sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Francisco Carlos, da "Paradinha do Chicão"

Foto: Divulgação.

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade.Net, em 19/10/2015.

RADIALISTA.

“Eu conseguia parar Sergipe”.
Entrevista: Francisco Carlos.

Por: Eugênio Nascimento/ Da Equipe JC

Nascido em 1954, em Aracaju, o radialista Francisco Carlos, que tem 47 anos de profissão, vai se aposentar. Ele foi um fenômeno de audiência em Sergipe com a “Paradinha do Chicão”, que nos anos de 1970 e parte dos anos de 1980 parava o Estado quando entrava no ar. Dos pedreiros aos estudantes, do policial ao juiz e o advogado, da dona de casa aos profissionais da medicina, da empregada doméstica ao político, engenheiro, carteiro, ferroviário, comerciário, comerciante... todos ouviam das 10h às 12h a Paradinha do Chicão. Eles trabalhavam com rádio de pilha “no pé do ouvido” ou a energia ligados nos sucessos do momento.“Comecei no rádio com 14 anos de idade, na Rádio Difusora, hoje Aperipê. Só depois do programa “As 14 mais” fui para a Rádio Atalaia, levado pelo finado Carlos Mota, onde entrou no ar  a “Paradinha do Chicão”, lembra. Ele destaca ainda que o seu programa, em alguns dias, atingiu perto de 100% de audiência no Estado. O seu desempenho nas pesquisas era o terceiro maior da história do rádio em Sergipe, só perdendo para o “Informativo Cinzano”, com Silva Lima, e o “Calendário”, com Santos Mendonça. Agora Chicão vai se aposentar e para relembrar os seus anos de sucesso, o Jornal da Cidade publica os trechos de uma entrevista que nos foi concedida na segunda e terça-feira.

Jornal da Cidade - Quando teve início a carreira do radialista Francisco Carlos, o “Chicão”?

Francisco Carlos - Em 1968, na Rádio Difusora, atual Aperipê, quando eradiretor  Raimundo Silva,irmão de Raimundo Luiz .  O nome do meu primeiro programa era“As 14 mais”. Nele acontecia a apresentação das 14 músicas mais solicitadas pelos ouvintes durante a semana.As 14 mais era aos domingos das13h às 14h. Foi um programa criado e dirigido pelo saudoso jornalista e diretor artístico da emissora,Jailton Oliveira.                    

JC - Quando teve início a sua maior projeção, no caso com a “Paradinha do Chicão”?

FC - A “Paradinha do Chicão esteve em atividade durante 12 anos na Rádio Atalaia. Depois disso fiz também na Rádio Jornal,por seis meses. Mas o sucesso forte mesmo foi na Atalaia,com uma media de 94 por cento de audiência. Naquele tempo a pesquisa do Ibope era feita de três em três meses. Em algumas das pesquisas, a Paradinha obteve 100 por cento de audiência. As pesquisas da época mostravam  a Paradinha do Chicao como o terceiro programa mais ouvido na historia do radio sergipano. A ordem nas pesquisas era a seguinte: 1º lugar Informativo Cinzano, com Silva Lima;  2ºlugar “O calendário”, com Santos Mendonca: e 3º lugar a Paradinha do  Chicão com Francisco Carlos.

JC - Que tipo de música era tocada na Paradinha?

FC - Todo tipo de música desde a bandinha de pífano de Caruaru (PE) ate Pink Floyd, dependia do momento do programa. O programa não tinha roteiro. A música era tocada de acordo com o assunto falado.Toquei muito os Novos Baianos, Belchior  e o Pessoal do Ceara, além de uma cantora muito boa chamada Kátia de França,  Elba Ramalho, Amelinha e muitas outras.

JC - Qual o horário?

FC - De segunda a sábado das 10h ao meio-dia na Rádio Atalaia AM. Uma vez ou outra o programa ia para o interior. Era uma festa na cidade em que a gente ia fazer o programa.

JC - O programa era feito sempre no estúdio?
FC - Normalmente era feito em estúdio com auditório,quando era feito no interior do Estado.

JC - Qual era o seu público?

FC - De A a Z, da penitenciaria do Bairro América ao Tribunal de Justiça. O meu trabalho tinha muitos admiradores. As pessoas gostavam do meu estilo de fazer rádio e comentavam muito o meu programa. O meu público estava em todas as classes sociais e do estudante ao profissional mais qualificado.

JC - Então, o seu programa ouriçava Aracaju?

FC - Sim. Muita gente fazia suas tarefas ouvindo o programa. Há o caso de uma aluna do Colégio Costa e Silva que assistia aula de Matemática com um fone no ouvido . Outro caso interessante foi o da cozinheira do restaurante “O Tropeiro”,  que,  curtindo o programa ,acidentalmente, o seu radinho de pilha  caiu dentro do caldeirão da comida que preparava. Ela só não perdeu o emprego porque o dono do restaurante (Ari), também era ouvinte do programa e deixou pra lá. Os pedreiros trabalhavam nas obras ouvindo “Preta, Pretinha, dos Novos Baianos, cantando e dando uma dançadinha de vez em quando. O programa era ouvido nas lojas de Aracaju, pelos comerciantes, comerciários e consumidores (clientes). Resumindo, as pessoas trabalhavam, estudavam, praticavam esportes ou simplesmente nada faziam na hora da “Paradinha do Chicão”.

JC - Você tinha ídolos do rádio na época da “Paradinha”?

FC - Quem me convidou (me deu essa grande oportunidade) para Radio Atalaia foi o saudoso Carlos Mota. Tive como meus ídolos e sempre me espelhei nos radialistas Dermeval Gomes e Hélio Ribeiro. Aproveito o momento para lembrar com gratidão do grande jornalista e radialista Santos Santana. Foiele quem me deu um estagio na Rádio Difusora(eu tinha 14anos)e tudo começou ali. A Radio Difusora sempre foi conhecida como a Escolinha do Radio. De lá saíram Wolney Silva, para a Voz da América, nos Estados Unidos,Luciano Alves, para a Radio Globo(RJ), .e tantos outros aqui no radio sergipano e por esse Brasil a fora.

JC - A vida de radialista top lhe rendeu dinheiro?

FC - Boas lembranças e sentimento de dever e missão cumpridos, graças a Deus. Sucesso até 1986. Dinheiro? Não. Mas dava para viver, não dava para guardar nada.

JC - É prazeroso trabalhar no rádio?

FC - Já estou me aposentando. Ficarei na saudade dos amigos que fiz dentro e fora do meio radiofônico. É muito legal fazer rádio, é muito prazeroso.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

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