Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 3 de Junho de 2026
Opinião - A foto, o fato e as tramóias da política
Por Elton Coelho (Coluna Aparte) *
Era 1994. Na residência de Jackson Barreto, então candidato ao Governo de Sergipe, no barro Atalaia, era recebido solenemente em café da manhã o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva, convidados e parte da imprensa.
Não havia a presença de muitos dos nossos colegas jornalistas, tolhidos que eram, com pauta esvaziada à presença de Lula e, claro, porque um dos mais lutadores da democracia, de vereador a deputado federal e prefeito de Aracaju, estava enfrentando ninguém menos do que Albano Franco, filho da dinastia política da Arena/PDS, cuja família, além do poderio econômico e político, dominava predominantemente os meios de comunicação de Sergipe.
Nesta via de mão única, a 103 FM, de José Carlos Silva, foi quem marcou a trincheira de luta pela cobertura real, e alguns jornais tradicionais muito mais interessados na “derrapagem de JB ou uma gafe de Lula”, insistiam em cobrir o “tal café”, na esperança de cumprir a tarefa além do jornalismo. Tudo era monopólio.
Neste espaço, eu e a jornalista Silmara Reis, que trabalhava para a TV e Rádio Jornal - Grupo João Alves Filho - ficamos ali, até o fim da coletiva, arrancando depoimentos quase que desesperançosos, mas eivados de muita determinação pra mudar Sergipe e o Brasil, por parte de Lula e de Jackson Barreto.
Foi a primeira e única vez que entrevistei, conversei e bebi da sabedoria de Lula, que após três derrotas consecutivas – 1989, 1994 e 1998 -, se tormaria mais tarde o que é hoje pela terceira vez: presidente incontestável do Brasil, partindo para a tentativa do seu quarto tento neste ano de 2026.
A foto, e o fato, me trazem mais do que regozijo. Também já entrevistei outras grandes figuras do cenário nacional - Ciro Gomes, Marina Silva, Heloísa Helena, Ronaldo Caiado - em terras sergipanas, na condição de assessor de imprensa, mas naquele fatídico 1994, ocupava com o fotógrafo Wellington Barreto, a condição do jornalismo da campanha de Jackson Barreto ao Governo de Sergipe. Eu era um quase menino.
Mas a presente foto, mais do que o romantismo, me remete à luta que travei para, em 1994, vivendo o clamor das ruas, municípios, povoados de Sergipe, ter tido a certeza de que aquela eleição era, de fato, para Jackson Barreto governar nosso Estado.
Se não deu pelas circunstâncias de que todos conhecemos, ficou na minha memória o dia em que a força do povo de Sergipe trouxe à baila uma candidatura de oposição bem sintonizada com o projeto de mudança nacional que estava engatinhando, mas quando Sergipe estava bem à frente.
Abertas as urnas, e o monopólio das comunicações e das pesquisas, gritavam uma vitória de Albano sobre Jackson da ordem de “100 mil votos de dianteira”, e o que se viu foi exatamente o contrário.
Jackson obteve 282 mil votos válidos, percentual de 47,6%, enquanto que o sempre educado e fidalgo Albano recebeu 280 mil votos, com 47,3% dos votos.
Perdeu a eleição de 1º turno, contrariando a tudo e a todos. Nessa balada, Lula também diminui sua derrota em Sergipe e com 211 mil votos, 36% da vontade dos sergipanos, enfrentou com altivez o vitorioso Fernando Henrique Cardoso - FHC -, que obteve 270 mil votos e 47% no percentual.
Então, pra reviver esta foto única - do arquivo da Silmara Reis - e a mim remetida, tive a nova certeza de que o jornalismo é resistente e profícuo, desafiando mentiras estabelecidas como fizeram Jackson e Lula em
1994 e que hoje, apesar das fake news desastrosas, ainda resiste ao tempo, tal qual a foto que não se perdeu no vácuo e que aqui foi motivo da minha escrita. Viva a democracia!
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* É jornalista.
Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br/colunas/aparte

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