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sábado, 1 de junho de 2024

Silva Lima e o 'Informativo Cinzano'

Artigo compartilhado do Perfil do Facebook/Manoel Belarmino, de 31 de maio de 2024 

SILVA LIMA E O INFORMATIVO CINZANO NA HISTÓRIA DO RÁDIO SERGIPANO

Por Manoel Belarmino

O radialista Silva Lima marcou a história do rádio sergipano. E eu me lembro de que, na década de 1970, eu ainda era criança e estudava numa escolinha do interior, nos cafundós do Boqueirão, no sopé da Serra Negra, entre os municípios e Poço Redondo (SE) e Pedro Alexandre (BA); sempre que começava o Programa Informativo Cinzano, na Rádio Difusora de Aracaju (Hoje Aperipê), com aquela voz marcante do Silva Lima, eu já sabia que era a hora de ir à escola, já passava do meio dia. Com uma cartilha do ABC, um caderninho de poucas folhas, um lápis e uma borracha “apaga borrão”, numa mochila, eu ia à escola, depois de ouvir as primeiras notícias na voz característica e inesquecível do Silva Lima.

José da Silva Lima, o Silva Lima, era baiano, nascido em Salvador. Chegou a Sergipe com 18 anos de idade. Sabia um pouco a língua inglesa; logo se tornou professor de inglês na Escola Normal Ruy Barbosa em Aracaju. Chegou a ser representante da Revista do Rádio. Ingressou no radialismo em 1950.

No rádio, Silva Lima fazia de tudo. Programas musicais, esportivos, policiais, radiojornalismo; apresentador extraordinário e bom entrevistador. Um dos radialistas mais dinâmico já visto na história do rádio no Brasil. Criativo melhor que ele nunca houve no rádio.

Naqueles tempos, na década de 1970, na altura dos meus oito anos, o rádio e os folhetos de cordéis, nos cafundós do alto sertão sergipano, eram esses, e somente esses, os meios de comunicação que adentravam as caatingas levando notícias. Telefone, jornal, telégrafo, televisor, revista, eram “bichos estranhos” nos sertões. O radio e os folhetos contagiavam e encantavam as pessoas. Eu era desde menino, e continuo sendo, um apaixonado pelo rádio e pelos folhetos de cordel. Minha paixão era ( e ainda é) tão grande pelo rádio e pela comunicação escrita, que, mesmo sem ter a oportunidade de estudar como desejava, tornei-me um poeta-cordelista e um metido a escrever como jornalista.

Em Sergipe, as rádios surgiram da necessidade dos políticos. A Rádio Difusora, por exemplo, surgiu em 1939, no governo de Eronildes de Carvalho (PSD), com o objetivo de divulgar as ações do governo. A Difusora era uma emissora estatal. Depois, em 1953, surge a Rádio Liberdade, ligada à UDN. Mais adiante, em 1958, surgiu a Rádio Jornal, de propriedade do pessoal do PSD.  Silva Lima passou pelas duas primeiras emissoras, a Rádio Difusora e a Rádio Liberdade de Aracaju.

Houve uma época em que o PSD estava no poder, e Silva Lima comandava a equipe esportiva da Rádio Liberdade, de propriedade dos políticos da UDN, e a Rádio Liberdade foi proibida pelo PSD, que comandava o Governo do estado, de entrar no Estádio Estadual para transmitir uma importante partida de futebol. E Silva Lima, criativo e esperto, decidiu subir nos telhados das residências da Vila Cristina, em Aracaju, próximas do estádio, para fazer a transmissão da partida de futebol. E assim toda a partida de futebol foi transmitida ao vivo.

Segundo historiadores, Silva Lima narrava até casamentos. Pelo menos, um ele o fez. Foi o casamento de Aerton Menezes Silva, filho de Albino Silva Fonseca, dono da Rádio Liberdade. Precisa-se dizer que Aerton Menezes Silva casou quatro vezes. E o casamento que foi narrado por Silva Lima, transmitido pela Rádio Liberdade, foi o primeiro, quando Aerton casou com Marta Cruz, filha do professor Acrísio Cruz.

Silva Lima gostava de teatro, de bons filmes, de blues, jazz... 

Na política, Silva Lima chegou a ser eleito vereador, mas apesar de se envolver na política partidária, ligado à UDN, nunca teve o mandato como prioridade. Homem de microfones, sua voz pouco foi ouvida na Câmara de Vereadores. E as Atas do Poder Legislativo Municipal de Aracaju registram as suas tantas ausências nas reuniões. Silva Lima priorizava o rádio.

Os programas radiofônicos, “Informativo Cinzano” de Silva Lima e “Calendário” de Santos Mendonça, na Rádio Liberdade, faziam sucesso, mas também os programas de auditório, como shows de calouros, acompanhados por majestosas bandas e artistas da terra como, por exemplo, Antônio Teles, Vilermando Orico e também artistas nacionais como Ângela Maria. Havia também as radionovelas. Sucesso absoluto.

Silva Lima faleceu no domingo de carnaval do ano de 1983.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Manoel Belarmino.

sábado, 22 de agosto de 2020

O quá, quá, quá de Silva Lima

 Silva Lima comandou por anos o programa jornalístico 
de maior audiência no rádio de Sergipe

Publicado originalmente no site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 22 de agosto de 2020

O quá, quá, quá de Silva Lima

Publicamos, neste sábado 22, uma fabulosa história escrita pelo jornalista e escritor Luiz Eduardo Costa sobre o imortal radialista e político Silva Lima, que morreu em 1983. Comunicador polêmico, este bom baiano chegou em Aracaju com apenas 19 anos e fez o nome na radiofonia sergipana tendo sido, inclusive, vereador.

Sem mais delongas, vamos ao belo texto de Luiz Eduardo:

Silva Lima foi, durante duas décadas, desde que entrou no ar a Rádio Liberdade, o repórter radiofônico e locutor mais popular e sensacionalista de Sergipe. Elegeu-se disparadamente vereador de Aracaju no bojo dessa popularidade.

Mantinha, além de outros, um programa jornalístico diário, o Informativo Cinzano, que era mesmo líder absoluto em audiência. Começava às doze e trinta. Caminhando pelas calçadas, as pessoas podiam acompanhar o Informativo, que durava menos de 10 minutos, naquele estilo ágil do Repórter Esso. Em todas as casas os rádios estavam ligados, sintonizados na Liberdade, geralmente em volume alto.

Aerton Silva, procurador aposentado, pai e avô permanente, dínamo do esporte sergipano, hoje um tanto decepcionado com o nosso futebol, é quem conta: Um dia, estava na Liberdade conversando com o seu pai, o empresário Albino Silva, quando chegou, demonstrando muito nervosismo, o padre João de Deus.

– Seu Albino, o senhor precisa pôr um freio na boca suja de Silva Lima.

Albino Silva tranquiliza o padre puxando para ele uma cadeira, serve-lhe um copo da água mineral Itaperoá, um dos seus empreendimentos, manda buscar um cafezinho, e pede que ele explique melhor o que deseja.

– Seu Albino, Silva Lima falou assim no Informativo Cinzano: E atenção, atenção, muita atenção para esta notícia que chega do Vaticano. O Concílio Vaticano II, ontem reunido, decidiu que os padres vão em breve poder casar-se. Os sacerdotes da Igreja Católica Apostólica Romana, sem os impedimentos do celibato, já podem então começar logo a namoricar, preparando-se para um futuro casamento.

Mas o pior seu Albino, é que ele terminou a notícia fazendo assim: Quá, quá, quá,..”.

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Radialista Silva Lima

Foto: acervo Adaílton Andrade.
Reproduzida do Facebook/Linha do Tempo/Adaílton Andrade.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Silva Lima - "No Ar O Informativo Cinzano..."

Publicado no YouTube em 19/08/2012 por 


“Jose da Silva Lima, locutor da Radio Difusora AM dos anos 50/60, marcou época pela maneira de noticiar e uma voz bastante característica. Nascido em 1923, na Bahia, veio para Aracaju com 19 anos de idade, onde faleceu no ano de 1983. Este áudio, difícil de conseguir, é uma homenagem ao Silva Lima, como era conhecido”. (Gildo Simões Andrade).