polêmico  cronista chamado Carlos Henrique, apelidado de "Bonequinha". Era ua crônica mordaz e irreverente.
Sem duvida o programa de maior repercussão da Liberdade era o Calendário, de Santos Mendonça, irradiado diariamente as 20 horas. No início era inspirado nos velhos calendários de propaganda de Capivarol e Biotônico Fontoura, também chamados de Folhinhas, em que ia-se destacando suas páginas, uma a uma, todo dia, e apareciam  informações como fatos históricos da data, os santos do dia, os dias decorridos do ano, fases da lua, etc. O Calendario iniciava-se sempre com a mesma abertura: "Boa noite ouvintes. A voracidade do tempo anuncia sua marcha. São decorridos 98 dias  do ano de 1960 faltando 263 dias para seu termino...". Tinha seções de curiosidades, aviso aos motoristas, etc. Com o passar do tempo, Santos Mendonca percebeu que tinha uma audiência  grande e fiel e que aquele estilo de programa já não interessava tanto. Passou então para um formato livre e assumiu um papel de jornalismo opinativo e investigativo. Dois casos policiais que abalaram a cidade foram a grande oportunidade que apareceu para Santos Mendonça se projetar na carreira política, tendo sido vereador e deputado estadual, cassado no governo revolucionário. Os casos foram o assassinato do menino Carlos Werneck pelo seu vizinho La Conga e o assassinato do médico e político Carlos Firpo, dizem, a mando de sua esposa Milena Mandarino, com a cumplicidade de um coronel da Aeronáutica.
Outro programa da Liberdade foi "Uma Cronica Para Você" de Wellington Elias com narração de Aloisio Lisboa.
Foram locutores da Liberdade, além dos citados, Cid Morais, Fernando Souza, Ana Gardênia, Castro Filho, Cadmo Nascimento, Antonio Pádua, Humberto Mendonça, Jose Carlos e outros.
A Rádio Liberdade de Sergipe passou a se chamar Liberdade-AM e hoje é a 930-AM, filiada a Rede Bandeirantes.

 Rádio Jornal de Sergipe ZYM-21.

Assim como a Liberdade, anos depois nascia a Jornal, também sob inspiração política, só que do Partido Social Democrático PSD. A rádio Jornal foi instalada precariamente num sítio no Bairro Industrial e logo se transferiu para seus estúdios na rua da Frente, Av. Rio Branco. Tinha só 1 kW de potência e suas instalações eram modestas. Não tinha auditório. Seu primeiro locutor foi Sodre Júnior. Também atuaram José Augusto Prudente, José Augusto Santos, José Augusto Fontes (falecido), Paulo Lacerda, Alberto Lacerda (falecido), Magner Andrade, Raimundo Almeida (falecido), Nazare Carvalho, Carlos Mota (falecido), Nairson Menezes (falecido),  Nelson Souza (falecido), Lenaldo Menezes, Costa Cavalcante, Geraldo Chagas,  João Ribeiro (falecido) , Cadmo Nascimento (falecido) entre outros.
Nas transmissoes esportivas destacou-se Carlos Magalhaes.
Sua programação era a corriqueira e teve como destaque especial um programa humorístico chamado "Risolândia", produzido por Nelson Souza e Humberto Guerrera. Esse programa fazia críticas pesadas ao governador Luiz Garcia (da UDN) e conta-se que, certa noite, membros da casa militar do Palácio do Governo sequestraram os produtores do programa e os levaram para um local ermo, chamado "estrada da cerâmica" e lá os agrediram, como forma de intimidação.  Outro programa de sucesso foi "Com a Boca no Mundo" apresentado por Raimundo Almeida.
Nos comícios pré-eleitorais do PSD houve boicote de energia elétrica para impedir a transmissão da Rádio Jornal. Com o passar do tempo a politica foi se civilizando e a paz voltou a reinar.

 Rádio Cultura de Sergipe ZYM-22.

Igualmente potente como a Liberdade, a emissora católica da Arquidiocese de Aracaju foi criada em 1959 por D. José Vicente Távora, como parte de um programa de alfabetização em massa chamado MEB - Movimento de Educação de Base, que distribuía receptores cativos (só pegavam a Rádio Cultura) por comunidades pobres no interior do Estado.
A Rádio Cultura, sob o comando de Alencar Filho e Sodré Junior, restabeleceu o estilo de produções artísticas, recrutando respeitados intelectuais locais (Benvindo Sales de Campos, Hugo Costa, Jurandir Cavalcanti, Leonardo e Hunaldo Alencar, Núbia Marques...), como também músicos de escol como Macepa, Carnera, Maria Olivia,...para se apresentarem ao vivo em seus estúdios. A Rádio Cultura apresentava diariamente um programa infantil teatralizado, "O Gato de Botas", sob o comando da professora Aglaé Fontes e com a participação de crianças alunas de sua escolinha de teatro infantil. A Rádio Cultura levou ao ar também produções de rádio-teatro com o seu cast de locutores e convidados. Entre as produções radiofonizadas merecem citação especial a Paixão de Cristo e a Guerra dos Mundos. Esta última gerou grande polêmica porque foi uma reedição da obra de Orson Wells, que se notabilizara por uma transmissão fictícia de uma invasão da Terra por seres alienígenas, com todo um clima de suspense e pânico que levou os ouvintes, lá nos Estados Unidos, a uma crise de histeria coletiva. Aqui não foi diferente. Todo o programa foi irradiado como se fosse uma transmissão real ao vivo, com entrevistas de pessoas assustadas com as naves e os ET's, efeitos sonoros e tudo. Só ao final foi dito que se tratava de uma obra de ficção. No dia seguinte choveram protestos indignados das pessoas que se deixaram enganar.
As noites de sábado e domingo eram particularmente movimentadas nos estúdios da Cultura, quando aconteciam sequências de programas chamadas "Programascope" e "Caleidoscópio", que eram produções curtas e bem criativas, às vezes entremeadas com técnicas teatrais de jogral. A dinâmica dessas produções exigia uma intensa movimentação de locutores e atores, que obrigava o estúdio-B a operar com as  portas abertas. Nessas produções, merece destaque especial a figura do técnico de som (controlista como era chamado) cuja habilidade em trocar os discos e faixas das vinhetas sonoras era essencial para o sucesso. Walter Teles e Leonardo Teles eram os astros desse espetáculo. E era tudo ao vivo.
A Cultura tinha um programa diário de intercâmbio com os ouvintes, o "Caixa Postal 81",  apresentaado por Alencar Filho e Acácia Maria e também um noticiário informal apresentado por Alencar Filho.
Eram locutores da Cultura nessa época: Sodré Junior, Raimundo Almeida, Oscar Macedo Filho (que foi trabalhar na Rádio PanAmericana de São Paulo), Luciano Alves (que foi para a Rádio Globo do Rio), G.Rezende, José Augusto Prudente (eu), Aloisio Lisboa (que foi para a Rádio Bahia em Salvador, Ana Gardênia, Acácia Maria, Dimarães Mota, Manoel Silva (que apresentava "Manhã Sertaneja" e a "Crônica da Ave Maria"), Hélio Fernandes, Gilvan Fontes (que fazia o Roteiro das Onze), Irandi Santos,  João Batista, Dermeval Gomes, Acival Gomes  e outros.
As transmissões esportivas tinham o comando de Raimundo Luiz, narração de  Paulo Gomes e comentários de Coelho Menezes, Alceu Monteiro e Wellington Elias.

 Rádio Atalaia de Sergipe.

Nascida também sob inspiração política, em 1968, a Rádio Atalaia funcionou inicialmente  no Edifício do Hotel Palace, na Praça General Valadão, mudando-se depois para a colina do Santo Antônio, onde viria a funcionar também a TV Atalaia, ambas do ex-governador Augusto Franco. Tinha 10 Kw na antena e foi dirigida por Sodré Junior e Nairson Menezes. Não tinha auditório próprio, mas chegou a apresentar um programa de auditório a partir do Cine Rio Branco, na rua João Pessoa, com entrada franca, comandado por Oliveira Junior. Seus locutores foram Paulo Roberto e Carlos Macedo, egressos da Rádio Esperança de Estância, Eliana Reis, José Augusto Fontes, José Augusto Prudente, que apresentava o programa Todo Assunto Puxa Música, Carlos Mota que apresentava o Show de Noticias, com a participação de Nairson Menezes fazendo dois tipos caricatos (Lilico Suingue e Dona Fifica), Laurindo Campos apresentava o programa "Fatos sem Fotos", uma crônica social, e Sodré Junior apresentava um programa jornalistico diário de entrevistas, chamado "Lavamos as Mãos". O departamento de jornalismo era comandado por Sergio Gutemberg e no departamento esportivo atuavam Paulo William, Augusto Azevedo, Gilson Rollemberg, Antonio Lobão e Carlos Rodrigues.

Outras emissoras.

Por pouco tempo funcionou também uma rádio-escola diretamente da antiga Escola  Industrial de Sergipe, destinada à formação de técnicos em eletrônica e telecomunicações. Esta emissora lançou dois locutores que viriam a atuar em rádios comerciais normais: Carlos Machado e Jairo Alves, este de muito sucesso, ainda em atividade na Rádio Cultura.

 Finalmente, apareceram as rádios FM Atalaia, Jornal-FM, Aperipê-FM, Liberdade-FM, FM-Sergipe, Ilha, 103-FM, UFS, Delmar (hoje Jovem-Pan),  Aracaju-FM e outras.
Na mesma época do surgimento das FMs, foi visível o surgimento e o rápido desenvolvimento de rádios com motivação religiosa. A Rádio Cultura, que já era católica, passou a ser administrada pelo grupo Shalon e deixou de ser uma rádio comercial para se transformar numa rádio por assinatura, custeada por contribuições  de associados. A Rádio Atalaia foi arrendada por uma igreja evangélica. Surgiram diversas FMs de programação gospel e estritamente evangélicas. Algumas emissoras foram arrendadas a grupos religiosos e perderam suas caracteristicas originais. Diveras cidades do interior passaram a ter suas rádios locais (Tobias Barreto, Geru, Simão Dias, São Domingos, Glória,  Itaporanga, Itabaiana, Lagarto, Frei Paulo, Estancia, Carmópolis e Canindé). Em consequência, o mercado de trabalho aumentou consideravelmente  nos anos mais recentes.

Os Departamentos Técnicos.

A história do rádio não estaria completa se não incluisse a figura carismática de Pedro Apóstolo de Jesus, um técnico autodidata que sabia tudo sobre transmissão de rádio. Foi pessoalmente técnico da Difusora e da Liberdade e deixou como legado seu filho José Apóstolo que assumiu a técnica da Rádio Cultura. Mas quando a bronca era grande, o velho pai era chamado e socorria o filho. Grande parte da experiência de Pedro Apóstolo veio da montagem de inúmeros equipamentos de rádio amador, hobby que esteve em alta décadas atrás. Eram equipamentos potentes acionados a válvulas (não existia essa coisa de transistores, circuito integrado, etc.). A Rádio Jornal contratou o técnico José Augusto e a Atalaia o competentíssimo técnico Aldomanúcio Rodrigues.
Invariavelmente, as rádios AM tinham uma mesa de som de 4 a 6 canais mono (não estereofônicos). Um canal para um tocadisco, outro para um segundo tocadisco, um para entradas de linha auxiliar e um ou mais para microfones. O controlista sentava-se à mesa, entre os tocadiscos e tinha em frente as chaves de linhas e microfones, os botões de volume de cada canal, um medir chamado VU-meter que mostrava no ponteiro o nível de modulação. Se fosse pequeno a rádio não desenvolvia sua potència; se fosse excessivo o som distorcia e a rádio terminava desarmando (saindo do ar).  Ainda mais em frente  ficava "o aquário" (um visor de vidro duplo através o qual o locutor na cabine se comunicava por gestos com o controlista). Entre os controlistas que atuavam na época, destacam-se Leonardo Teles, Walter Teles, Moacir Lima e Adoniel Amparo  da Cultura, José Antonio, Almir Andrade e  Tuca da Jornal, Almerita Rodrigues e Jane Vieira da Atalaia.
Na técnica havia também 2 receptores de rádio, sendo um para se ouvir a própria estação e outro para sintonizar outras rádios a serem retransmitidas, como no horário da Voz do Brasil. O som produzido nos estúdios chegava aos transmissores, localizados fora da cidade, através fios que seguiam pelos postes da rede pública de distribuição de eletricidade.  Só a Rádio Cultura dispunha de um link de FM para este fim.

O Departamento de Jornalismo.

O rádio sempre teve no jornalismo um dos seus principais focos de atenção. Em toda programação de rádio os programas noticiosos eram bem destacados. Nas grandes emissoras de fora, as noticias eram redigidas a partir de informações de repórteres, ou captadas de agências noticiosas tipo United Press,  France Press, Meridional, etc. Em Aracaju nenhuma rádio assinava esses serviços noticiosos. Houve um tempo em que a Rádio Cultura contratou rádio-telegrafistas suficientemente hábeis para captar as trasmissões das agências e datilografar as notícias (Rios, Gouveia e Novais foram alguns). A transmissão em código morse era extremamente rápida e mesmo estes profissionais às vezes não conseguiam captar tudo. As notícias saíam com palavras trocadas ou faltando. Era indispensável uma revisão por um redator para que pudessem finalmente ser lidas pelo locutor. Esse esquema era caro e trabalhoso. O normal, usado por todas as estações, era se sintonizar rádios do sul (Bandeirantes, Nacional, Tupi, etc.) e gravar seus noticiosos em gravadores de fita (ainda não havia o cassete). Feita a gravação, o redator sentava-se à maquina e, parando e soltando a fita, às vezes voltando para entender algum trecho obscuro, transcrevia para o papel as notícias. Não raro, alguma interferência nas ondas curtas das rádios do sul do País, justo naquele ponto crucial, dificultava o entendimento do redator e saiam coisas hilárias, tipo: “o senhor fulano foi homenageado e recebeu o título do doutor Honório de Caldas…” (era doutor honoris-causa), ou “a policia conteve os manifestantes com o uso de bombas de efeito mortal (era efeito moral), etc. Por vezes o locutor só se apercebia do erro após ter falado a asneira, e a gargalhada no  ar era inevitável. Antes dessa "moderna tecnologia", havia a "tesoura-press", que consistia em recortar páginas de jornais impressos, colando as notícias num papel a ser lido pelo locutor.
Com o advento dos mini-gravadores cassete o rádio-jornalismo teve um grande impulso na cobertura de eventos locais. Os reporteres tinham agora meios práticos de gravar depoimentos de pessoas, editá-los e inserí-los nos noticiários.
Os departamentos de rádio-jornalismo tiveram em Sérgio Gutemberg e Jurandir Cavalcante seus maiores expoentes. Carlos Augusto Fiel, Roberto Batista e Alberto Montalvão também contribuiram.

O Departamento Esportivo.

Neste que é o "país do futebol", os programas esportivos sempre foram campeões de audiência. Toda nova rádio logo formava a sua equipe esportiva, criada em torno de um grande nome de destaque, seja em narração de futebol ou em comentários esportivos. Na Difusora, o astro era José Eugênio de Jesus, ainda vivo, muito querido e respeitado. Na Liberdade, brilhou o polêmico Silva Lima (falecido). Na Jornal, o maior astro foi, sem dúvida, Carlos Magalhães, ladeado pelo comentarista Wellington Elias. Na Cultura, o destaque foi Raimundo Luiz,  que era respeitadíssimo no papel de comentarista, ficando a narração a cargo de Paulo Gomes.
Em busca de prestígio e consequentemente de patrocinadores, Carlos Magalhães teve a ousadia de viajar para cobrir uma copa do mundo no México em 1970. A equipe da Jornal, comandada por Glau Peixoto, conseguiu proeza igual.
Em torno dos líderes de equipe havia sempre um séquito de colaboradores entusiasmados, ávidos por uma oportunidade de brilharem também aos microfones das programações esportivas. Entre esses colaboradores  figuravam Coelho Menezes, Antônio Pádua, José Carlos, Geraldo Barreto, Geraldo Oliveira,   Geraldo Chagas,  Tito Viana,  Paulo Wilson e outros, muitos outros.

O Departamento Comercial.

Sem aquela aura de encantamento, mas não menos importante, o departamento comercial das emissoras cumpria seu papel essencial de suprir os recursos necessários para a atividade dos demais departamentos. Muitas vezes os próprios locutores e apresentadores faziam as vezes de contatos publicitários, corretores de anúncios e relações públicas no trato com comerciantes e industriais locais, colocando seus programas a serviço do mercado. Um dos profissionais de destaque nessa área foi Aloisio Santos da rádio Jornal. Assinados os contratos, o empresário ou a agência publicitária fornecia o material de divulgação (textos e jingles), os textos eram postos nas pastas do estúdio, os jingles enviados para a técnica e a publicidade acontecia. Em alguns casos, gravações eram feitas na própria rádio ou em estúdios de gravação como o de "seu" Orico, delas resultando os discos de acetato tocados na programação. Dermeval Gomes foi um locutor campeão de gravações, e por muito tempo sua voz era ouvida nas vinhetas da Rádio Sociedade da Bahia.

Curiosidades:


- A Rádio Difusora era muito fraca (tinha só 1 kw de potência na antena) e, de brincadeira seus locutores diziam (fora do ar, naturalmente): "Rádio Difusora, falando para Aracaju e cochichando para o interior".

- Num programa informativo diário o locutor dava também informações típicas de almanaque, como santo do dia, etc. O Álvaro Macedo, talvez o mais gozador entre todos, uma vez abriu o programa e mandou: "Santos do dia: Santos Mendonça, Santos Santana e Santo Souza" (nomes de colegas da emissora).

- Outra feita, o Alvaro Macedo teria aberto o noticiário com as "Manchetes do Dia"  e anunciou uma serie de manchetes bombásticas, dizendo em seguida: "É Primeiro de Abril" (dia da mentira).

- As transmissões externas sempre foram um desafio nos tempos em que  não havia links VHF e outras facilidades comuns nos dias de hoje.  Os técnicos  esticavam antenas provisórias e ligavam  pequenos transmissores portáteis alimentados por bateria. Nem sempre conseguiam ser ouvidos no estúdio. Para informar que estava ouvindo a transmissão, o controlista cortava momentaneamente o som da rádio. Os ouvintes simplesmente nao sabiam de nada e pensavam ser um defeito passageiro.

- Sempre que possivel, usava-se ligações telefônicas para a transmissão de reportagens externas. Quando houve a visita do Núncio Apostólico (uma autoridade eclesiástica) a Aracaju, a Rádio Cultura montou um esquema para transmitir a passagem da comitiva por diversos pontos, desde o aeroporto até a Catedral. Repórteres foram colocados em residências de pessoas amigas que disponibilizaram seus telefones e, um a um, esses reporteres discavam para a rádio à medida que a comitiva se aproximava de cada ponto e transmitiam a informação falando diretamente ao telefone, prontamente irradiado.

- Nas transmissoes esportivas não havia rádios portáteis. Todo jogo irradiado implicava no lançamento de centenas de metros de cabos de microfone, da cabine de locução até o gramado, onde os reporteres de campo narravam e faziam suas entrevistas. Ao fim da partida, tudo aquilo tinha que ser novamente recolhido e guardado até o próximo evento.

- Alguns locutores falavam tão perto do microfone que seus lábios até o tocavam. Sodre Junior dizia:  "se puser um salzinho, ele come".

- Houve uma época em que  artistas famosos como Emilinha Borba, Orlando Silva, Nelson  Gonçalves, viajavam pelas capitais do Brasil e se apresentavam nos auditórios das rádios ou nos cinemas, às vezes trazendo seus músicos, às vezes contratando localmente músicos para lhes acompanhar. Geralmente esses artistas eram assediados pelos radialistas locais em busca de entrevistas, que enfim lhes dava certo prestígio e audiência. Silva Lima era um que não deixava passar em branco. Algum artista famoso aportava aqui e lá ia ele fazer perguntas, quase sempre previsíveis e repetitivas, tipo "o que está achando de nossa cidade?" ou "que prato você gosta de comer ?" e futilidades semelhantes. Não interessava muito o que se perguntava nem tampouco o que se respondia. O importante era marcar presença e estar a celebridade falando ao microfone da rádio.

- O Informativo Cinzano era realmente surreal: sempre que alguma criança da família do dono da rádio aniversariava, Silva Lima anunciava no meio do noticiário, entre as mais dramáticas notícias : “ … - (pausa) ... vamos interromper as noticias do Informativo Cinzano para anunciar uma notícia que nos é muito grata: está aniversariando hoje a linda garotinha…(pausa)...” e seguia o noticiário.

Epílogo.

E assim vamos encerrando esta narrativa que pretendeu dar uma visão ampla sobre a atividade radiofônica em Sergipe e seus bastidores, mormente nos tempos heróicos que precederam a televisão e a proliferação das rádios FM. É antes de tudo um tributo aos abnegados e sonhadores entusiastas que construiram esta história, com mil desculpas pelas omissões dos que não foram lembrados. Em breve tudo isto estará sepultado num passado remoto e ouso vaticinar que logo, logo a tecnologia terá substituido antenas, transmissores, cabos, válvulas e transistores por meros aplicativos em tablets e smartfones. O rádio será cem por cento digital e sua difusão será pela internet, com alcance mundial e praticamente sem custo. Hoje já temos, não um dial de ondas médias e curtas, mas um aplicativo pelo qual selecionamos e ouvimos a rádio virtual que queiramos, em qualquer país do mundo, em qualquer idioma. Não é futurologia. É fato. Mas ainda sobrará um radialista sonhador, microfone na mão, comunicando, divertindo e informando, tal e qual seus antepassados.

*Texto ainda sujeito a acréscimos e revisões.

Texto reproduzido do blog: jasprudente.blogspot.com.br

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Homenagem de Rosalvo Nogueira a Eduardo José


Trabalhei com Dudu cerca de 30 Anos, desde quando estreei na Rádio Cultura de Sergipe como Plantonista Esportivo, Na época, me contou sua história como chegou à Rádio, do menino office boy até chegar a locutor do Bom Dia Cultura. Não costumo elogiar mortos, reconheço o bem e, aprendi, discernir entre o bem e o mal. Eduardo José é filho de uma mulher simples, tão amada por nós (Ana Preta), chamada assim carinhosamente por todos, lembro de Jota Santos que gostava de brincar com ela nas manhãs da Cultura. Pois bem, ela nos deu esse filho querido, Dudu, um garoto que cresceu na Rádio e aprendeu amar o que fazia e principalmente, a emissora. Viu tantas mudanças, e apesar de discordar de algumas, nunca deixou de amar a Rádio Católica, era o garoto dos olhos de Irandir Santos que o convidou para ser auxiliar de discotecário, e dali, segurou a oportunidade e ficou para sempre na Cultura. Fundou comigo e, os companheiros, a equipe Cooperase de Esportes, ao lado de José Antônio Marques, Juntos comandaram nossa equipe como eternos homens de confiança da equipe, ele na coordenação e Marques no comando das finanças, dois exemplos de homens, honestos, transparentes e leais. Hoje quando alguém me pergunta, quem é você? procuro responder utilizando as "Palavras de Jesus, Eu sou quem sou". Pois é, o curriculum de Dudu fala forte, ele é quem foi aqui nesse mundo. E como foi? Foi um bom profissional, zeloso, amava o que fazia, amava a esposa Eriene (Fiel companheira), o filho Duduzinho e a Rádio Cultura. Pois bem, Dudu, só me resta dizer que sempre o admirei, pela sua simplicidade, cuidados com a Rádio, comigo, com nossas partilhas (foram tantas, sempre pensando no bem da Rádio) e com seu bom testemunho enquanto teve vida física aqui na terra, só fez boas amizades e acolheu a todos que por lá passaram. Vá em Paz amigo, Deus o espera, como disse anteriormente, Você foi quem foi, somos quem somos, ou seja, se somos bons e plantamos o bem, seremos arrebatados por Deus, senão Ele vai julgar. "Eu Sou a Ressurreição e a Vida, todo que crer em mim, mesmo que morra, viverá". Espero nos encontrar Dudu, Para finalizar, Cadê Dudu, Cadê Dudu, Cadê Dudu???? Ele foi para o Céuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.

Texto reproduzido do Facebook/Rosalvo Nogueira Zeza.

Homenagem de Evenilson Santana a Eduardo José (Dudu)

Da esquerda para a direita, Soraya (comunidade Shalom),
o saudoso Jota Santos, eu e Dudu. 
Foto: Evenilson Santana.

Não é fácil dizer adeus. Mais ainda, quando temos que dizer isso a quem um dia nos deu a mão. Esse é meu sentimento de agora ao ter que me despedir do amigo radialista Edduardo José Jose Dudu, que se foi vítima de um câncer.

Nessa foto, o registro de uma das nossas transmissões esportivas no povoado Serrão, em Ilha das Flores-SE e lá estava ele, cuidando para que tudo desse certo. Eu tinha só 19 anos e estava começando a carreira. Não ganhava dinheiro, mas, estava buscando experiência. Daí, muitas portas se abriram para que eu chegasse onde cheguei.

Na minha primeira conversa com Dudu, o papo foi reto: "Evenilson, só temos a vaga de plantonista esportivo e tem que ser o primeiro que chega e o último que sai, vc quer?" Eu disse "sim" e alcancei bem mais do que imaginava. Nas transmissões, Dudu, ainda como operador, do outro do vidro, gritava: "Evenilson, rapaz! No pique, no pique...!"

Depois, Surgiu a Cooperase-Cooperativa dos Radialistas de Sergipe, liderada por Rosalvo Nogueira Zeza. Foi Rosalvo quem me encaminhou a Dudu. A Cooperase foi a saída encontrada para manter a equipe de esportes na Rádio Cultura de forma regular.

Mais de 20 anos se passaram e de lá para cá, Dudu permaneceu na emissora e acumulou as funções de operador de áudio e locutor. Era ele quem alegrava as primeiras horas da manhã da grande massa católica do Estado. Ainda tinha tempo para coordenar a equipe de esportes da Cooperase, da qual sou presidente. A mesma -Cooperativa que, no passado, também por intermédio de Dudu, me deu a mão.

Vai em paz, meu irmão!

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Evenilson Santana.

Vídeo com Eduardo José (1961 - 2016)

Nota de Pesar, pela morte de Eduardo José “DUDU”.


Sindicato dos Radialistas de Sergipe emite NOTA DE PESAR pela morte de Eduardo José “DUDU”.

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Rádio, Televisão Aberta, por Assinatura e Publicidade do Estado de Sergipe- STERTS – “Sindicato dos Radialistas de Sergipe ”, emite NOTA DE PESAR pela morte do radialista, Eduardo José,  o “Dudu”, da Rádio Cultura de Sergipe, de 55 anos.

O companheiro Eduardo José, faleceu no início da noite desse sábado, dia 15, na cidade de Fortaleza, em um hospital do Bairro de Fatima, onde a cerca de oito dias, realizava um tratamento de combate ao câncer em seu fígado.

Com a sua morte, o rádio sergipano fica órfão e o publico ouvinte da Rádio Cultura, sem as alegrias de todas as manhãs do irreverente “ Dudu”  que apresentava de 05h as 06h , o programa “Bom dia Cultura”, conhecido como o programa “Acorda Povo” de conotação eclética tocando vários tipos de músicas, com a participação do ouvinte, notícias do dia, mensagens de fé e as famosas brincadeiras e pegadinhas.

O radialista, Eduardo José, deixa um filho, a esposa e a saudade em seus amigos e colegas de trabalho dos seus 40 anos de serviço unicamente a Rádio Cultura de Sergipe, AM 670 Khz. Local do seu primeiro e último emprego, onde começou como office-boy, discotecário, operador, repórter, coordenador técnico de transmissão e locutor/apresentador.

O corpo de  “Dudu”, chega de Fortaleza  a Sergipe, por volta das 0h15 da madrugada desta segunda-feira, dia 17, e será velado no anexo da Rádio Cultura de Sergipe , localizado na Rua de Propriá, 222, no centro comercial de Aracaju.

Às oito horas da manhã acontece uma missa de corpo presente ministrada pelo Arcebispo Dom Palmeira Lessa, que será auxiliado por diversos padres e logo depois, às 10h da manhã, acontecerá o sepultamento no cemitério da Cruz Vermelha, no Bairro Getúlio Vargas, localizado na capital sergipana.

Desta forma, o Sindicato dos Radialistas de Sergipe  (STERTS) em nome de todos que fazem a radiofonia sergipana se solidariza com toda a família de Eduardo José.

Assina esta NOTA, todos os radialistas, através do STERTS que tem como presidente, Fernando Cabral.

Por: Marcos Couto/Diretor de Comunicação do STERTS.

Fotos: Divulgação, Google e Youtube, FACEBOOK.

Morre Eduardo José (Dudu), da Rádio Cultura de Sergipe




Morreu neste sábado (15), vitima de um câncer, o radialista Eduardo José, 55 anos, mais conhecido como Dudu.

Dudu estava internado no Hospital Gabriel Soares, onde lutava contra um câncer e neste sábado ele foi vencido pela doença. Dudu apresentava de segunda a sábado o programa Bom Dia Cultura...

Fonte: Faxaju.

Reminiscência dos Radialistas Esportivos de Sergipe


Publicado originalmente no site do Jornal Tribuna Cultural, em 01/09/2012.

Reminiscência dos Radialistas Esportivos de Sergipe. 

Por Professor Everaldo Marques de Sousa*


Na década de 60, período do surgimento do profissionalismo do futebol brasileiro, mais precisamente no ano de 1960. E com a popularização desse esporte após as conquistas de duas Copas do Mundo pela Seleção Brasileira, em 1958 na Suécia, e em 1962 no Chile. Surgiram com grande destaque os profissionais da crônica esportiva sergipana.

Nessa época tornou-se muito conhecida, a dupla Carlos Magalhães como narrador esportivo e Wellington Elias como comentarista. Dupla esta que até hoje faz muito sucesso trabalhando junta na Rádio Jornal AM 540 da capital sergipana.

Desde criança, numa época em que não havia televisão, me acostumei a ouvir pelo rádio as transmissões de jogos de futebol narradas e comentadas por esses grandes radialistas. A popularidade dos dois era tão grande, que no ano de 1975 quando estive pela primeira vez na cidade de Arapiraca, região agreste de Alagoas, em visita a um dos meus tios que se chamava Aloísio e sua esposa Lúcia, constatei que Carlos Magalhães e Wellington Elias tinham uma audiência estrondosa naquela cidade, onde as pessoas ouviam e comentavam suas transmissões esportivas.

O radialista Carlos Magalhães tem um currículo grandioso no futebol brasileiro, já transmitiu diversas Copas do Mundo, desde a de 1970 no México até a de 2010 na África do Sul, como também várias Copas América.

Ainda nos anos 60s também se destacava o comentarista esportivo, José Eugênio de Jesus, conhecido como a patente do rádio sergipano, hoje com mais de 90 anos de idade. E até o ano de 2011, trabalhou como comentarista esportivo na Rádio Aperipê de Aracaju.

Durante muitos anos, o repórter de campo, o saudoso Gilson Rollemberg, nos finais das partidas chamava a atenção de todos os ouvintes que esperavam ansiosamente para ouvir a renda, quando o mesmo numa maneira própria e inigualável gritava: Oooolha a rreeenda! E o narrador falava: renda é com Gilson Rollemberg. Todos ficavam atentos para ouvir o mesmo divulgar o público e a renda dos jogos.

O saudoso Jota Santos, outro nome muito conhecido na radiofonia sergipana, trabalhou na equipe de esportes da Rádio Cultura e durante quase 40 anos, fez a cobertura das notícias do Clube Sportivo Sergipe, direto do Estádio João Hora de Oliveira. Torcedor apaixonado pelo time rubro, mas sempre trabalhou usando a razão, sem se deixar levar pela emoção de torcedor. E sempre levou as notícias para o público com muita responsabilidade e isenção.

O radialista e comentarista esportivo Carlos Rodrigues, que iniciou sua carreira nos anos 70s e faleceu no dia 16 de novembro de 2011, vítima de uma parada cardíaca, aos 64 anos, atuou na imprensa esportiva durante 40 anos. Trabalhou na TV Sergipe, TV Atalaia, Rádio Jornal, Atalaia AM, Liberdade FM, Rádio Aperipê. Ficou conhecido como o homem da palavra fácil por suas crônicas esportivas. Comentarista imparcial que sabia ser generoso ao elogiar e criticar sem ofender. Antes de morrer comandava a equipe de esportes da Rádio Liberdade 930 AM, retransmissora da Rádio Bandeirantes AM de São Paulo.

Nas décadas de 80 e 90, foram destaques, nomes como os dos comentaristas esportivos Canabrava de Mendonça e o saudoso Aroldo Lessa, falecido no ano de 2005, dois ícones da imprensa esportiva de Sergipe.

O saudoso Glau Peixoto, então diretor da Rádio Jornal AM 540, nos anos 80s comandou uma equipe esportiva formada pelos radialistas: José Antonio Marques, Alceu Monteiro, Paulo Lacerda, Carlos Batalha, e pela 1ª vez na história do rádio sergipano uma equipe esportiva transmitiu uma Copa do Mundo de Futebol em 1986 no México, sem dúvida, uma grande empreitada.

Outro nome consagrado, que desde os anos 60s atua no rádio esportivo de Sergipe é o de José Antonio Marques, Atualmente o mesmo trabalha na Rádio Cultura AM de Aracaju. Ele narra os jogos e grita os gols com muita empolgação levando a torcida a sentir um clima de alegria e euforia. O mesmo costuma chamar a bola de “gorduchinha”. e também já transmitiu várias Copas do Mundo e Copas América.

Rendo também a minha homenagem a todos (as) aqueles (as), que contribuíram e continuam contribuindo para a manutenção e o engrandecimento do rádio esportivo sergipano, que são muitos e não foram citados nesta matéria.

*Professor Everaldo Marques de Sousa (Branco)
Graduado em Letras Português/Inglês pela UFS
Professor efetivo da Rede Municipal de Ensino de Estância – SE.
e-mail: emarquesdesousa@gmail.com

Texto e imagem reproduzidos do site: atribunacultural.com.br

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Dia 25 de setembro - Dia Nacional do Rádio


Vamos escutar o rádio!

Dia 25 de setembro é comemorado o Dia Nacional do Rádio, e após 94 anos da criação da primeira emissora do país, o rádio continua sendo o meio de comunicação mais usado pelos brasileiros. De acordo com levantamento recente do Ibope, 89 por cento dos brasileiros escutam o rádio constantemente, e ainda 75 por cento da população possui o aparelho em casa. E os que não têm em casa, como escutam? Simples. Nos celulares, computadores, tablets e também nos automóveis. 

Mas vocês devem estar se perguntando o que o dia de hoje tem a ver com o rádio. 

Em 25 de setembro de 1884 nasceu Roquette-Pinto, que é considerado o Pai do Rádio. Desde então, o rádio tem sido fonte de conhecimento, descobertas e novidades. Feliz dia do Rádio aos radialistas, ouvintes e amantes do meio de comunicação que faz parte da vida de crianças, adultos e idosos.

Texto e imagem reproduzidos do site: alinelinhares.com.br

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O rádio ainda poderá mudar o mundo



Publicado originalmente pelo Portal Comunique-se, em. 21/09/2016.

O rádio ainda poderá mudar o mundo
Por Alvaro Bufarah (*)


No mês de setembro comemoramos o dia do radialista e do rádio, mas muitas vezes esquecemos que este é um dos veículos de comunicação mais importantes do país. Mesmo com todos os problemas de verbas, falta de estrutura e uma visão empresarial distorcida, o meio ainda é o melhor canal de acesso a informação e entretenimento para muitas comunidades espalhadas pelo país.

Diante das novas tecnologias o rádio pode ser potencializado e alcançar audiências diferenciadas, que nunca foram trabalhadas.

Num período marcado pela segmentação em nichos, o suporte multiplataforma da Internet possibilita que as emissoras de rádio produzam programas em diversos formatos e até criem novas emissoras para públicos diferentes.

O que trava o desenvolvimento do rádio no Brasil? Talvez a melhor respostas seja o fato das empresas de comunicação brasileiras, especialmente as rádios, não se entenderem como “empresas”, muitos ainda batem no peito e afirmam fazer rádio da mesma forma há 40 anos, como se isso fosse diferencial. Infelizmente temos novos públicos que não conhecem o rádio por ondas. Para os jovens, o rádio pode ser um podcast no celular, uma transmissão de streaming no tablet, ou uma emissora web que toque músicas e tenha entrevistas sobre Pokemons.

Este novo consumidor praticamente não conhece o rádio materializado em um eletrodoméstico, na caixinha sobre o móvel da cozinha, o radinho de pilha que levávamos para os estádios, ou o aparelho em que as senhoras ouviam a “Ave Maria” com um copo de água, todos os dias às 6 da tarde.

Para esta nova audiência, o áudio digital é uma realidade que flui no ambiente da web. Pode ser transportado, copiado, retransmitido ou simplesmente escutado a qualquer hora e lugar.

Não devemos viver das glórias do passado, mas buscar os melhores caminhos para um novo futuro. Para tanto, temos de modernizar as empresas entendendo a programação com um produto único, que precisa de uma comunicação própria, métricas diferenciadas e novos formatos que abusem das plataformas digitais.  Este é o futuro da comunicação no país, especialmente do rádio. Como dizia o radialista paulistano Hélio Ribeiro, “o rádio ainda pode ser o veículo que irá mudar o mundo, mudando a você e a mim”. Basta que todos entendam o novo momento histórico que vivemos.

(*) Jornalista e pesquisador do meio rádio na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), mestre em comunicação e mercado pela Faculdade Cásper Líbero (FCL), pós-graduado em administração de empresas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e professor do curso de Rádio e TV. Atuou mais de 20 anos no mercado de rádio nacional e internacional.

Texto e imagem reproduzidos do site:  portal.comunique-se.com.br